Lista de Músicas

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Pass X Fure Capítulo 4: Na escola

Quando acordou, estava deitada em sua cama novamente, sentia dores de cabeça e leve náusea. Sentou na cama devagar, olhando para os lados, atordoada, tentando entender como havia ido parar novamente no seu quarto.
Então lembrou-se: Ao tocar novamente no espelho, foi puxada de volta... Mas, seria aquilo real, ou havia apenas sonhado tudo? Era coincidência! Deveria mesmo era ter sonhado, dormido a noite toda e seu subconsciente imaginou tudo. Isso! Foi isso mesmo.
Já respirava aliviada quando olhou para as janelas: já era o pôr-do-sol. Olhou para suas roupas: As mesmas que havia colocado novamente pela manhã. E na cadeira, Dyeiden a observava, de maneira preocupada, parecendo tentar encontrar uma explicação lógica para algo, com os dedos das mãos enlaçados, com o queixo apoiado nelas.
- De novo não! Por favor, outra vez não! Não comece tudo outra vez! - Suplicava Kathlyn, em pensamento, lembrando das diversas ocasiões malucas e estranhas que havia passado desde os 6 anos, as várias psicólogas e psiquiatras pela qual passou durante muito tempo, sem nunca ninguém entender seu comportamento violento, os súbitos sumiços e reaparecimentos, sem jamais recordar de nada, as manias de dizer que alguém gritava seu nome pedindo-lhe ajuda, que só ela poderia ajudar, que precisava de libertação, os isolamentos, e até mesmo a tentativa de homicídio com dois colegas que perturbavam-na chamando-a de esquisita, fantasma e até monstrinho feio. Kath perdia a cabeça e, subitamente, parecia que outra força tomava conta de seu corpo. Seus olhos ficavam vermelhos vivos, suas veias saltavam e manchavam a pele, e ela se tornava um animalzinho em fúria. Todos os médicos à diagnosticavam como fazendo um escudo pela maneira como era tratada e por ter crescido sem um pai presente.
Com o tempo, ela começou a fingir que não ouvia mais nada e usou o isolamento para manter o controle. Os médicos então concordaram que ela obteve uma cura e pararam de perturbá-la.
- NÃO, NÃO, NÃO, NÃO, NÃO! Não quero passar por tudo aquilo de novo. - Pensava ela desesperada.
Nem havia percebido que Dy a estava abraçando, enquanto ela chorava.
- Mantenha a calma e o controle, não deixando que nada de mal quebre seu escudo e a derrube! Vamos, coloque tudo para fora! Esqueça o que passou e pare de chorar!  - Dizia ele, enquanto acariciava seu cabelo e a balançava como a um bebê. Logo ela parou de chorar, Dy secou suas lágrimas e disse:
- Não importa o que aconteceu, você deve se manter forte, pois maiores desafios irá enfrentar!
- Como sabe do que ocorreu? - Perguntou Kath, firmando a voz.
- Do que está falando? Nada aconteceu. Certo? - Disse, com uma piscadela, mostrando parceria. Você apenas desmaiou e eu a trouxe ao seu quarto. Sua mãe não precisa saber nada, ou terá problemas, não é? - Perguntou-lhe ele, levantando-se e encaminhando-se para a porta.
- E-Está certo, n-nada ocorreu aqui hoje! - Confirmou ela, com medo do que poderia lhe acontecer se alguém descobrisse que estava acontecendo seus sumiços novamente. Mas pensou, como ele poderia saber o que se passava com ela? Nunca contou nada demais de seu passado. De qualquer maneira, seu segredo estava seguro agora!

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Segunda-Feira seria seu 1º dia em uma nova escola. Iria cursar a 8º série. Não estava preparada!
Levantou as 7 horas da manhã, receosa do que poderia lhe acontecer nessa escola.
Foi ao banheiro, tomou um banho, vestiu seu roupão e foi para a pia. Pegou sua escova de cabelos, e começou a penteá-lo lentamente, olhando-se no espelho, com um olhar de gatinho assustado, como que para ganhar tempo, como se, por um milagre não precisasse ir hoje, enfrentar os olhares de estranhos por onde passasse, e depois que fosse lido sua ficha da antiga escola e do reformatório por onde havia passado 2 meses depois do incidente, praticamente iriam crucificá-la, tratada como um perigo para todos, e sempre alguém por perto vigiando seus passos, como uma espécie de sombra, assustando-a em diversos momentos, em lugares estranhos... Não queria aquilo novamente!
Após escovar os dentes e lavar o rosto, olhou-se no espelho, procurando o vestígio de uma adolescente normal, olhando fundo nos próprios olhos, tentando encontrar a inocência daquela menininha que pensava não haver tantos problemas na sua vida, virar uma garota fichada, com menos de 15 anos, que passou por muitas coisas... Não encontrou nada! Apenas aquele vazio. Os lindos olhos azuis, brilhantes mas opacos, semi-vivos, tentando encontrar um sentido para continuar vivendo, mas não sabia o que fazer! 
Saiu do banheiro e foi para a mesinha no canto do quarto, onde ficavam seus estojos de maquiagem. Pegou um lápis, pincel, rímel, sombra preta e batom rosa, e começou a maquiar-se.

Depois, saiu do banheiro, foi ao armário. Tentando encontrar uma roupa que lhe fosse interessante.
 - O que vou vestir? - Pensou, olhando as poucas roupas que havia colocado no armário. - Dane-se o que vão pensar de mim, vou com esta! - Pegou um conjunto e foi vesti-lo.

Depois, desceu para o café. Sua mãe já estava a sua espera do lado de fora. Estava ansiosa demais para comer algo mais pesado, mas não gostava de mostrar o que se passava com ela. Apenas pegou alguns biscoitos, fazendo-se de indiferente e saiu.
Do carro, sua mãe gritava pela janela do carona e buzinava:
- Kath, é melhor você se apressar, do contrário, vou trabalhar e deixar você ir a pé ao seu 1º dia de aula aqui! Anda logo!
- Eu já estou indo. - Gritou de volta. Virou os olhos e resmungou - Que bruxa! Como alguém tão chata assim pode ser minha mãe? Inacreditável!
Quando sentou-se no carro e ficou confortável, sua mãe saiu pela estrada e perguntou:
- Porque é que você demorou tanto? Não sabe que hoje também começo em um novo emprego? Você deveria ser menos ingrata! Eu faço tudo por nós, mas preciso sempre ser grosseira com você! - Ela suspirou, fechou os olhos e tornou a abri-los, olhou para a filha e disse, com uma voz mais doce:
- Olha, querida, queria que nos dessemos bem novamente, se você baixar um pouco essa guarda que você pôs a sua frente e deixar eu me aproximar de você novamente, nós poderíamos...
- NÃO! - Cortou-lhe Kath, friamente, com os olhos fixos na estrada, mas sem realmente olhar para lado algum, só desejando que aquilo acabasse logo. Virou-se para a mãe e despejou - Você talvez nunca tenha se importado realmente comigo, não é? Só pensa em trabalho, trabalho e mais nada! Quer que tenhamos uma vida melhor e mais segura, sem possíveis problemas no futuro, mas isso é só para esconder o quanto tem medo e é frustrada na vida porque o papai sumiu no mundo e jamais deu notícias. Eu até hoje me pergunto o porque de ele jamais ter vindo a minha procura, pois, se não amava você, devia me amar como filha, porque eu, pelo menos, o amava muito, e gostaria de ter ido embora junto com ele, para não precisar passar por tudo o que precisei passar desde o dia em que ele saiu de casa e jamais voltou ou deu notícias. Virando-se de lado no banco para ficar de frente para sua mãe, seguiu dizendo:
- Pensa que fiquei feliz de ter ficado com você todo esse tempo? Pois não fiquei, só para lhe contar. Pensa que fiquei feliz do momento em que machuquei aqueles idiotas e nem ao menos me lembro de ter feito isso? De ser mandada por um juiz em nome dos pais deles para reformatórios, com gente chata que gosta de bater nos outros e abusar também, e de mudar de escola 5 vezes em 1 único semestre, porque os babacas medrosos tinham medo de mim, e de os 2 únicos amigos que eu tinha era um garoto que nunca percebeu que gosto dele e uma garota que fugiu de casa e vive por conta própria porque bebia desde os 11 anos e prostituía-se, e os pais batiam nela, e pensa que estou bem? Consegui formar uma banda com um grupo que respeitava e que agora me substituíram porque fui arrastada da cidade, obrigada a morar em outro lugar, sair do único lugar em que, no final, estavam me aceitando, alguém estava... E onde está minha mãe para me ajudar e dar apoio pra mim nos momentos em que não estou bem, desamparada, com medo, perdida, que só quero um abraço, um sorriso e um pequeno "você vai conseguir Kath!" para me animar e me manter em pé? Para que eu me sentisse mais forte para aguentar sozinha todo aquele perrengue, onde você estava? Sempre trabalhando e ocupada demais para sua filha, que aos 12 anos, já esteve em dois reformatórios de São Paulo, oito psicólogos de Porto Alegre até não ter que passar mais pelo o que passava, fingindo ter melhorado, só pra voltar para casa e ter uma mãe que só trabalha e dá ordens, sem demonstrar afeto, e que pede para a relação de mãe e filha melhorar? Obrigada, mas eu já passei por muita coisa e me viro muito bem sozinha ultimamente, tudo graças a você, mamãe! - Gritava ela, segurando as lágrimas de raiva e frustração, cada palavra com muito desdém e deboche, uma forma de esconder o que realmente se passava em seu íntimo, que era a de uma garota frágil e devastada, que só queria a mãe cuidando dela, mas, como a mãe nunca olhava em seus olhos, não podia ver o que lhe passava na alma e no coração.
Sua mãe abaixou a cabeça e falou calmamente, como se não estivesse nenhum pouco afetada por dentro:
- Não posso ser esse monstro sem coração que você acha filha. Porque se eu não a amasse, não cuidaria de você quando fica doente, estaria perto quando precisa ou tentaria me aproximar mais de você, certo Kath? - Perguntou, lançando um olhar divertido para Kath, que aborreceu-se ainda mais e só respondeu: Você só sabe fazer chantagem emocional, não é mesmo? Deixamos isso como está, por enquanto!
As 7h55min. a mãe de Kath estacionou o carro em frente a nova escola dela, tirou o cinto e desceu do carro junto com Kath, que perguntou prontamente:
- Porque é que você vai vir comigo, hein, mãe? Já não disse que sei me virar sozinha? E você já não está atrasada para seu 1º dia também? - Lembrou-a.
- A diretora Mercedes foi quem pediu para que eu fosse completar a sua matrícula junto com você, ou não poderiam deixar você estudar aqui! E também preciso participar um pouco da vida da minha única filha! - Justificou-se Yoland, sem perder a briga.
Com um suspiro desconcertado, Kath disse:
- Está bem, se é para eu ver você somente daqui a 4 horas por dia, quando vier me buscar, eu aceito.
- 4 horas e meia Kath. - Corrigiu-a.
- Que seja! Vamos logo! - Disse, indo na frente.
Andando pelos corredores até a sala da diretora, todos com quem Kath encontrava-se ficavam um pouco assustados quando a viam, pois não eram acostumados com muitos alunos como ela, ou melhor, com seu estilo, que imediatamente despertava a curiosidade, o medo e o espanto de todos. Foi andando pelos corredores e finalmente chegou na porta da sala da diretora, que foi aberta pela secretária.
Entraram, e a mulher que as recebeu, levantou-se de sua cadeira com um longo sorriso. Ela era fofinha, rosto simpático e doce, boca larga e grandes olhos castanhos. Vestia um blusão de lã.
- Sentem-se, por favor! - Disse, com uma voz muito doce, olhando para ambas.
Kath sentou-se de braços cruzados, irritada, olhando para a janela, e sua mãe com os braços juntos, olhando para a diretora com uma expressão de "desculpe os modos da minha filha rebelde".
- Muito bem, então esta mocinha quer estudar aqui. Teremos o imenso prazer de recebe-la aqui Kathli!
- É Kathlyn, senhora! - Falou desdenhosa, sem desviar o olhar da janela. Detestava que errassem seu nome.
- É claro, querida! - Disse a diretora Mercedes, sem se abalar com seu comportamento, pois já estava acostumada com adolescentes problemáticos assim.
 - Pelo que consta, você sempre obteve excelentes notas, a menos que não quisesse. Valorizamos muito isso por aqui. Nunca foi muito de se enturmar. Terá de procurar seu grupo aqui. Vejam só, gosta de música, toca uma guitarra, escreve e canta. Isso é um ponto fortíssimo para você. - Disse a diretora. - Não teremos problemas e mantê-la aqui. - Concluiu. - Seja bem-vinda a escola Padre Joaquim Spil. - Levantou-se e estendeu a mão para cumprimentar as duas. Depois dos rápidos cumprimentos e de a mãe de Kath ir embora, foi passado os horários de Kath e as regras, que ela decorou tudo enquanto procurava sua sala.
Quando encontrou a sala em que iria estudar, foi em sua direção, mas foi barrada por 3 garotas, que pareciam perfeitas patricinhas metidas. Uma loira, uma ruiva e uma negra. A loira era a líder, sem dúvidas.

- Uau, ainda estou digerindo isso! Como é que a diretora pode deixar entrar para a nossa bela e limpa escola uma criatura demoníaca e suja como você. - Disse a garota do meio, tocando o peito de Kath no você. Já não começava a simpatizar com aquela patricinha metida, que ela mal chegou e já foi lhe incomodando, sem nem ao menos conhece-la. - Acho que estou passando mal meninas, ela vai corromper todo o resto de inocência existente em nossos corações jovens e cheios de vida. - Fez uma ceninha, fingindo que iria desmaiar para as outras focarem sua atenção nela, depois que fez seu "showzinho", colocou-se bem perto de Kath e avisou: -Tome cuidado com o que você for fazer aqui. Estarei sempre de olhou em você! Sou sobrinha da diretora. A rainha da escola. Esta escola, meu palácio. Os alunos e funcionários, meus súditos! - Falava ela, com um tom superior.
- Como é impertinente. Não tem mesmo medo de morrer, essa garota! - Pensou irritada, mas deu uma resposta a altura. - Não se preocupe, princesinha, não vou destruir seu castelinho cor de rosa nem tacar fogo nas suas belas roupinhas de grife... Por enquanto. - Finalizou, desafiadora.
- O que quis dizer com por enquanto, monstrinho? - Perguntou ela, irritando-se. Kath não gostou daquilo, mas controlou-se. Não queria uma suspensão no 1º dia, antes mesmo da aula.
- Se voltar a me perturbar, vai descobrir! - Concluiu e afastou-se, deixando aquela loirinha incherida soltando fogo pelas ventas. - Não importa quem me perturbe, nem por cima de quem eu tenha que passar - Pensou - Vou sobreviver aqui, eu vou sobreviver, não importa o que aconteça! - Prometeu a si mesma.
Entrou na sala de aula que estava anotada no cartão, na qual ela teria as suas aulas e foi procurando um lugar para sentar. Costumava sentar no meio, então pegou a 1º classe que encontrou, jogou a mochila, sentou-se, ligou o mp4 e ficou esperando o início das aulas. Logo apareceu alguém na sua frente que lhe arrancou os fones e falou:
- Querida, é melhor ir se levantando, pois esta classe me pertence! - Disse uma garota.
- Eu te perguntei? Você pagou por ela, por um acaso? - Respondeu irônica, sem olhar para a garota com quem falava.
- Olha como fala comigo monstrinho, eu posso muito bem dar um jeito de me livrar de você!
Erguendo a cabeça e vendo quem a perturbava, Kath soltou um suspiro e, encarando aquela patricinha metida de frente, falou:
- É você? Pare de me perturbar, princesa! Não estou de bom humor para aturar choro e pirraça de criancinha mimada! - Respondeu, e concluiu, pegando a mochila e mudando de classe. - Pode ficar com essa, não quero uma dor de cabeça logo cedo. - E acrescentou - E se puder, engula-á, e morra engasgada! - Desejou à garota, franzindo os olhos, para mostrar sua maleficença. A outra, assustada e com arrepios pela espinha, virou-se e sentou em silêncio. Kath recolocou os fones e ficou ouvindo música até o sinal tocar.
Quando todos se sentaram e o professor entrou, arrumaram seus materiais e esperaram, menos Kath, que já quase dormia ouvindo música clássica. O professor então, com muita calma, pediu que os novos alunos transferidos se apresentassem, começando por Kath, que não ouviu. Ele então, encaminhou-se até sua classe, tirou os fones dela e disse:
- Gostaria de juntar-se a nós para apresentar-se á classe, senhorita?
Quando ela notou quem era, sentou-se direito, desligou o mp4, levantou-se e foi até a frente da sala, e esperou que os outros novatos se juntassem a ela. Vendo que ninguém levantou, ela sentiu-se constrangida e amedrontada. Olhou para patricinha, que ria dela com as amigas e dizia:
- E aí, monstrinho? Ninguém aqui está afim de ficar a manhã toda olhando para essa sua cara horrível de defunto desenterrado! Vê se fala logo, etá cansando a minha beleza! - E as outras duas riram.
Kath respirou fundo e fechou os olhos, concentrando-se. Todos, em silêncio, curvaram-se para a frente, curiosos, pois ela parecia que preparava-se para cantar uma música que exigia esforço. Ela então abriu os olhos, e com um brilho determinado e corajoso, começou a falar:
- Meu nome é Kathlyn Baumtos Kertine, tenho 14 anos, sou de escorpião; Eu canto e toco guitarra; Os gêneros musicais que mais gosto são rock, pop e clássica; Gosto também de escrever; Não gosto que mecham comigo, pois sou meio solitária, lido sozinha com meus problemas, e se alguém interfere na minha vida ou me perturba, normalmente sai machucado; Detesto que fiquem me dando ordens, então não pensem que irei fazer algo por vocês sem querer algo em troca. Mais cedo ou mais tarde, eu peço o favor ou a ajuda de volta; Não sou do tipo romântica, pois os romances para mim vão parar na lama.
- Muito bem. Obrigada pela sua breve apresentação sobre você Kathlyn! O próximo é... - O professor parou para olhar uma lista e depois olhou as filas. - Judith Patrick!
Levantou uma garota ruiva, magra e mal humorada, que foi até à frente da classe e prostrou-se, sem dizer nada.
O professor, sem graça disse:
- Err... Judith! Fale de você para seus colegas!
Com um suspiro irritado, ela falou:
- Meu nome é Judith Patrick, tenho 15 anos, sou de touro; Eu toco bateria; Meus gêneros musicais são rock e metálica; Não falem comigo, a não ser que seja importante, para não desperdiçar meu tempo; Não me dêem ordens, porque eu odeio; Não sou romântica, então, se me trouxer uma flor, esmagarei a cabeça do idiota em uma lata de lixo com as flores junto. - E voltou a sentar-se. A sala está toda em silêncio, em total constrangimento.
- Ela é muito pior que eu! - Pensou Kath, impressionada e assustada. - Talvez possamos ser amigas!
Pigarreando, o professor quebrou o silêncio e chamou o próximo da lista:
- Bred Winchester.
Levantou-se então, um garoto moreno, cabelos pelos ombros, de aparência bondosa, alto e de olhos verdes.
Foi até a frente e começou a falar, empolgado:
- Sou Bred Winchester, tenho 15 anos, sou de sagitário; Toco flauta; Meus gêneros de música são pop e eletrônica; Escrevo poemas; Gosto de conversar com todos e ajudar nos problemas que possam ter; Posso ser grudento, pois sou um romântico incorrigível, como meus amigos falam. - E foi sentar-se.
- Muito bem Bred, foi uma boa apresentação. - Ele voltou a olhar na lista. - Por último - Ele apontou para uma classe no fundo, atrás de Kath, um rapaz que ela não havia reparado estar sentado, que lhe parecia familiar, levantou-se com um chapéu na cabeça cobrindo seu rosto, de forma que ninguém podia ver quem era. Foi até a frente e, enquanto tirava o chapéu, o professor lhe anunciava. Foi então que Kath ficou com falta de ar com o que viu:
- Agora é você, Frederico Marlous.
Kath não respirava direito, e percebeu que estava ofegante ao ver Fred na sua frente, na mesma sala de aula. Suas mãos suavam e ela tremia. Ele então, apresentou-se, de forma tão carismática, que arrancava gritos e suspiros das meninas:
- Sou Frederico Marlous, tenho 16 anos, sou de virgem; Toco guitarra. Meus gêneros de música são rock, pop, metálica, clássica e eletrônica; Escrevo poemas; Converso com todos, adoro uma folia! Quando quiserem conversar, é só me procurar - Deu uma piscadela para as meninas, que até desmaiavam sobre as mesas - Sou muito romântico, adoro fazer uma garota feliz. - Enquanto ia sentar-se, deu uma olhada para Kath, que estavam completamente rubra, e largou uma carta sobre sua classe, antes de sentar-se atrás dela.
- Muito bem alunos, então iniciemos a aula! Eu sou o professor Luiz Fernando de ciências, e vou começar hoje ensinando a vocês sobre distorções de tempo, que ainda são muito pesquisados e avaliados por especialistas! - Enquanto ele falava, Kath abria a carta e lia o que Fred havia escrito para ela, em uma bela caligrafia, um poema lindo.
                                        Tão bela como o pôr e nascer do sol é você
                                        Como a água, límpido é seu olhar
                                        Dá forma como os espinhos das rosas as protegem
                                        Eu quero ser o seu escudo
                                        Ser aquele que pode sempre ouvir sua voz
                                        Admirar sua beleza, que é por baixo dessa garota forte
                                        Uma bela e delicada flor, que precisa de todo o meu amor
                                        Que é a canção que faz os compassos do meu coração
                                        Se eu perdê-la, jamais me perdoarei
Kath mal podia acreditar no que estava lendo! Não podia ser real... Mas era!
Ela pensou que mal poderia prestar atenção naquela aula, até que a palavra "buraco do tempo" foi escrita na lousa, o que a fez ter uma vaga lembrança de algo... Mas do que?
- Meg - Veio-lhe a mente o nome da garota que ela havia conhecido na manhã anterior. De repente, sentiu uma vontade e prestar atenção somente nesta aula, pois teve um pressentimento de que as informações adquiridas ali lhe seriam importantes para algo, só não vinha a mente o que era agora.
O professor Luiz Fernando começou com a explicação:
- Um buraco do tempo, ou buraco negro, como é chamado por alguns, é conhecida pelos cientistas como uma passagem tridimencional, por onde você viaja no tempo e no espaço, mudando lugar, época, etc. É um local com grande concentração de energia, que pode ter sido usado, como um ajuntamento de pessoas, ou até mesmo a morte violenta de alguém, que acumula com o passar dos anos. Este lugar normalmente é abandonado e o acumulo daquela energia não é dispensado, pois foi algo, como chamam os cientistas, que ficou pendente, e o nível iônico é grande, as partículas se juntam e se dividem o tempo tempo e, os "espectros" são espíritos de pessoas que ficam presas no lugar, eles precisam que alguém os liberte, e com a suposta morte violenta, eles podem guardar ali lembranças e desejos, como quando foi morta, ou como o lugar era, e a pessoa que procura os ajudar, pode ser influenciada por essa energia, que pode lhe ser revelado pela energia: a pessoa que morreu, até mesmo antes do ocorrido; a forma como pode ajudar; até mesmo voltar no tempo para buscar a resposta e livrar o espírito. Ninguém sabe realmente se isso existe. Há relatos de que pessoas conseguiram estas façanhas, mas, muitos deles vieram a ter problemas mentais com o passar dos anos, então, ninguém nunca acreditou realmente que isso pudesse ocorrer. Alguma pergunta?
Ninguém se manifestou. A explicação foi tão longa que a aula, que era de 2 período, acabou ao sinal da campainha. A próxima aula era matemática. Entrou uma senhora muito gorda e com aparência rabugenta, que chegou até a classe, bateu os livros com toda a força na mesa e gritou:
- Muito bem crianças, espero que tenham feito o dever, ou irão parar na detenção!
Todos olharam para a professora, atônitos. Era o 1º dia de aula, não havia deveres.
- Sou a professora Rousely Grynol, e quero todos os cadernos nas mesas agora!
Uma garota ruiva levantou e tentou falar:

- Professora, nós ainda não temos...
- Quieta! - Cortou-lhe a professora, ficando muito vermelha. - Não admito que falem sem que eu mande, garotinha atrevida! - A menina sentou-se e encolheu os ombros, envergonhada. A professora apontou para o fundo da sala, onde estava sentado um garoto loiro, de olhos muito verdes e pequenas sardas no rosto.
- Você aí! - Gritou para o garoto. Ele, assustado, olhava desesperado para os lados e então respondeu, amedrontado:
- E-eu? - Apontou para si mesmo, encolhendo-se de medo.
- Sim, você. Qual o seu nome garoto?
- Finis, senhora. Finis Patrick.
- Levante-se, imundícia, e venha até aqui.- Ordenou ela, apontando para o lado da mesa dela.
Lentamente, sob os olharem dos colegas, Finis foi até a frente da sala de cabeça baixa, prostrou-se em frente a professora e perguntou:
- O q-que a s-senhora deseja? - Perguntou, tremendo igual uma vara verde.
Ela deu um meio sorriso de canto, satisfeita por amedrontá-lo e disse, chegando perto dele e parecendo aumentar:
- Eu quero que você me responda, Finis, porque é que não tem NADA anotado nos cadernos de vocês? - Aumentou a voz.
Ele, tremendo ainda mais, respondeu:
- É p-porque é o p-primeiro dia e nã-ao temos n-nada nos c-cadernos.
- Muito bem. Vá sentar-se! - Gritou ela, com toda força, assustando a sala inteira, fazendo o garoto correr para sua classe, tropeçando e caindo pendurado na cadeira, onde endireitou-se rapidamente, com medo da mulher.
- Muito bem, comecem a escrever as equações! - Gritou ela, passando no quadro.
Foi uma longa aula com aquela mulher demoníaca, que no intervalo seria apelidada pelos alunos de dragão.
Quando o sinal tocou e todos saíram para o pátio, Kath foi falar com Fred. Estava curiosa para saber daquela mudança dele para sua escola, inclusive mudança de cidade.
- Fred, podemos conversar?
- Claro! Antes, eu quero comprar algo na cantina, depois conversaremos. Me espere aqui! - E saiu apressado.
Quando voltou, ofereceu metade do lanche para ela, que recusou, de tão nervosa por sua presença. Ele deu uma mordida grande no sanduíche que havia comprado junto com um suco, e perguntou, de boca cheia:
- Então, o que queria falar comigo, minha boneca? - Perguntou, olhando-a de forma a incentivar que falasse logo, para ele comer sossegado. Ela estava muito corada. Abaixou os olhos e começou:
- Bem, é que...
- Fred, querido! O que faz sentado junto com esse monstrinho? - Perguntou a patricinha novamente.
- Meu nome, é Kathlyn! - Disse, furiosa novamente por ela ter se colocado em seu caminho.
- Eu sou Rebecca Célya, prazer em conhecê-lo Frederico! - Disse ela, insinuante, balançando-se e colocando a ponta dedo mindinho na boca, com olhar sedutor.
Furiosa por ter sido ignorada, Kath gritou:
- Some daqui, bruxelia! Para de se meter onde não é chamada! - Disse, pegando o copo da mão de Fred e jogando em Célya que, toda molhada, ficou furiosa e focou toda sua atenção em Kath. E o restante dos alunos no pátio também.
- Sua demoniazinha desgraçada, olha o que fez com meu lindo cabelo e meu vestido novo! - Escandalizou, abrindo os braços e as pernas, como se defendesse alguém, para mostrar a todos o estrago feito por Kath, chamado ainda mais a atenção.
- Você mereceu! E pare de se aproximar dos meus amigos e me perturbar! Principalmente, pare de me xingar, bruxa vestida de gente! - Devolveu a provocação.
- Agora, você vai ver só, monstrinho! - Disse Célya, se aproximando rapidamente com os ombros erguidos e expressão de louca, pronta para atacar Kath.
- Pode vir, bruxa! - Disse Kath, ficando de lado e pondo punhos em posição, pronta para brigar.
Briga
Briga
Briga
Briga
Briga
Briga
Era o que ecoava no pátio. Somente não gritavam os muito recatos ou que não ligavam para o que acontecia ali, como a ruivinha que levou uma cortada da professora megera, que se chamava Maristela; A garota de cara amarrada, encostada em uma parede, em um canto escuro, Judith; O garoto negro, muito sorridente e simpático, Bred e o que lanchava interessado na luta, sentado no banco do pátio, que olhava de uma garota para a outra, mordendo seu sanduíche, Fred.
- Que sorte a minha! Duas garotas brigando pela minha atenção! - Pensou, cheio de si, indiferente a real motivação da briga.
No momento em que uma se preparava para pular em cima da outra, Kath não viu mais nada, seus olhos escureceram, e ela avançou para cima de Célya com as unhas longas, prontas para furar a pele da garota. Célya notou que algo estava errado e, no momento em que foi esquivar-se para se proteger, alguém apareceu do nada, entre a multidão e segurou Kath pela cintura, o que a fez parar e ser jogada contra o peito do rapaz.
Ele era mais alto que ela, tinha cabelos loiros e olhos lilás. Enquanto Kath debatia-se em seus braços, rosnando como um animal furioso que foi enjaulado, Dy aproximou os lábios do ouvido direito de Kath e disse, em um sussurro:
- Chega, Rock Princess! Você não precisa fazer isso! Agora acalme-se, não se exponha dessa maneira! - Dizia ele, enquanto ela parava de se debater e ia aquetando-se. - Você vê? É apenas uma garota normal, que você iria machucar como fez com outra e prejudicar-se! Quer mesmo fazer isso? - Perguntou. - Agora, volte para mim, volte para o seu Dy, e esqueça o que você fez aqui! - Dizendo isso, ela fechou os olhos e amoleceu em seus braços, desmaiando.
Fred, que terminava seu sanduíche, jogou o pacote no lixo, bateu as mãos para cair as migalhas e aproximou-se, perguntando a Dy:
- E aí, ela vai ficar legal? Parece ter usado muita energia só para isso! - Falou, sem grande interesse.
Virando o rosto para ele, com olhar furioso, Dy respondeu:
- Você deveria cuidar melhor das pessoas que querem bem você, que precisam de sua atenção! - Respondeu, entregando Kath para Fred, que ainda estava dormindo, e falou: - Você é da sala dela, não é? - Nem esperou resposta, e foi falando: - Eu sou do 2º ano! Se algo ocorrer com ela, me avise! - Falou, saindo dali.
- Como sabe de tudo isso? - Perguntou Fred, sem entender como Dy conhecia Kath.
- Eu simplesmente sei. - Respondeu, e foi para o corredor.
Fred levou Kath para a enfermaria, onde ela ficou até a hora de sua mãe ir buscá-la na escola.
Sua mãe chegou preocupada na enfermaria, perguntando o que havia acontecido. Responderam que ela entrou em uma briga e que havia desmaiado, deixando sua mãe preocupada. Pegou a filha nos braços e levou-a para o carro, onde Dy as esperava. Havia encontrado a mãe de Kath no corredor durante a saída e informou, preocupado, que Kath  não voltou para as aulas seguintes e sua situação atual. Yoland resolveu então que lhe daria uma carona, pois ele era filho do caseiro, e se preocupava com sua filha.
No caminho de volta, Yoland agradecia muito por Dy cuidar de sua filha como se fosse sua irmã. Ele dizia que não se importava, pois ela era muito importante para ele. Ele ia sentado no canto do banco de trás, com a cabeça de Kath em seu colo, o corpo dela sobre o banco.
Quando chegaram em casa, Yoland mandou preparar um lanche para a filha quando ela acordasse, e servirem o almoço. Dy entrou carregando Kath em seus braços, levou-a para o quarto, deitando-a na cama, e esperando que ela acordasse, sentado na cadeira, da mesma maneira que no dia anterior. A diferença, era que, desta vez, a mãe dela sabia do ocorrido.

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