Lista de Músicas

domingo, 25 de dezembro de 2022

O Iluminador



"Quem leva luz para o seu próximo, nunca andará na escuridão"

                                                                        Augusto


O relógio marcava 12:15 quando o fotógrafo Samuel Santos sentou com seu guia para almoçar.

O local era simples, mas agradável e com uma gostosa brisa, rodeado de árvores. As mesas de madeira rústica mostravam o talento das mãos de um artesão da região, que possuía seus trabalhos expostos por toda a vila.

Seu almoço foi servido por uma simpática senhora, que conversou um pouco com eles e depois foi atender outras mesas.

- Lugar agradável esse que você escolheu para almoçarmos Augusto! Se tudo der certo, até mesmo esse simples restaurante irá render lindas fotos para o meu álbum de Costumes e Talentos! - Disse Samuel de forma empolgada, sentindo que era o destino ter ido parar naquele humilde e belo lugar.

- Espero mesmo que renda muitas fotos boas, ou o dinheiro que você me pagou como guia particular será um verdadeiro desperdício! - Riu Augusto, esperando encorajar Samuel para que se sentisse desinibido em fazer seu trabalho e em pedir para fotografar lugares que ele sentisse necessidade.

Enquanto desfrutavam de um caprichado ensopado de carne com mandioca, Samuel voltou a admirar a paisagem, quando viu uma criança bem pequena, deveria ter seus 4 aninhos, levando apressada uma vela acessa na mão, com a ajuda de um objeto de casa para não se queimar.

Um pouco chocado com a cena, viu a criança seguindo naquela rua e dobrando uma esquina, sumindo de sua vista.

- Melhor começar a comer o que está segurando nessa colher antes que esfrie, ou não vai gostar depois, pois fica pegajoso! - Avisou tranquilamente Augusto para Samuel, achando graça pela forma como ele ficou olhando para a rua, de queixo caído, com a colher parada no ar, a meio caminho da boca.

Após o almoço, Samuel pediu para a dona do estabelecimento para fazer as fotos, o que a mulher permitiu com alegria, também servindo de modelo.

Ao findar do dia, Samuel e Augusto jantaram no mesmo local e, em seguida, foram para uma pousada ali perto.

Samuel já havia feito sua higiene pessoal e deitava na cama quando tudo ficou escuro.

Ele não tinha o costume de ficar assustado com isso, e achou estranho quando, poucos minutos depois a dona da pousada bateu em sua porta com uma vela acessa na mão, oferecendo outra para que Samuel não ficasse no escuro. Ele ia recusar de forma educada, mas notou um brilho na forma como a mulher lhe oferecia a vela, que ficou incomodado em recusar aquela pequena e bela chama. Aceitou, deixando em um suporte ao lado da cama, que parecia estranhamente ser próprio para isso.


- Ficamos sem luz ontem a noite, percebeu isso? - Perguntou Samuel para Augusto assim que saíram da pousada.

- Eu percebi! E não se surpreenda, é normal nesta comunidade! Pode ocorrer por dias seguidos! - Afirmou Augusto tranquilamente, claramente acostumado.

- A dona da pousada foi até meu quarto me levar uma vela, com medo que o escuro me incomodasse! Muita gentileza dela, não acha? - Pergunta Samuel, encantado com tamanha hospitalidade.

- É um costume por aqui que isso aconteça! - Disse Augusto, parando perto de um riacho com muitas árvores ao redor e pássaros que vez ou outra desciam até ali para se refrescar.

Samuel começou a fazer fotos do local, encantado com tamanha beleza, brilho e pureza daquele pedacinho de chão.

Mais tarde, enquanto voltavam até o restaurante, Samuel viu um senhor, que deveria estar na casa dos seus 80 anos, caminhando por aquela mesma estrada que a criancinha havia feito no dia anterior. Este senhor ia de forma calma, apoiando em uma mão sua bengala, na outra um pires para carregar uma vela acesa.

Aquilo começou a perturbar Samuel, que não disse nada para o guia Augusto, com medo de descobrir ser um estranho costume, religioso ou não, de fins duvidosos, como uma macumba ou algo assim.

No dia que seguiu aquele, chovia bastante, e Samuel aproveitou para fazer fotos da pousada, que combinava o rústico com traços modernos, embelezados com a dança daquela chuva tranquila.

Desta vez, em horário mais tardio, viu uma mulher na casa dos 40 anos e um menino, que deveria ter 10 anos, fazendo o mesmo trajeto dos outros nos dias anteriores.

Ele achou estranho o menino estar acompanhado, de guarda-chuva, carregando a vela em uma lamparina antiga, protegida em cima para não entrar água e para não queimar o guarda-chuva.

O que seria esse costume estranho?

Se no dia seguinte visse alguém fazendo aquilo novamente, necessitaria de respostas de seu guia.

Quando o dia seguinte chegou, com o sol saindo tímido, com um pouco de nuvens, Samuel decidiu que iria esperar para ver, ou não poderia mais manter a concentração no trabalho, tamanha perturbação o afligia.

Quando viu um homem na casa dos 30 cruzando a rua tranquilamente, com a vela grudada em uma xícara de cabeça para baixo, no mesmo caminho, e a vela acessa.

Não pôde mais suportar e foi falar com Augusto.

- Homem, não posso entender o que acontece nesse lugar e isso me assusta! Porque cada dia uma pessoa cruza essa rua com uma vela, faça chuva ou faça sol, e vai para sei lá onde, fazer sabe-se lá o que? O que acontece nessa vila? As pessoas fazem alguma macumba ou algo assim? - Samuel perguntou, angustiado.

- Meu caro, você gostaria de conhecer uma bela história desse costume aqui nessa vila, que nada tem a ver com maldade? - Perguntou Augusto, instigando a curiosidade de Samuel.

- Mas é claro! - Respondeu.

- Então venha, vou contar uma história e mostrar alguns lugares, os quais vai gostar de fotografar! - Convidou Augusto, e Samuel não perdeu tempo em segui-lo e preparar sua câmera.


Caminhavam até o centro da vila, local em que ele não havia notado ainda, mas possuía um suporte grande, com uma tabela de lembrete, em que havia várias linhas escritas. Chegando mais perto, ele notou que eram os nomes das pessoas que moravam ali. Alguns estavam escritos com cor branca, todas protegidas com um vidro e coladas com velcro e com sobreposição, supostamente para ser grudado outra coisa por cima.

Olhando melhor, alguns nomes na lista possuíam sim um segundo tecido colado por cima, em branco, e alguns tinham outras cores.

- O que significam isso? - Samuel apontou para as marcações.

- Se prestar atenção, os nomes estão organizados em ordem alfabética, para facilitar encontrar um nome. Estes com tecido branco por cima, significa que a pessoa está fora da cidade ou foi embora, e não pode fazer a leva da vela na sua vez, passando para o próximo da lista. Os que estão coloridos são os indispostos, doentes ou, nem preciso dizer o último! - Sorriu Augusto, enquanto apontava e explicava - Faça chuva ou faça sol, todos levam a sua vela, sua luz de bondade!

- Mas e o porque disso? É algum tipo de ritual? Algum tipo de "maldição" ou algo assim? - Fez aspas com os dedos, procurando entender a situação, enquanto fotografava.

- Existe uma história que vou contar, enquanto isso, vamos para outro lugar que gostaria que visse!

Foram andando, enquanto Augusto contava a história.

Joaquim era o filho único de José e Celina, um homem de coração bom e simples. Morria de medo do escuro e, por conta disso, aprendeu aos 8 anos como usar parafina de cera de soja combinado com pavio de madeira para fazer velas, e passou a usar como instrumento de trabalho.

Claro que, com o passar do tempo ele aprendeu a fazer outras, como a tradicional, mas isso seria história para outro momento.

Bom, ele passou a fazer suas velas para vender e ajudar na renda da família.

Infelizmente ficou órfão cedo, mas não perdeu sua bondade.

Ele vendia as velas para se manter, levava uma vida simples.

Como o vilarejo seguidamente ficava sem energia elétrica, fornecida por cidades maiores, ele iluminava sua casa com velas e, certa noite em que acabou a energia, ele notou que em algumas casas, crianças choravam, demonstrando seu medo do escuro. Sem pensar se teria algum tipo de prejuízo com seu ato, Joaquim pegou várias velas da sua produção e foi de porta em porta, acendendo, oferecendo e entregando aquela singela luz para quem estivesse com medo. Sua recompensa era o brilho alegre do olhar das criancinhas que recebiam uma vela dele para espantar sua escuridão.

Sempre que as luzes se apagavam, Joaquim não descansava até levar aquela luz para todos da vila, que ficavam gratos com o carinho dele.

Joaquim nunca se casou, e sempre morou sozinho após o falecimento dos pais. Mesmo assim, ele não carregava um pingo de maldade no coração, não era ressentido. Ensinou alguns jovens que possuíam o interesse no coração em ajudar com o trabalho.

Após seu falecimento, as pessoas não queriam que ficasse no escuro um homem de bom coração que dava tudo de si para não deixar faltar luz ao seu próximo. Decidiram então que o enterrariam ao lado de sua casa e, da mesma forma que ele fazia, levariam uma vela para ele todo dia. Para isso, organizaram uma lista em ordem alfabética e deixaram em um painel no centro da vila, para que todos soubessem sua vez e não deixassem um único dia de levar, não importando o que acontecesse.


Encantado, Samuel fotografava aquela humilde casa e o túmulo ao seu lado, sentindo a boa energia que emanava daquele local.

- Essa história é linda demais, mas porque eles ainda continuam por uma pessoa? - Questionou Samuel, curioso.

- Samuel, se uma pessoa passa a vida mais se doando pelos outros, não é certo que essa bondade seja retribuída de certa forma? - Perguntou Augusto, observando o fotógrafo, que ficou reflexivo - Quem leva luz para o seu próximo, nunca andará na escuridão!

Ouvindo aquilo, Samuel soube que, se houvesse no mundo uma única pessoa com a chama de bondade no seu coração acessa, o mundo jamais mergulharia no abismo escuro, pois sua bondade iluminaria o caminho de quem a aceitasse.

- Deus envia para muitos lugares no mundo seus anjos, e aqui acreditamos que Joaquim foi o nosso, e que não devemos apagar sua chama de bondade acesa nessa vila, enquanto pudermos aprender com isso e passar adiante! - Concluiu Augusto, deixando Samuel emocionado.

Certamente foi uma ordem divina que ele fosse até aquela vila e aprender mais sobre o amor ao próximo, usando sua habilidade para disseminar pelo mundo aquela bela história.

No dia seguinte, Samuel havia acabado de fazer suas fotos naquele vilarejo e seguiria para o próximo, junto de seu guia Augusto, que certamente teria muitas outras histórias lindas e belas para ele contar através de suas fotos.

 

domingo, 16 de abril de 2017

Pass X Fure Capítulo 16: Rosely está em perigo!

Estou com medo! Estou simplesmente morrendo de medo! Mandei uma mensagem em código para Kath, porque tenho medo que ele encontre e mexa novamente no meu celular, descubra meu jeito de pedir socorro e faça algo pior comigo do que abusar de mim... Mas aparentemente ele não viu nada, ainda!
Eu só tenho um grande problema no momento
Meus irmãos e minha mãe não estão em casa e, para meu azar, minha irmã foi ao mercado que fica a meia hora daqui, por ser mais barato lá, e me deixou sozinha com esse maldito canalha galinha de uma figa! E porque estou tão apavorada? Vou explicar.
Uma das formas do maldito me fazer perder o controle, o que deixa ele extremamente excitado e extasiado, antes de abusar sexualmente de mim, o sádico gosta de brincar de perseguição dentro de casa, como nos filmes de terror, me chamando de forma arrastada e com uma faca em punho. Sim, uma faca! Ele leva a ideia ao extremo! Ele descobriu que me perseguir no esconde-esconde me deixa em um estado de terror e que eu não reajo. Para garantir meu silêncio, ele falou que se eu não brincasse com ele, me mataria, se cortaria e diria para a minha família que eu o ataquei.
E porque alguém acreditaria nisso? Minha irmã é de quatro por ele de tão apaixonada, e nunca desconfiou do segredo que guardei da maioria das pessoas à sete chaves: sou homossexual, como meu irmão. Gostar de outras mulheres para muitos ainda é tabu, então me escondo, já que meus modos são de menina. Imaginei estar gostando da Kathlyn, mas foi ilusão da minha cabeça por estar com medo. O desgraçado descobriu mexendo no meu celular, em uma mensagem que eu mandei para a Judith relatando o que eu sentia e meu medo de levar um fora da minha melhor amiga. Usou isso como arma. Maldito seja ele. Para ajudar, eu fico tão apavorada quando ele me persegue que não desperto a minha fera interior. Se Kath não houver entendido a mensagem por trás da declaração...
Não sei se passo dessa perseguição.
- Roooooooooseeeeeeeeeelyyyyyy.... Onde você está, minha ruivinha deliciosa? Venha brincar com seu cunhadinho... - As palavras dele me despertaram dos meus pensamentos, e todo o meu pavor voltou.
Eu mal conseguia respirar. Corri dele por toda a casa, até me esconder no armário de casacos, no segundo andar, onde ele logo me encontraria. Estou suando horrores, tremendo de medo, a respiração pesada.
Vejo seus pés se movendo graças a sua sombra que entra por baixo da porta. Estou no fundo do armário. Momentos antes, quando me escondi aqui, senti algo parecido com uma passagem, e quase chorei de alegria. Retirei a tela e... Mal passaria meu irmãozinho mais novo por esse buraco! Voltei a cobri-lo, as lágrimas queimando os olhos.
Sem querer, toquei de leve o galo que ainda estava na minha nuca, resultado de um abuso dele contra o corrimão da escada, quando ele me ergueu alto demais em um momento de delírio, minha mão escapou do suporte na descida e eu fui direto contra uma leve saliência.
Preciso sair daqui, ou dessa vez ele me mata! Meus pensamentos fervem e, quando me aproximo da porta para abri-la e tentar sair sorrateiramente... Ela se abre de repente e ele me agarra pela gola redonda do vestido e me ergue até a altura do seu rosto.
Ele cheira a hortelã e baunilha. O cheiro é uma delícia mas, vindo dele, é o mais podre dos perfumes.
- Finalmente, te encontrei minha ruivinha! Não pensou que eu ficaria nessa até anoitecer, né? Sua irmã volta logo... Ou não, já que eu dei uma lista tão gigante para ela pegar em produtos do mercado e ainda pedi filmes... E você sabe a lesma que ela é para escolher, né? Pelo menos, você é três vezes mais ativa que ela na cama quando está com medo! - Lambeu meu pescoço, me fazendo tremer de tanto nojo e gemer, dando para ele a impressão que eu gostei. - Você já está pronta! E pensar que você não gosta de homens... É um grande desperdício de talento! - Afirmou, e começou a me arrastar escada abaixo, enquanto eu tropeçava para acompanha-lo e tentando não cair, pois ele me bate quando sou fraca. Hoje seria no quarto dos fundos, usado pelas visitas.
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- Olha lá Dyeiden! A Judh tá chegando! - Falei, levantando do colo dele e correndo para falar com ela. Não pensem besteiras de nós. Aqui fora está congelando no momento, e ele teve a ideia de que eu pudesse sentar no seu colo para nos abraçarmos e nos manter aquecidos, já que uma pequena parede evitava que o vento cortante nos fizesse congelar de vez, e apenas uma pessoa caberia naquele pequenino e frio espaço, a menos que sentasse no seu colo e dividíssemos calor humano assim...
- Primeiro Kath, me perdoe! Por favor, não aguento mais ficar em um grupo de amigos que nem se falam! - Via em seus olhos sua tristeza pelo que havia acontecido a 1 ano e meio atrás, que ainda feria, mas muito menos que antes por tudo ter sido tudo esclarecido.
- Judith! Vamos esquecer isso! Também não suporto mais essa história! - A abracei, sentindo seu evidente alívio. - Agora, temos uma missão muito importante pela frente! A irmã da Rosely está em casa?
- Duvido! Cruzei com ela a pouco. Tinha uma folha na mão, parecia ir ao mercado... - Ela arregalou os olhos quando entendeu o porque da pergunta - AI.MEU.DEUS.
Saiu em disparada para a casa, chamando pela Rosely, precisando que Dyeiden a agarrasse e cobrisse sua boca com a mão para ela parar com o escândalo. - Ficou doida? Pareceu a Rosely quando chama a atenção!
- Desculpe, mas é que... Se a irmã dela foi ao mercado, significa que a Ro ficou sozinha com o maldito do cunhado, porque a mãe dela saiu com a minha levando os pequenos às compras!
Eu e Dyeiden nos entreolhamos com essa afirmação. Ele a soltou e fomos dar à volta na casa, para encontrar um lugar para entrar, quando ouvimos um gemido abafado de mulher seguida por um riso de escarnio de homem.
- Não acredito que... - Não consegui terminar a frase e fui até uma janela, espiando sorrateiramente. Lá dentro, vi uma Rosely de bruços na cama, com a frente do vestido abaixada, as alças prendendo as mãos dela para trás, as costas e os ombros expostos cobertos de arranhões, mordidas e marcas de dedos, onde possivelmente ele a bateu. Podia ver um pouco de seu rosto de boneca banhado em lágrimas em meio a cabelos embaraçados e úmidos de suor grudados ao rosto. Atrás dela, um rapaz alto, moreno, com um corpo esculpido, investindo violentamente contra seu pequeno corpo todo esfolado, apertando as mãos na sua cintura de forma que já estava avermelhada.
Já tinha visto coisas assim antes, mas ver alguém próxima como ela naquele estado e com medo de ajudar para não piorar a situação embrulhou meu estômago e, virando rápido, apenas empurrando Dyeiden, que estava logo atrás de mim seguido por Judith, botei pra fora todo o meu lanche do recreio em uma samambaia baixa. Os dois se afastaram rápido, mas logo senti Dyeiden puxando meus cabelos para cima e os enrolando enquanto Judh passava por nós para espiar. Apenas ouvi o estalo de um tapa e um grito seguido de um soluço de Rosely. Quando me viro, vejo que Judh estava com as costas contra a parede, as mãos cobrindo a boca para não ser ouvida quando um soluço escapou e as lágrimas vieram, enquanto escorregava para o chão. Dyeiden pegou o celular no bolso da calça, ligou a câmera e o deixou apoiado na janela onde ninguém veria. Deixou gravando e virou de costas, muito pálido.
- Não consigo olhar! Mas não podemos fazer nada se não guardarmos um registro do que ela está passando.
- E como acha que filmar o estupro dela vai ajudar? Só se for para você se masturbar... - Debochou Judh, enojada.
- Não seja idiota Judh! Precisamos de uma prova do que ele fez com ela se quisermos denunciar e protegê-la! O que faremos se falarmos para alguém sem provas? Ela será humilhada e nós passaremos por loucos!
- Tem razão! Desculpe! Apenas achei que poderia haver outra maneira.
Poucos instantes depois, ouvimos aquele monstro falar que ela havia sido ótima como sempre. Ouviu-se o som de roupas sendo vestidas e a porta do quarto batendo. Esperamos para ver se poderíamos agir, e vimos ele saindo para pegar o carro, provavelmente para ir atrás da irmã da Rosely. Dyeiden levantou, desligou a câmera, fomos até a porta do fundo onde ficava a cozinha e entramos, procurando o quarto.
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Aquele animal! Outra vez não pude escapar dele! Tenho tanto medo que alguém descubra e o pior aconteça com todos!
Meu corpo todo dói! Me sinto pouco mais que um trapo velho que foi rasgado e largado às traças, inútil.
Fiquei mais do que aliviada quando ele terminou e saiu, me deixando sozinha. Mas, porcaria, ele não afrouxou minhas mãos, amarradas com um pedaço de pano que ele rasgou na lavanderia e atou junto às alças do vestido que eu uso em casa. Eu vou levar um bocado de tempo me soltando... Mas isso depois que a dor terrível entre minhas pernas passar. Ele foi um brutamontes em níveis inimagináveis desta vez! Se fosse mais forte, já o teria matado!
Ouço passos no corredor, os quais me despertam dos meus pensamentos malignos.
Dyeiden entra tropeçando no quarto, muito pálido. Rapidamente pega uma manta aos pés da cama para cobrir a parte de baixo do meu corpo enquanto solta minhas mãos com o canivete de Judith.
- O que fazem aqui? - Digo, com um fio de voz, enquanto me viro de frente para eles com grande esforço. Me encolho, tentando proteger meu corpo. - Vocês... Err... Viram?...
- Sim! - Responde Judh, e meu rosto fica muito vermelho. - Nos perdoe, mas não sabíamos o que fazer! - Falou e me abraçou. Ela parecia tão desconfortável quanto eu.
Kath entrou logo depois, meio cambaleante, pálida, os cabelos tão bagunçados quanto os meus. Correu e jogou-se aos meus pés, abraçada em minhas pernas expostas, aos prantos.
- Desculpe Rose! Eu deveria ter feito algo antes! Me perdoe! - Falava e soluçava. Puxei ela e Judh para um abraço. Assim ficamos por um tempo.
- Não quero ser um mala ou cruel mas... Precisamos fazer algo! Fiz uma gravação, e você pode procurar um médico para fazer um exame para provar os abusos e conseguir ajuda e...
- Não! - Rosely cortou Dyeiden, olhos assustados. - Não posso fazer isso! Ele ameaçou matar todos que eu amo, e não vou mais aguentar passar por tanta crueldade novamente... - Sem querer, chorei de novo.
Apertando minhas mãos, Judith e Kathlyn tentavam me passar um força que no momento eu não tinha! E nem coragem! Já fora humilhada demais em um único dia. A vontade que tinha era de me enfiar em um buraco e não sair de lá nunca mais.
- Estaremos o tempo todo com você! Seja forte e denuncie ele! Que seja o que Deus quiser! - Falou Kath, me deixando emocionada.
- Sim! Mas antes... É melhor vocês duas ajudarem ela a trocar de roupa e se arrumar... Imagina se chega alguém e a encontra nesse estado e... - Ele mal terminou e ouvi a porta da frente batendo, alguém se anunciando.
Ouvimos passos vindos para cá... Seria ele novamente?
- Dy? O que faremos? - Perguntou Kath, que parecia tão impotente e sem forças para lutar quanto eu!
- Acho que sei o que fazer... Não é grande coisa, mas pode funcionar! - Falou, sem muita convicção.
- Diga! - Forçou Judh.

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Pass X Fure Capítulo 15: O traidor e os apaixonados

As coisas na escola estavam voltando a se equilibrar para o meu lado, eu até não estou entendendo bem o que vem ocorrendo, tem uma certa... calmaria no ar. É como se tudo estivesse em estática, parado, a energia estalando, apenas esperando algo para tornar tudo inflamável e explodir de uma vez.
Desde que fiquei de castigo, os problemas parece que simplesmente fizeram puf, e sumiram.
Sério, até sinto medo desse suspense.
Célya simplesmente parece ter esquecido que eu existo e voltou a tentar assumir o grupo de populares, mas não parece estar sendo bem aceita. Como eu sei? Digo com base no que vi outro dia: Ela chegou com suas seguidoras no grupo de populares veteranos do ensino médio ( que no momento se encontram sem líder definido devido a última eleita ter se formado em dezembro!), e ela foi jogar seu charminho para lhes fazer a cabeça mas... Elas disseram algo e foram embora, deixando uma Célya furiosa, toda vermelha de raiva, pensando em um plano mirabolante de vingança para ser aceita a todo custo e tornar-se a nova líder do "clã". Suas seguidoras não gostavam quando isso acontecia, pois tinham de fazer esforços inúteis na tentativa de agrada-la para que esta se acalme.
Já não vejo mais Judith e Dyeiden andando sempre juntos... (será que o paraíso está ruindo?).
Mas o que vem me preocupando é a Rosely... Anda muito calada, evitando as pessoas, sempre triste e desanimada, sem brilho, chorosa e até... Evitando ser tocada. Não é do feitio isso, pois ela é muito chiclete sempre abraçada nas pessoas, carentona, rindo a toa e extremamente agitada e desastrada... Tenho até medo do que pode ser desta vez...
E quanto a mim? Bem... Eu continuo viajando pelo espelho, agora que sei como atravessar o portal, estou descobrindo mais sobre o passado, e sei que Margareth (ou eu) morreu por traição de alguém de confiança, que avisou de sua fuga... Mas ainda existem coisas que não entendo.
Já estou sentindo algo de diferente na minha relação com Fred... Sinto ele distante já faz algum tempo, mas... Como eu disse, está tudo muito quieto, apenas suspeitas.
Nas aulas, fico irritada com Dyeiden, me vigiando quando não olho para ele, mesmo que eu sinta o calor que me percorre e deixa meu rosto em fogo, mas fingindo total indiferença quando me atrevo a olhar para ele. Judith sempre fica indiferente a tudo, como se não ligasse... E Fred anda distraído ao ponto de que eu imagine se ele ainda tem interesse em mim... Se bem que eu, bom... Estou cansando dele.
Mas, foi um tempo depois, logo após eu terminar um ensaio em grupo e estar guardando meu equipamento antes de sair que Rosely entrou esbaforida, bufando, muito sufocada, com as mãos apoiadas nos joelhos, erguendo um dedo pedindo atenção para falar, mas desistindo ao baixar a cabeça para respirar novamente. Ficou assim por um tempo, até recuperar bem o fôlego, sem ter percebido que todos na sala haviam parado com o que estavam fazendo, até mesmo alguns colegas foram perguntar se ela estava bem, e um rapaz pôs a mão em seu ombro, com ela discretamente se encolhendo ao seu toque e se afastando, dizendo que estava bem, que foi apenas a pressa de vir correndo que a deixou exausta. Ela se aproximou de mim, dando tchau para os que saiam, apenas ganhando tempo. Quando fazia esse tipo de coisa, de forma equilibrada, era motivo de preocupação para mim.
- Ok, o que pode ser tão sério para essa cena que você acabou de fazer aqui? Pensei que, dessa vez, você ia ter um ataque!
- Ora, por favor, Kath querida. Eu sei que eu exagero as vezes, mas também dou as minhas bolas dentro.
- As vezes Ro? Você tá doida? Tá sempre se apresentando... - Falei ironicamente, já assustada com ela...
- Ok, esqueça. Tem algo importante e sério que você precisa ver AGORA, algo importante, que explica isso... - Ela estava com a mão apoiada no braço, e decidi segui-la, obediente e silenciosa.
Fomos andando pelo corredor, saindo e, para minha surpresa, segui Rosely até a parte de trás da arquibancada do ginásio. Aquilo estava definitivamente me assustando. O que pode ser tão sério a ponto de... AimeuDeus.
PARA TUDO!
Rosely cobriu minha boca com a mão com força para que eu não fizesse barulho, para não entregar nossa presença atrás do pilar onde estávamos escondidas. Eu estava sem ar, com os olhos arregalados, surpresa com a cena que ela me faz assistir silenciosamente.
- Não faça barulho, que eu vou pegar o celular para filmar, para termos provas posteriormente. Me desculpe não ter falado nada antes que eles seguiam se encontrando, mas você precisava ver com seus olhos. Não é justo que você esteja com o cara errado, certo? - Falava ela bem baixo no meu ouvido, para que apenas eu pudesse ouvir. Ela pegou o celular no bolso, cortou o som, agachou-se na minha frente e ficou ali por cerca de 1 minuto que, para nossa surpresa, ouvimos a conversa mais reveladora de todas!
- Nossa Frederico, seu beijo fica melhor a cada dia... Nem parece que beijar a esquisita sem-sal da monstrinha valia o esforço mas, afinal, foi bom para você treinar. Não acha?
- Ora, ora, majestade. Você me fazendo um elogio? É coisa rara... Quer dizer que treinar com ela foi bom então? - Ele sorriu, deixando meu coração totalmente partido ao perceber com o tom de brincadeira com o qual ele se refere a mim. Sem contar que ele não me defendeu da forma com a qual ela também debochou de mim, com o apelido que ela me colocou no primeiro dia. Mas é claro que viria mais por aí.
- Porque não termina logo com ela meu bem? Perdendo tempo com essa esquisita... Já não me entregou informações o suficiente sobre ela? - ... O que?...
- Você que me mandou ficar de espião, descobrindo o máximo de podres sobre ela e a família, e é isso que tenho feito até agora... Não seria o bastante?
- O bastante? Nunca é para mim! Se não fosse por ela, eu ainda estaria no topo da cadeia alimentar deste lugar, comandando tudo como faço desde que cheguei. Ela me desafiou desde o começo, e para agradecer, vou devolver o favor, expondo para todo mundo sobre as esquisitices dela e da família... - E deu uma grande gargalhada irônica com uma voz muito desafinada e roncando com o nariz.
Eles foram saindo, e Rose desligou a câmera, me puxando para perto, tomando o cuidado para que eles não me vissem.
Vou mandar para o grupo fechado das famílias pactuadas. Podemos precisar de ajuda logo. Frederico sabe muito sobre nossas famílias de "feras", assim como a Célya, que a mãe casou com um de nós... Mas os de fora sabem quase nada, e ela está querendo derrubar você com isso. Mas é efeito dominó. 80% desta escola é de crianças das famílias do pacto, as outras são só problemáticas mesmo ou o pai/mãe casou com um da nossa linhagem e teve um filho que pertence à família e que, por isso, os "normais" frequentam esta escola. Graças aos irmãos. Mas se ela fizer você cair, todos cairemos juntos. Teremos apoio.
Ela acessou uma página pelo celular e enviou o vídeo, que de membros continha o equivalente à todos que eu conhecia na cidade.
Mas minha cabeça não estava ali, estava no Fred, em suas palavras duras e na sua traição. Outra vez. Ele mentiu pra mim. Nunca gostou de mim. Começou a namorar para me usar. Não era á toa que as vezes eu sentia certa repunancia com sua presença. Ainda bem que nunca dormi com ele, ou estaria morrendo de arrependimento agora.
- Me mande o vídeo! Vou precisar mais tarde. - Dito isso, saí apressada. Tinha um termino de namoro para fazer e um carinha vigarista para expor.
Na frente da escola, cheguei a tempo de ver muita gente pegando o celular no bolso no momento em que recebiam e abriam o vídeo enviado pela Rô, incluindo eu mesma, já tendo na mão o que eu precisava para esfregar na cara dela sua automutilação. Ele veio tentando me abraçar, e eu me esquivei levemente.
 - Ei, aconteceu algo querida? Algum problema? - Perguntou, na maior cara de pau.
Comprimi os lábios com raiva, mas sabia que não estava ali sozinha para enfrentar a situação. Percebi que muitos assistiam surpresos ao vídeo, olhando para nós, ouvindo o comentário para o grupo que Rosely falou no final, ficando todos alertas e preparados ao nosso redor. Alguns, ao terminarem de assistir, se aproximaram e aguardaram, caso eu desse algum sinal.
- É engraçado você falar isso Frederico porque, sim, tem um probleminha aqui, um problema entre nós, um problema, inclusive, muito grave. - Falei, irônica, mudando meu tom para furiosa em seguida. - O grande problema que é VOCÊ, seu canalha maldito! Traidor! - Rosnei, quase sem conseguir me conter.
- Mas do que é que você está falando? - Ele deu uma risada sem graça, como se me chamasse de louca.
- Você não sabe, então, deixe que eu refresque sua memória! - Desbloqueei a tela do celular, abri o vídeo e virei a tela para ele assistir. Foi ficando pálido na medida que as imagens se desenrolavam na tela, e eu desliguei antes da parte sobre ir para o grupo. Ele não era digno disso.
- Háháháhá, é sério isso? A Rosely fez isso? É sério meu amor que você vai acreditar na montagem que aquela vaca invejosa fez? Por favor Kath... - Não deixei ele terminar. Deu um tapa tão forte no seu rosto que o deixou mudo de surpresa.
- Nunca mais fale da minha amiga desse jeito, tá me ouvindo, seu merda? Traiu minha confiança pela última vez com aquela piranha de quinta! E para sua informação, não é montagem, porque eu estava presente e assisti a sua maravilhosa performance como ator aqui, e lá! É sério, você devia ganhar um Oscar, por me enganar tão bem todo esse tempo... Mas agora chega! - E bati palmas para ele, em um silêncio mortífero nos cercando, sem graça nem beleza, só o clima pesado. - Pensou que poderia me enganar, mas eu tenho com ela algo chamado lealdade, coisa que você jamais teve comigo, e que eu quero me matar por ter tido por você. - Eu gritava pra ele, sem ligar para quem estivesse ouvindo. Eu estava dilacerada, e só queria pôr minha fúria para fora. - Nunca mais se dirija a Rosely da forma como falou aqui. E nem a mim. Acabou tudo entre nós. A partir de agora, não estamos mais namorando.
Eu me virei e ia sair, quando senti ele segurar meu pulso com toda a força, me puxando de volta. Ele estava me machucando.
- Escuta aqui, sua idiota, ninguém fala assim comigo e sai ileso... - Ele não terminou, erguendo a mão para me dar um tapa, quando Dyeiden chegou e segurou seu pulso.
- Ei, não acha que já fez o bastante Frederico? Solta ela. - Falou, muito sério.
- Não se meta, macumbeiro! - Falou Frederico, praticamente cuspindo as palavras no Dyeiden. - Vai fazer o que? - Desafiou.
- Eu? Vou deixar para o julgamento geral, afinal, as provas todas apontam para você! - Falou ele, soltando o pulso de Fred, que olhou para mim e me soltou, olhando ao redor. Várias câmeras de celular apontadas para nós, com imagens congeladas de Frederico me segurando com força, a outra mão ameaçadoramente erguida para me bater, com Dyeiden me defendendo, segurando sua mão, evitando que sobrasse para mim.
- Você ainda vai se ver comigo! - Me ameaçou ele.
- Será? Você está envolvendo muita gente nisso! Vá agora! - Eu falei, sentindo muitos alunos parados ao meu redor e atrás de mim, como uma corrente, todos com a fúria das feras borbulhando. Podia sentir todos nós conectados. Meus olhos, assim como o de todos, incluindo Dyeiden, brilhando em vermelho, como se fossemos atacar a presa da matilha, mas apenas dando um aviso de que ali todos eram família. Quando ele se afastou, todos se dispersaram, não sentindo mais o perigo, cada um tomando o caminho para casa.
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Eu achava que iria me sentir um tanto humilhada por toda a confusão pública mas, como sou eu, não foi para tanto. Apenas me incomoda o fato de ter de envolver tanta gente em assuntos particulares que só trazem problemas.
Já não bastasse o que aconteceu hoje durante a manhã, viria mais por aí...
Eu estava no ponto de ônibus dos alunos do interior, porque hoje Yoland saía mais cedo e não podia passar aqui. Foi quando Rosely veio novamente falar comigo.
- Ei, preciso falar uma coisa... - Pediu baixinho, para que só eu escutasse. Lá vem bomba.
- Precisa ser agora Rô? Não pode ser mais tarde ou amanhã, quando eu estiver com a cabeça mais fria? - Perguntei baixinho pra ela, com a menor vontade do mundo de conversar com alguém agora. Apenas queria pegar a droga do transporte, chegar em casa e me trancar no quarto antes que minha mãe descobrisse o que aconteceu hoje e viesse me cobrar.
- Eu... Preciso... Falar logo de uma vez... É... Sobre nós... Sobre o que sinto... - Ela falava cortado, muito nervosa, como se fosse a primeira vez que me encontra e não sabe o que dizer. Não sei porque mas... Não quero ouvir o quer falar.
- O que tem nós Rose? Por acaso não é minha amiga de verdade como a Judh? Fez algo do qual eu não te perdoaria? - Perguntei, chutando, para acabar o mistério. Minha cabeça estava em outro lugar.
- Não, pelo amor de Deus, não! Eu... Jamais mentiria assim para você...
- Então, o porque desse nervosismo? - Eu não olhava para ela, mas vi pelo canto do olho que o rosto dela estava tão vermelho quanto o cabelo... E ela respirou fundo, pronta para despejar...
- Achoquetoapaixonadaporvocêeporissofiqueidesejandovocêdescobriratraiçãodoseunamoradoparamedeclararporqueeueelenosodiamosporsuacausa! - Meu Deus! Pisquei algumas vezes, esperando meu cérebro traduzir o que ela tinha dito. Deveria ser uma vergonha pra ela ter falado desse jeito.
E graças ao bom Senhor, chegou o ônibus e eu subi, sendo seguida por ela, que ainda queria uma resposta para o que ela havia falado.
- Você não tem que ir pra casa? - Perguntei por ela estar me seguindo.
- O ônibus passa na frente da minha casa, caso não lembre!
Segui andando, mas senti alguém segurar a manga do meu casaco, me puxando, fazendo eu me virar. Era Dyeiden.
- O que você quer? Um obrigado por não deixar o Frederico me bater em público? Obrigada! Agora me solta! - Falei, puxando meu braço, mas ele não soltou.
- Nada disso! Eu só queria dizer que... Que eu te am... - E não terminou a frase porque, como paramos no corredor do ônibus, quando ele arrancou, perdemos o equilíbrio. Ele caiu se jogou em um banco e caiu deitado e, como não tinha me soltado, eu caí por cima dele, ouvido os gritinhos que os outros davam, mais alto que os nossos grunhidos com a queda.
- Que droga... Porque não me deixa em paz? Já não basta o que eu to passando hoje?
- Eu preciso te dizer?
- Dizer o que? - Perguntei, pulando de cima dele, esperando que sentasse, para que nos acomodássemos de forma decente nos bancos.
- Dizer que... Eu te amo! - Falou ele, emocionado, corado e tremendo.
Eu soltei uma enorme gargalhada sarcástica, demonstrando como eu não acreditava nele.
- Você? Depois de tudo o que disse e fez?
- Eu precisei! Não podia ficar com você!
- E porque será? Alguém te proibiu?
- A maldição que está na sua família, isso me proíbe, porque me atinge diretamente.
- Não me venha com essa.
- Posso provar.
- Então faça! - E ele fez.
Me puxou para seus braços e encostou nossos lábios. Aquilo nem chegava a ser beijo, pois era apenas um leve selinho, mas eu me senti nas nuvens, com o corpo quente e formigando, me encostando no banco com a moleza que senti do efeito que me causava.
- Err... Isso não é prova! - Disse, procurando forças para abrir os olhos após ele afastar-se. Podia ouvir um coro de huuuuuuuu atrás de nós.
- Espere um pouco! - Falou. E eu esperei. Fiquei surpresa e paralisada quando o vi tirar um lenço do bolso e cobrir o nariz, que agora estava deixando o lenço coberto de sangue.
Pensei em pedir ajuda, ia mesmo pedir, mas ele tocou meu braço, fez que não, me obrigando a esperar. Pouco depois, limpou o sangue, guardou o lenço, levantou a cabeça, o rosto um pouco pálido, dizendo:
- É isso que ocorre quando me aproximo demais de você e te toco. Um toque, algumas gotas de um leve corte; Um beijo, um sangramento nasal; Ter relações... Bem... Hemorragia interna até a morte! Não posso me aproximar demais até a maldição ser quebrada. - Ele explicou, e eu ainda digeria tudo e tentava acreditar no que dizia. - A maneira de quebrá-la, seria encontrando o corpo de Margareth Baumtos, que nunca foi localizado, apesar de que, sob todas as circunstâncias, tudo aponte por ainda estar na casa... Mas ninguém jamais encontrou.
Nesse tempo, o ônibus parou na frente da casa da Rosely e, quando ela foi descer, tocou meu braço e falou que falava comigo mais tarde.
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Desci do ônibus, novamente não querendo olhar para ele, que vinha atrás de mim, sem saber o que dizer. Não me conformo por ele ter demorado tanto tempo para me contar isso. Pior, escolher uma das minhas amigas para trair minha confiança somente para ficar longe de mim. É justo por eu machucar ele, mas poderia ter vindo falar sobre isso direto comigo, e não deixar a situação chegar ao ponto que chegou. Pensando assim, é até idiota esse plano dele, mas, como fez com que eu me afastasse deles por tanto tempo, apenas me deixava com raiva.
- Porque decidiu fazer assim? - Me virei bruscamente pra ele, fazendo-o parar e me olhar, surpreso. - Não podia ter resolvido tudo conversando? Tem ideia de quanto sofrimento causou? Fez eu me afastar da Judh... De você... - Fiz uma pausa. recuperando o fôlego.
- O efeito cai em você também! - Disse ele, passando as mãos pelos cabelos, trocando o peso de uma perna para a outra, claramente desconfortável em falar o que iria falar. - Eu sofro os efeito só em tocar você e qualquer coisa que eu fosse fazer com você mas... Se um dia viéssemos a ter algo mais, na hora você não sentiria nada mas... Nós dois iriamos morrer.
Eu não tinha palavras para responder a isso.
- Mas... E porque não aconteceu nada quando você estava com a Judith? - Prendi a respiração, esperando a resposta.
- Você viu como morremos na outra vida e... Minha mãe, enraivecida, jogou sobre as duas famílias a Marca de Sangue. Ela toca dois sangues, mantendo eles afastados. No momento em que eles se tocam, se misturam, incendeiam e explodem o interior dos corpos de seus donos, simplesmente congelando.
- Qual é o problema dessa família? Qual o problema delas? Qual é o problema de TODO MUNDO? - Esbravejei, depois entrei de supetão pra dentro do casarão, soltando fogo pelas ventas. - Porque temos que sofrer tudo isso? Ser obrigados a sentir essa dor? Porque eu não posso viver em paz? Se desde o início, nossos ancestrais idiotas não tivessem tanta sede por poder, não iríamos passar por tanto sofrimento; Não seriamos taxados de "esquisitos"!; Não entraríamos em guerra por causa da força... E não teria essa porcaria de maldição! - Eu estava histérica, gritando com ele na sala, minhas palavras ecoando. Sentia meu rosto queimando de raiva.
- Eu juro pra você, vamos dar um jeito! - Prometeu ele, dando um passo à frente para me alcançar, mas me esquivei, dando um para trás.
- Não prometa o que não pode cumprir! - Disse, virando e subindo correndo as escadas, com ele atrás de mim.
- KATH! KATH! - Gritou, antes de me alcançar na porta do meu quarto e antes que eu batesse a porta bem na cara dele. - Por favor, preciso que me perdoe. Eu... Eu não sabia como te afastar, e sabia que você correspondia as minhas expectativas quanto ao que eu sentia... - Ele falava, sabendo que eu estava encostada na porta, chorando e ouvindo tudo em silêncio. eu não sabia o que pensar. Parte de mim queria ouvir o que ele falava e gritar que também amava ele profundamente; A outra parte não conseguia acreditar, pelo simples fato de que ele também traíra minha confiança. Estou em um dilema. Uma escolha difícil. Como seguir amando e confiando nestas pessoas, que só me usavam, sem ligar para meus sentimentos, sem tentar me conhecer melhor, me entender...
Eu sei que pareço egoísta, mas eles foram egoístas primeiro, a vida foi. Isso me tornou forte, mas igualmente desconfiada.
- Podia simplesmente ter me dado um fora decente, além de ter me escurrassado naquela vez, no pátio! - Falei finalmente, deixando ele aparentemente sem reação, pois ficou um tempo em silêncio.
- Eu já perdi perdão! Sei que fui idiota, e que você me acha egoísta, que fiz você e as meninas passarem ridículo com aquela cena na festa...
- Ridículo é pouco! Sabe quanto tempo eu fiquei tentando me recuperar, digerindo o que eu fiz para não ter sido informada de nada daquilo?
- Eu sei. Me sinto terrível, mas entenda, eu não sabia como te afastar, ainda mais quando eu não estava mais aguentando ficar longe...
- E ainda resiste? - Perguntei, um fio de voz. Mesmo fazendo silêncio prolongado, sabia que ele tinha me ouvido.
- Na noite em que discutimos no seu quarto, em que ficamos muito próximos no seu quarto... Minha resistência quase foi para o beleléu, sentindo você embaixo de mim, o seu calor, o seu cheiro... - Ouvi uma leve batida na porta, e noite que ele encostou a cabeça na porta, suspirando, resignado. Quando percebi, a cena daquela noite dançava na minha cabeça. O corpo dele me prendendo, e o calor que emanava dele, o hálito contra meu rosto... Senti um calor repentino e toquei minhas bochechas, sentindo que eu corava violentamente ao lembrar disso. Ainda bem que ele estava do outro lado da porta e não me via naquele estado, ou eu seria obrigada a jogá-lo pela janela.
Naquele momento, entrou uma mensagem no meu celular. Não deveria ter aberto naquele momento mas, como não se tem aviso prévio para mensagem-bomba, eu abri a mensagem de texto que a Rosely enviou e, droga, precisei destrancar a porta e deixar Dyeiden entrar, com expressão surpresa, indo rápido para me segurar ao perceber que eu ia cair com o que eu li. Como não percebi que as coisas estavam chegando a este ponto? Isso não era certo, pois era confuso.
Porque eu acho isso?
- O que foi que você leu para ficar assim? - Perguntou ele, preocupado. Sem me virar para encará-lo, levantei o celular para que ele lesse com os próprio olhos, para entender. Vi com o canto do olho quando ele franziu as sobrancelhas, aparentando confusão com a mensagem, chegando a abrir e fechar a mensagem mais de uma vez, verificando o nome do remetente e o corpo da mensagem, com uma expressão já tão estranha que parecia mesmo era que ele nunca nem havia visto um celular na frente e tentava descobrir como funcionava.
- É... É isso mesmo que eu li? Estou confuso.
- Eu que o diga... Já desconfiava que ela era mas... Comigo? Não! Alguma coisa está errado com ela que eu tenho notado, isso já faz pouco mais de dois meses, e eu ignorei esperando passar mas... Agora está na hora de agir. Ela é forte, mas até onde uma pessoa pode seguir sozinha, existe limite.
- E o que pretende fazer?
- Vou conversar, descobrir o porque disso.
- Tudo bem. Se... Se precisar de algo, estou por perto.
Ele saiu, me deixando tentar decifrar o tipo de pedido de socorro que uma alma como a dela pedia com uma declaração dessas. Pois claro que não queria dizer o que dizia, pois era apenas a confusão de uma mente em perigo. Repassei de novo a mensagem.
Ñ sei cm dizer isso pra vc mas... Eu ñ pude evitar, mas estou completamente apaixonada por vc Kath. É minha melhor amiga, cuida de mim, e somos tão próximas... Preciso saber se sou correspondida.
Pra mim aquilo não era uma declaração de amor. Minha melhor amiga Rosely, que eu a muito tempo já suspeitava ser gay como seu irmão mais novo, estava se declarando para mim. Mas aquilo, vindo dela, que nunca tinha interesse por ninguém, em absoluto, porque dizia acreditar naquela paixão especial, o amor que só acontece uma vez na vida, de forma alguma podia estar apaixonada por mim, porque ela mesma já havia declarado que seu tipo era "excêntrico". Eu imaginava como seria a tal criatura excêntrica. Não tenho o menor preconceito com isso. Na verdade, não tenho o menor interesse em intervir na vida amorosa da minha amiga, quero mais é que ela seja feliz, seja com quem for. E por isso eu me preocupei seriamente com ela naquele momento. De excentricismo, o que eu tenho além da forma de me vestir e do temperamento variativo, e que estou presa em uma maldição. Isso lá é "excêntrico" para alguém como ela? Acho que não!
Manda um rápido torpedo dizendo um O q vc tá escondendo de mim? que foi logo respondido com um ñ sei o q ta querendo dizer...
Bingo! Pensei, já tendo a prova que precisava de que havia algo errado. Ela simplesmente transferiu uma necessidade dela de amor pra mim, por ser alguém que ela adora e que sabe que cuidará dela. Somente nós nos entenderíamos com esses códigos de linguagem.
Mandei pra Judh uma mensagem, meio a contragosto por ainda não ter conversado e perdoado ela, pedindo pra procura Rose e tentar fazer ela escapar um detalhe, já que ela era a melhor de nós nisso.
Uma hora depois, quando eu já tinha terminado de me arrumar para ir à cidade atrás da Rose, Judh respondeu minha mensagem com um a coisa tá preta! me deixando mais intrigada e preocupada.
Pq?
Comecei a perguntar cm estavam as coisas na casa dela, e até perguntei de forma inocente sobre o nv namo da irmã dela, e ela mal falou q achava o cara legal e q a irmã parecia feliz e... Chorou! Acho q vamos ter q espionar essa...
Gelei quando ela disse que a Rose chorou. Havia algo entre ela e o novo cunhado que ela não havia mencionado nem pra mim?
Apenas terminei de me agasalhar, achando na minha bagunça meu par de luvas de couro e minha toca, pois estava frio lá fora. No hall, calcei minhas pesadas botas modelo militar, gritei que iria até a cidade ver uma amiga e saí, sem escutar resposta ou ligando se alguém tinha escutado meu aviso.
Quando havia contornado a casa e me encolhi com o vento frio que subia do lago. Percebi passos pesados no gramado e me virei, deparando com Dyeiden ainda mais agasalhado que eu, correndo com muito esforço, roxo de frio, tentando me alcançar.
- Vou com você! Sinto que vai precisar de uma ajuda masculina! - Justificou após parar ao meu lado, oferecendo o braço, que eu aceitei. Os dois juntos conseguiriam suportar o frio e chegar mais rápido.