Eu estava um pouco tonta por conta daquela confusão no banheiro. Estava no colo de Dy quando comecei a abrir os olhos de novo, sentindo o balanço de seus braços enquanto todos corriam. Minha bochecha esquerda está ardendo bastante. Mas que droga aquela guria doida, fez um arranhão perfeito no meu rosto com aquelas unhas, que são longas e afiadas. Isso está doendo, pois o sangue ainda escorre. Pus a mão no rosto e fiquei com minha mão toda suja, quando a afastei. Notei que o balanço estava cessando e senti o soco oco nas costas, e todos pararam em um lugar com paredes altas. Eu não enchergava direito porque meus cabelos estavam no rosto, cobrindo quase completamente minha visão. Dyeiden tirou um pouco dos meus cabelos dos olhos usando as pontas dos dedos, passando-o delicadamente, me despertando novamente para o mundo real.
- Onde estamos? - Perguntei espreguiçando-me.
- Estamos perto da lanchonete, no centro da cidade. - Disse Dy, colocando-me no chão, mantendo suas mãos perto dos meus ombros, para o caso de eu acabar caindo.
- Quantas quadras fica da escola? - Perguntei, ainda zonza e confusa, procurando ter noção de localização.
- Mais ou menos umas 10 quadras. - Falou Rose, pensativa.
- O QUÊ? 10 QUADRAS? - Não conseguia acreditar que Dyeiden havia me carregado no colo por 10 quadras. Não que eu fosse pesada nem nada, apenas 50 quilos bem distribuídos, para um garoto aparentemente forte para ele não deveria ser nada, mas era longe demais, mesmo correndo.
- O que foi? Não sabia que a escola era longe do centro? Não somos a unica escola da cidade, sabia disso? - Brincou Judith, fazendo pose de sabichona para provar superioridade comigo.
- Eu sei disso, mas não fomos pouco um longe demais para uma confusão como aquela? Ainda que minha mãe havia comentado que o escritório que ela trabalha é bem perto da lanchonete.
- O quanto exatamente? - Perguntou Rose.
- Mais ou menos? Eu acho que estamos atrás dele. - Disse Dyeiden, apontando para um prédio, que dava para os fundos do beco, no qual nos encontrávamos escondidos.
- Porque é que viemos nos esconder aqui? - Perguntei, ficando irritada.
- Porque foi o melhor lugar que encontramos em 3 quadras e meia, um beco fechado sem lixo para todos os lados. - Justificou Dyeiden.
- Para de dar chilique como uma patricinha Kath! - Disse Judith, aproximando-se e me dando um tapa no rosto, do lado menos machucado. Aquilo me encheu de raiva.
- Qual é a tua, guria? Ta querendo briga de novo?
- Você anda muito chorona! Nem parece aquela garota fechada e que se defendia bem que conheci alguns dias atrás.
- Então vem aqui, que mostro como sei brigar bem. - Disse, mostrando meus punhos para ela.
- Perda de tempo! Não vou brigar com você, está toda machucada. - Disse Judith, apontando para meu rosto sujo e todo marcado.
- Gurias, por favor! Parem com essas provocações! - Pedia Rose, as mãos levantadas perto do rosto, com medo de começar ali outra briga e sobrar para ela.
- Tá legal, chega! Vamos indo, temos "coisas" a fazer! - Disse Dyeiden, virando e saindo para a rua.
- O que seriam essas coisas? - Perguntei, chateada por ser cortada e tratada daquela maneira, como uma verdadeira idiota.
- Você vai ver Kath, mas acalme-se um pouco, ok? Não dá pra conversar com você irritada dessa maneira! - Dyeiden me jogou aquela verdade na cara, com um sorriso doce e irônico ao mesmo tempo. Não percebi antes o quanto aquela megera tinha feito eu sair fora de mim novamente, mas, eu podia orgulhar-me pelo menos de uma única coisa, que era a de ter brigado sem desmaiar, perder o controle ou ficar esquisita novamente.
Eu os segui por quase duas quadras, passando por uma biblioteca municipal, uma quadra de futebol, uma lan house e, finalmente, chegamos em outra lanchonete. Não sei porque todos foram lá, somente que eu deveria segui-los. Entramos e nos sentamos em uma mesa no fundo, para termos privacidade para conversar. Pedimos sanduíches e sucos. Enquanto esperávamos, fui fazendo algumas perguntas as minhas colegas para conhecê-las melhor.
- Vamos Rose, me conte um pouco sobre você... Sobre mim, vocês já devem saber o bastante!
- Está bem Kath... É bom você ir nos conhecendo mesmo, para saber que talvez não sejamos tão diferentes de você, afinal! - Rebateu Rose, encolhendo-se no assento, como se estivesse com medo de algo.
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- Bom, vejamos. Eu sou a 2º filha de uma família de 4 filhos, 2 gurias mais velhas e 2 piazinhos. Tenho minha irmã, Carol, de 19 anos, eu de 15, Jev de 10 e Chris de 7. Eu gosto de música, artes, não sou muito chegada a esportes e nem me chame para baladas, mas se tiver um rodeio, pode apostar que eu vou ir assistir. Minha irmã trabalha com o papai no escritório de contabilidade dele, eu somente estudo e ajudo minha mãe em casa e ajudo ela a controlar o moleque do Jev, que não tem um único dia que não quebra algo em casa. Nesse momento, ele deve estar assistindo TV e derramando o leite com nescau no sofá, que mamãe acabou de arrumar... - Disse, enquanto olhava no relógio digital da tela do celular, que marcava 9:30 da manhã. - Meu irmão Chris, por incrível que parece, não tem nada de parecido com Jev. Super calmo, realmente tranquilo, faz suas tarefas sem se queichar, conversa com as pessoas de modo a compreendê-las... Acho que ele tem vocação para psicólogo. Mas... - Ela encolheu-se, olhando as mãos com uma mistura de medo e apreensão - Papai acha que o "jeito" dele é muito fresco - Disse, dando enfase a palavra fresco com a voz mais fina e dobrando a mão como as donzelas fariam antigamente - Que não é jeito de um menino se comportar normalmente. Só porque ele tem um jeito um pouco delicado, isso pode não significar nada, não é? - Ela olhou para cada um de nós, com o olhar um pouco desesperado - É, isso pode não ser nada. Meu pai é doido! Outro dia, quando Jev derrubou um copo grande de vidro cheio de achocolatado no chão, o Chris gritou " deixa que eu limpo". Pegou um pano, se ajoelhou ao lado da bagunça e foi limpar. Só porque meu irmão fez alguns gestos um pouco "leves", meu pai levantou ele pelo colarinho, tirou a cinta e deu uma surra no meu irmão, na frente de todos, gritando que ele deveria virar homem de uma vez, que aquelas manias eram femininas e que ele era um viadinho... - Rose ficou em silêncio por alguns segundos, respirando fundo para conter as lágrimas - Carol agarrou a cinta dele com uma mão e o braço dele com a outra, falando para ele se acalmar e deixar meu irmão ir para o quarto, se colocando entre os dois para proteger Chris, mas papai estava tão furioso que a jogou contra a estante da TV e ela caiu por cima da mesinha de centro que é vidro. Já dá pra saber o que aconteceu com ela, não é? E meu irmão que estava caído no chão apoiado nos cotovelos, chorava em silêncio, morrendo de medo de chorar alto e a surra ficar ainda pior. Eu podia ver os olhinhos dele brilhando de um medo profundo que doía no meu coração. Eu corri e me joguei em cima dele para protegê-lo. Ele agiu como um verdadeiro homem, me dizendo que não tinha o porque de eu o proteger, pois, se ele havia feito algo errado, deveria receber sua punição como o pai escolhia. - Ela baixou a cabeça com as lágrimas escorrendo dos olhos, com a dor que a lembrança lhe trazia - Nunca vou esquecer de como meu irmão foi corajoso e ingênuo naquele dia, pois acreditava ter feito algo errado e por isso estava recebendo uma punição, quando, na verdade, papai estava batendo nele por medo de seu medo virar realidade. Ter um filho gay! Ele tem um preconceito terrível, sempre ouvíamos ele falando "aqueles viados nojentos poluem o nosso mundo" e todo o tipo de barbaridades possíveis, mas ninguém lhe dava atenção, pois ele apenas falava em ambiente familiar, sem muita convicção, nunca havia tentado fazer nada contra ninguém... Mas mudou drasticamente seu comportamento naquela manhã. Ele foi tão cruel, que minha mãe, que não aguentava mais aquela violência contra nós, parou na frente dele com os braços abertos e gritou para ele "se você quiser machucar meus filhos novamente, vai ter que passar por cima de mim e de meu cadáver, o que sei que você não ousaria fazer." Ele pareceu se acalmar, arrumou a roupa e saiu para a rua... Jamais pediu desculpas ao Chris, o que dói em toda a nossa família até hoje. - Ela havia secado as lágrimas e parou de chorar, sentindo-se melhor por terminar com a história, parecendo tirar um grande peso dos ombros.
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- E como é que a sua família tá agora? E o Chris? - Perguntei devagar, preocupada com ela.
- Estão todos bem, quero dizer, não como antes, mas papai não surtou novamente! Ele só não gosta quando meu irmãozinho age daquela maneira, ele... Ele o ignora nesses momentos. - Falou com o olhar um tanto perdido e os olhos vazios.
- Entendo! Sinto muito por isso! - Disse sinceramente, e ela apenas deu um aceno de cabeça.
- Judith! - Eu disse, olhando-a de canto para que entendesse o que eu queria dizer.
- O que? Não! Eu não vou falar moleca! O que é que você quer saber da minha vida, hein? Não tem nada de interessante! - Judith inventava desculpas para conseguir fugir do assunto, mas eu sempre fui insistente.
- Ora, vamos Judi... De mim você não escapa! - Disse, fazendo uma cara de medonha para ela.
- Não, não vai me convencer, sua doida! - Rebateu, de forma infantil.
- Vai logo! Ou eu vou descobrir pelos outros, e garanto que ninguém vai me contar a verdade sem adicionar uma pitada de exagero inventado, para a história ser mais emocionante. - Falei, piscado para ela e aproximando o polegar e indicador, formando um pequeno espaço, simbolizando quantidade para ela.
- Sua camaleoa com peitos e lápis de olho irritante!
- Nossa, de onde foi que tirou essas palavras tão inspiradoras? - Perguntei com ironia.
- São algumas manias da minha irmã mais velha! Ela inventa palavras!
- Sei! Me conte mais... Quem sabe eu possa contar um pouco sobre mim... - Falei, tentando parecer distraída, para deixá-la mais interessada em se abrir comigo.
- Oras, você sabe mesmo negociar guria atrevida! Muito bem, combinado então! Eu conto sobre mim e você nos conta em detalhes sobre você! - Falou maliciosa, com os olhos brilhando.
- Fechado! - Estendi a mão apertando a dela, fazendo o trato, sem muita convicção, para ser bem sincera.
- Então, vamos começar! - Disse ela.
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- Eu venho de Porto Alegre, moro aqui desde os 10 anos, tenho uma irmã mais velha de 18 anos chamada Rebeca e uma mais nova chamada Amélya, de 12. Meu pai trabalha com a empresa de cosméticos da cidade e minha mãe é uma das melhores vendedoras daqui. Minha irmã mais nova é muito tímida, quieta... As vezes penso que ela foi adotada quando eu era criança ou trocada na maternidade, porque aquilo é uma lesma... - Disse, a cabeça bem longe com o pensamento - Beca já é muito diferente, é muito agitada, extrovertida, vai a todos os bailes, festas e boates que saem aqui e sempre se torna o centro das atenções, 1 - Porque ela dança muito e 2 - Porque faz unas cocitas lá que, bem... Chamam atenção demasiada somente para ela. Se for em uma festa que ela estiver, não espere para ser o centro das atenções, porque nunca conseguirá! - Avisou - Eu as vezes fico constrangida perto dela, está certo que sou agitada e tudo o mais, adoro ver uma confusão... Mas nada se compara a minha irmã! Era para eu ter um irmão mais novo, Diones, mas ele morreu afogado na piscina dos meus avós com 3 anos, quando estávamos brincando e quando entramos para assistir TV, ninguém notou que ele não havia entrado e só o vimos quando caiu na piscina e parou de se mexer. A mãe de Rose é enfermeira e a família dela havia ido lá em casa para passarmos o domingo juntos, afinal, tínhamos quase todos a mesma idade e a irmã dela é super amiga da minha. Ela ainda tentou fazer massagem cardíaca e tudo no meu irmão, mamãe histérica chamando a ambulância e nós, as crianças, trancadas dentro de casa para não atrapalharmos e desesperarmos os adultos. Depois disso, nem preciso contar, é claro. Minha família também nunca mais foi a mesma, tudo ficou mais complicado, minha irmã era mais tranquila, mas de uns tempos para cá... Eu achei maconha escondida no armário dela e sob o colchão dela. E... Ela tem saído a noite e deixado avisado que vai voltar tarde. Só eu vejo, ela sai com um sobretudo comprido, até no calor, faz meses, e por baixo sai com lingeries das mais escandalosas que existem. Minha suspeita vem a partir daí, porque ela não tem um namorado. Eu sei porque mecho nas roupas dela, sem tem um perfume masculino diferente. Nada de uma número especial no celular... São vários. E as roupas? Uma lingerie mais espalhafatosa que a outra, que todos os tamanhos e tipos de enfeites imaginados. Até de seda tinha uma outra dia, quando fui mexer depois dela sair... No início não acreditei, mas a conta bancária dela está a cada dia com o saldo mais alto, em um dia tem R$3.000,00 e no outro já tem somente R$400,00, e sei que não é somente em lingeries que ela gasta o dinheiro... Minha irmãzinha outro dia quase descobriu o segredo dela, mas tive que obrigá-la a esquecer, afinal, é para nossa proteção e para não magoar mamãe e papai, que dão um duro danado trabalhando por nós três. Por incrível que pareça, já fui parar sim em um reformatório e, por muito pouco, quase levo Amélya comigo, porque, em uma noite que precise ir atrás da minha irmã, encontrei ela em um cabaré de baixo escalão, dançando para um homem grandão e uma mulher muito pequena. Quando entrei lá, no reservado em que eles se encontravam, minha irmã tentou me fazer ir embora. Eles não reparam nesses lugares se entra uma criança pequena, pois muitas daquelas mulheres tem filhos dos clientes e, depois dos 4 anos, as crianças ajudam servindo bebidas e levando os pedidos aos reservados. Sendo assim, estão protegidas contra qualquer outro tipo de coisa. Quando ela me levou para fora, eu disse que não iria embora porque precisava dela, e o casal veio atrás de nós reclamando por ela ter parado a dança para expulsar uma criança de lá. Ela disse que logo voltaria e que estava resolvendo um problema com a irmã, mas o homem puxou-a com força pelo pulso, levando ela para dentro, a mulher seguindo-os. Quando ela foi se soltar, o homem sacou uma arma e iria atirar nela, mas eu entrei no meio deles e tomei a arma da mão dele, e me afastei, apontando para os dois. Quando o homem jogou minha irmã contra um sofá e vinha para ciam de mim, ameaçando me dar uma surra por interferir na diversão deles. Eu dei o 1º disparo. Nem sei como foi que fiz isso, só sei que fiz... A mulher ficou assustada e o homem surpreso, com o antebraço escorrendo sangue. Foi um ferimento superficial, eu sei disso, porque foi bem acima da pele, pegou de raspão. - Dizia Judith, enquanto mostrava o local do ferimento. - Quando a mulher se aproximou de mim, dizia baixo e calmamente para que eu ficasse tranquila, que não iriam fazer nada comigo, que sairíamos dali sem nenhum arranhão... É claro que eu sabia que isso era mentira. É como aquele livro, a fuga do mundo submerso ou algo assim, ele sempre mentem para te enganar e correr a tua alma, sem pudor, dó nem piedade. Mas eu tremia, tremia de medo, surpresa, pavor, raiva... Enfim, eu só tinha 11 anos e já estava conhecendo várias coisas cruéis de uma única vez, o que não é nada bom. Eu apenas dei um sorrisinho para ela e falei " Você nunca vai conseguir enganar essa garotinha aqui" e... - Ela soltou um risinho meio satisfeito, meio espantado com o que fez em seguida - Eu disparei de novo, para aquela desgraçada calar a boca. Aquela mulher desgraçada estava tentando me dizer o que fazer, mesmo eu estando com uma arma na mão apontando para ela e o marido dela. Nem meus pais nunca me disseram o que fazer. Eu estava tentando proteger minha irmã deles e dela mesma, e aquela desgraçada riquinha metida a besta estava tentando me dizer o que fazer. Eu fiquei com certo ódio daqueles dois e, cometi meu 1º assassinato com apenas 11 anos. Eu disparei duas vezes contra ela, uma no meio do peito e outra no meio da testa, acertando em cheio o coração e o cérebro dela. Ela caiu dura no chão. Ele foi tentar vir me tomar a arma de novo. Eu acabei gritando, gritei muito alto disparei as últimas 3 balas contra ele, mas nem parei para pensar onde tinha disparado, apenas joguei a arma fora, peguei minha irmã e tentei como pude arrastar ela de lá. A esta altura já tínhamos uma bela plateia no local. Alguém havia também chamado a polícia e o conselho tutelar, porque eles estavam na porta esperando nós duas. Depois disso, nossa vida só virou um inferno!
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- Sua vez Kath! - Disse ela, depois de contar um pouco da sua história, suspirando e sem uma única lágrima nos olhos, o que mostrava que ela não tinha arrependimentos por tudo o que fizera, somente o ressentimento que todos dividíamos - O de estarmos vivos ali, com a vida uma bagunça em alguns pontos - E um brilho de curiosidade estava em seus olhos, curiosa para saber sobre a minha vida.
- Mas que droga, porque fazem isso comigo? - Eu disse, cruzando os braços e virando olhar para a rua, que tinha o trânsito tranquilo. Nesse momento, a garçonete chegou com os nossos lanches e, ficamos todos surpresos, quando olhamos para ela e ela não parava de olhar diretamente para mim, espantada. Todos olharam do meu rosto espantado para o dela, igualmente curiosos. Eu também os olhei com curiosidade. Quando ela notou que todos a olhavam tentando entender o que ela tanto olhava para mim, Judith perguntou, com uma voz entre ameaçadora e curiosa:
- Podemos ajudar você com alguma coisa? Ou está apenas procurando algo de errado na nossa cara? - Falou, a pontando para o próprio rosto que, sempre pálido, estava ficando vermelho de raiva. A garçonete apenas apertou a bandeja larga contra o peito com as duas mãos, abaixou a cabeça e voltou para suas tarefas.
- Qual o problema dessa guria? Não sabe que é feio ficar encarando uma pessoa daquela maneira sem dizer nada? Parecia que ela estava vendo um fantasma no lugar da Kathlyn e paralisou! - Dizia Judith, que perplexa com a atitude nada modesta e educada da garçonete.
- Talvez eu saiba o que é! - Disse Rose para mim, tirando uma espelhinho da bolsa e o entregando para mim. Eu olhei no espelhinho e, por um breve momento, parecia estar com pouca maquiagem, os cabelos sem tintura colorida e uma tiarinha... Foi só como um reflexo, pois, quando olhei melhor, eu estava com o olho direito ficando roxo em baixo, um galo na testa e três horríveis arranhões no rosto... Parecia uma verdadeira bruxa! Não surpreende a garçonete ter ficado tão espantada olhando para mim.
Me encolhi um pouco no assento e, com certa decepção, falei:
- Porque foi que vocês não me avisaram antes que eu estava parecendo satanás de saias? - Indaguei, indignada.
- Pensei que você soubesse! - Ignorou Judith, pegando o suco e tomando, recostada no assento. - Você havia olhado no espelho depois dos arranhões, pelo que percebi, depois que eu derrubei aquela garota metida.
- Eu olhei, mas devia estar com a visão embraçada, porque não estava tão ruim assim... - Me defendi, envergonhada porque não olhei direito no espelho antes.
- Ok! Deixa pra lá, depois eu te empresto um pouco de maquiagem que eu tenho em casa, ta legal? - Ofereceu Judith. Eu fiz que sim com a cabeça, agradecida por eles estarem comigo para me ajudar. - Mas, antes disso, eu quero ouvir a sua história, Kathlyn.
- Ei! Eu prometi que contaria, não prometi? Tenha paciência, até porque... - Bebi um gole do meu suco antes de falar - Eu quero ouvir um pouco da história do Dy. Até hoje não sei quase nada dele. - Falei, fazendo carinha de anjo e biquinho, para convencê-lo a falar.
- Essa carinha de anjo, não me engana Kath! - Falou, segurando meu queixo, me fazendo mudar o olhar angelical que tive esforço para fazer para uma carranca muito feia.
- Seu estraga prazeres! Na próxima, eu brigo com você! Agora, conta logo!
- Ok! Ok!
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- Meus tataravós vieram de Portugal mais ou menos em 1870 e foram trazidos para o Rio Grande do Sul junto com meus Bisavós e se instalaram aqui na cidade. Logo eles foram chamados para trabalharem para uma família muito rica na região, e ali formaram raízes. Vinham de famílias que antigamente teriam o sangue cigano, como muitos chamariam aqui, e feiticeiros naturais na Europa. O Senhor que os contratou gostava muito da proteção que eles faziam para a casa e para a família, física e psicológica, eu ficava muito satisfeito, recompensando-os generosamente. Eles receberam uma cabaninha na beira do lado do rancho e ficaram satisfeitos por terem um pouco de terras para plantar. Ficaram felizes aqui. Os filhos mais jovens faziam companhia para os filhos dos senhores, tornando-se seus melhores amigos, conselheiros, espiões e principais serviçais de confiança. A filha mais jovem ficava como dama de companhia da filha do patrão, o filho mais jovem era o mordomo principal da garota. Os dois tinham a tarefa de fazer todas as vontades da jovem mestra deles... As vezes até demais, pois ela gostava de se aventurar de vez em quando. A filha mais velha era a empregada que cuidava de tudo na casa, pois era muito eficiente e super organizada, e o mais velho era o melhor amigo e mordomo do filho mais velho, e ajudante de seu pai também. Houve momentos naquela casa em que se parecia com um conto de fadas, pois tudo era como um sonho real, belo e encantador. Outros era pior que morar em um hospício. Mas eles sempre foram tolerantes com os patrões e sabiam seus lugares. A filha mais velha casou-se com um jovem vendedor de mercadorias e foi morar um pouco mais próxima da cidade, tendo seus filhos e os criando lá. Um de seus filhos cresceu e quis voltar a morar aqui, vindo a casar-se com uma das filhas de um fazendeiro das redondezas. A menina mais velha que nasceu dessa união apaixonou-se e casou com o filho mais velho do filho do jovem mestre da casa de onde sua família se originou ali. Também vieram a ter um filho com pouco de tempo de casamento, foram morar um tempo na Europa para o tratamento da família e depois voltaram. Todas essas coisas ocorreram em apenas 40 anos. Um dos outros criados, a filha mais jovem, serviçal da jovem mestra, casou-se com o jardineiro da mansão, tiveram um filho muitos anos depois, quando estavam quase com 40, e eles eram meus pais. Na época de de dama de companhia, minha mãe tinha 12 anos, foi assim até 16, casou-se, mas eu fui nascer quando ela já estava quase com 40. E no caso, eu sou seu protetor aqui, ou como eles chamavam aqui antigamente, seu fiel servidor, o mordomo. O rapaz que faz todas as vontades da jovem mestra da mansão, mas sempre sabendo seu lugar.
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Logo após sairmos da lanchonete, fomos direto para a casa da Judith, porque eu precisava de muita, mas muita maquiagem mesmo, e com toda a certeza ela teria, pois fazia diversos tipos de pinturas e inventada maquiagens incríveis. E eu estava horrível! Consegui convencer todos a me conhecerem melhor outra hora. Então ganhei tempo para formular uma boa história.
- Não liguem se virem algo estranho ou fora do comum aqui, pois minha família não é muito... Tradicional, digamos assim! - Avisou Judith, ficando muito séria e com ar melancólico.
- Porque diz isso, sua maloqueira? - Perguntei, querendo deixá-la em uma saia justa.
- Minha irmã deve estar em casa agora... Preparar para o combate! - Brincou, falando mais para si mesma.
- Tá zoando né? O que quer dizer? - Fiquei olhando sua nuca, esperando resposta, mas a resposta apareceu na porta da casa...
- Olá para todos, muito bom dia! - Apareceu na porta a irmã de Judith, Rebeca, estendendo os braços no portal e nos cumprimentando de forma muito alegre, com apenas uma bermuda muito, muito curta, que mostrada inteira suas coxas e um pouco mais, que mais parecia um calcinha e um top preto aberto que fazia o perfeito contorno de seu peito, o qual não cobria mais nada.
-Não deveriam estar na escola agora? O que você fez desta vez para vir escolta para casa antes de acabar o horário escolar outra vez? - Perguntou a Judith, aproximando-se, colocando as mãos na cintura. Judith a olhou e entrou. Pude perceber o porque, e não fiquei quieta.
- Oi Rose querida, olá Dyeiden, como estão? E você deve ser a Kath, não é? Vi você na lista telefônica da minha irmãzinha... - Eu apenas a olhei da cabeça aos pés, demonstrando minha desaprovação, e falei com tom desdenhoso: - Você não sabe mesmo se vestir mais decentemente? Depois não sabe porque Judith a ignorou! - Falei e passei direto por ela. Não estava de bom humor!
- O que aconteceu com ela? Parece minha irmã... E aquele rosto? Parece que se envolveu em uma briga...
- E se envolveu! Foi a maior confusão! - Disse Rose, que estava entrando.
- Toma! Aqui tem base, pó compacto ou qualquer outra coisa que você queira passar nessa cara... Que tá horrível! - Disse Judith.
- Está bom, obrigada! - Agradeci, indo para o espelho e passando todos aqueles produtos para cobrir aquela marca, pois, se eu chegasse em casa com AQUILO TUDO aparecendo, minha mãe iria charopear até dizer chega!
- Vamos comer um lanche, meus amores! Vou fazer torradas e sucos do que vocês quiserem...
- Já comemos na lanchonete! - Disse Judith rapidamente, cortando Rebeca.
- Ok então! Fiquem a vontade! Mas me avisem se forem sair! - Falou Rebeca, enquanto saia do quarto sem se abalar com o que a irmã dizia.
- Que mala! - Reclamou Judith.
- Me pareceu bem legal na verdade... Só meio exagerada! - Falei, sem contrariá-la muito.
- Meio? MEIO? Kath, ela aprendeu com o tempo a ser super falsa! Isso nunca foi ela na verdade! Minha irmã era tranquila e não ignorava o que acontecia! Agora é essa aérea que finge estar feliz perto dos outros, mas está em uma depressão terrível por não ter dinheiro para comprar drogas e não deixar que ninguém a ajude. - Ficou com uma expressão muito triste de repente, com um brilho genuíno de perda no olhar, que mudou rápido ao notar que eu a observava, e foi logo soltando as patas de novo. - Tá olhando o que? Não deveria estar cobrindo essa carinha de boneca de porcelana quebrada, meu bem? - Falou com certa ironia e raiva na voz, fazendo um bico, mas mudou quando notou que eu e Rose a olhávamos apreensivas, sem saber a reação certa para o cataclismo. - O que foi? Parece que estou assustando vocês! Estou mesmo? - Ela cruzou os braços, rindo. Um sorriso arrebatador e sedutor, apenas para diminuir a tenção e mostrar que estava divertindo-se com a situação.
- Err... A gente pode ir agora? Eu tenho tarefas para fazer... - Disse Rose, com a voz fraca, ainda tomada pela apreensão sobre a reação certa.
- Que tipo de tarefas? - Perguntou Judith, chegando perto e com um tom muito desconfiado.
- Os deveres então, já que você tem tanta dificuldade em entender o que digo! - Levantou-se, parecendo furiosa. Mas não estava. Sua mão tremia de pavor e o que parecia raiva por sua falta de controle e coragem.
- Se quiser, eu posso te ajudar! - Falei, ignorando as duas se encarando como duas rivais. Fiquei entre as duas, de costas para Judi e de frente para Rose.
- Pode me ajudar? As tarefas de matemática e história estão difíceis para mim! Podem dizer que as loiras é que são burras, mas cor do cabelo não define nada! Eu sou ruiva e meu cérebro não funciona bem! - Justificou-se ela.
- Tudo bem, eu consegui entender bem as tarefas! Não se preocupe, eu vou ficar calma para te explicar! - Rose concordou e as duas foram sentar na cozinha, mas nem assim teriam muita privacidade. Rebeca estava dançando na sala de forma muito estranha, o que chamou a atenção de todos lá dentro. Quando resolveram ignorá-la, Rose perguntou de forma rápida, para não perder a coragem, pois era muito tímida as vezes: - Kath, está doendo? - Ela apontou para a bochecha de Kath, que agora tinha apenas uma marquinha pequena, onde antes eram grandes marcas de unha. - Não, não está doendo mais! - Respondeu Kath, com um sorriso amistoso, o que tranquilizou Rose e as permitiu concentrar-se para os estudos.
- Como são difíceis esses trabalhos. Caramba! Eu não sei mesmo fazer aquelas transformações nas contas! E a redação? Como é que eu vou saber onde se deve ser pontuado se é a tarefa da professora fazer isso? - Perguntava Rose, em sua total ingenuidade e falta de atenção em algumas matérias.
- Você aprende com o tempo! Eu também custei um pouco para aprender essas coisas! - Falei para encorajá-la, mesmo que não fosse bem verdade.
- Sei... Você é um gênio, como poderia demorar para aprender? - Perguntou, um pouco desconfiada com o meu argumento.
- Err... Vamos para a escola. Eu quero fazer o teste para a banda da escola e soube por Judith que eles fazem testes separados de performance para quem não teve tempo de ir no horário. Acho isso ótimo! - Falou Kath rapidamente, fugindo do assunto.
O Encontredetudo falaria sobre diversos assuntos. Mas hoje ele é palco da publicação da história criada por mim (Ingridy Fontana) chamado Pass X Fure! Aceito comentários e sugestões!
Lista de Músicas
sexta-feira, 5 de setembro de 2014
sexta-feira, 20 de junho de 2014
Pass X Fure Capítulo 6: Briga de banheiro
- Não sei o que pensar, tenho medo. Todos me odeiam. Me sinto perdida. É um tiro no escuro tentar sair deste inferno. Todos morrem, ninguém escapa. As pessoas são más. Não se pode confiar em ninguém, por mais que esta lhe pareça de confiança, pode apenas estar te usando para tirar vantagens por si mesma. Ninguém confia em ninguém. Nem poderia. É um lugar de pecado e crueldade, onde apenas o mais rápido, esperto e menos suscetível aos jogos perigosos sobrevive bem. Não se pode parar de correr, não se pode parar de fugir, ainda mais sendo uma garota frágil, bela e indefesa como eu. Eles gostam de garotas assim aqui. Elas são delicadas iguais as bonequinhas de porcelana. Belas e imaculadas... Até chegarem aqui. Ninguém sobrevive mais que 10 anos neste mundo frio e cruel, que suga toda sua alma até não restar mais nada. Inocência? Isso não existe aqui no instante em que chega. Pureza? É de 2 quadras adiante daqui. Amor? Paixões proibidas carnalmente acontecem aqui o tempo todo. Mas o verdadeiro, só se encontra do outro lado. Cheguei aqui mais ou menos a uma semana, estou escondida em uma casa velha a 3 dias. Não fui tocada por nenhum daqueles homens imundos, nem encontrada por nenhuma cafetina, por sorte. Mas minha sorte pode mudar se eu não me cuidar. Quando encontrei esta casa fugindo de alguns seguranças de uma cafetina, que me conhece apenas por nome, encontrei este lugar e me escondi. Conheci um rapaz da minha idade, Ken, que disse que eu poderia confiar nele, mas desconfio disso, pois ele pode tirar vantagem do mínimo de que seja de mim, se eu for inocente. O pior de tudo é que acho, talvez, que eu esteja apaixonada por ele. É forte, belo, um pouco egoísta, mas quem não é aqui? Tem os olhos verdes mais lindos que já vi na minha vida inteira. Estou encantada, mas, até que possamos voltar ao mundo real, ou melhor, para a superfície, além deste tormento, não posso demonstrar meus sentimentos. Sei que ele sente o mesmo, pois ele fica diferente quando está comigo, parece perdido nele mesmo e fica com o rosto rubro. É impossível que ele goste de alguém aqui, pois somos todos crianças, ele é o mais velho, cuida de 2 irmãs que foram trazidas para cá. Só mesmo se apaixonando pela mulher que cuida de nós. (Escondida, é claro). Mas não me parece muito provável, pois ele parece ter um foco próprio, que é tirar todos daqui em segurança, antes que seja tarde demais para alguém.
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- Onde eu estava com a cabeça quando resolvi ler este livro A fuga do mundo submerso? É chato demais.
- Eu avisei pra você que o livro era uma droga, mas você escuta alguém Kathlyn? É claro que não! Você nunca escuta, nem mesmo o Dyeiden Hel você escuta mais. Sabe qual me parece o seu problema? - Kath fez que não com a cabeça, apenas esperando o que ela diria - Que você está apaixonada pelo garoto que é seu guardião e não que admitir. Você parece nem ligar mais nem para o Frederico! Se não me disser logo, vou ficar preocupada com você. Eu odeio me preocupar com os outros.
- Meu guardião? De onde você tirou essa ideia? Ele não é meu... - Ela parou, pensativa - Agora que você diz... Ele sempre está onde eu preciso, certo? Então, o que eu faço, Rousely?
Ajeitando os óculos, ela levantou a cabeça e disse:
- Vai logo atrás dele, idiota! Ou como é que você espera que o garoto que mora na sua casa descubra que você gosta dele, mesmo ele sendo seu guardião?
- Está certo, eu vou! - Disse Kath, levantando da mesa do pátio e mostrando sua determinação.
- Você sonha com ele?
- O quê? Rouse, que pergunta é essa agora? É claro que sonho.
- Então é amor!
- Eu até posso me apaixonar, isso é certo! Mas, amor? Eca, isso não! Não é para mim!
- É para qualquer um. Agora, vai lá e fala com ele, antes que termine o intervalo! - Disse Rouse, segurando Kath pelos ombros e virando ela, para ir na direção de onde Dyeiden estava sentado.
Ao se aproximar, notou que Dyeiden estava lendo um livro de mensagens, pois estava de costas para ela, que conseguiu ler um trecho: Com coragem e determinação, você pode mudar tudo em sua vida e no seu passado! - E parou para pensar que aquilo lhe fazia ter nostalgias.
Notando sua presença, Dyeiden virou para ela e, com um sorriso, perguntou:
- Você está bem, querida Kath?
- Sempre tão amável comigo... - Pensou, e ficou corada.
Ele levantou, pôs a mão em sua testa. - Não está com febre! Porque está toda vermelha!
Respirou fundo e, então, começou a enrolar, para tomar coragem.
- Dy, já faz um tempo que nos conhecemos, você está sempre perto de mim quando preciso, é tão atencioso e prestativo que nem sei o que dizer. Me sinto mal por não poder ser mais legal com você por isso. Eu... Eu tenho medo de tudo, mas não gosto de admitir. Você parece me conhecer tão bem e, no entanto, eu mal conheço você, mas quero que isso mude e... Espero que possa ser hoje. Não sei como dizer isso sem soar estranho ou constrangedor para ambos os lados. Não sei qual será sua reação mas, a verdade é que, eu... - Ela sentou ao lado dele e virou o rosto, ficando mais próxima e, mais vermelha do que já estava. - Eu... Acho que estou apaixonada por vo... - Ele colocou o indicador nos lábios dela. - Shhh... Não precisa falar nada, Kath. Eu já sei.
- Já sabe? - Ela falou, com uma certa esperança da resposta dele.
- Sim. E a minha resposta é não! - Falou, com uma tranquilidade de quem olhava crianças brincando no parque.
- O-o que? O que você disse, Dyeiden? - Perguntou ela, com um fio de voz.
- Eu disse, que não! Não quero namorar com você, sua idiota!
- O que foi que deu em você, seu egoísta? Pensei que você fosse diferente do Fred. - Levantou, gritando com ele.
Levantando, ele respondeu:
- Bem, acontece que eu não sou. E sabe o porque de o Frederico nunca nem ao menos ter notado uma única vez sua paixão por ele? Porque ele te acha uma garotinha idiota, ridícula, que só usa roupas estranhas para tentar cobrir o que sente, mas deixa tudo ainda mais aparente. Que briga com as pessoas porque briga com si mesma. Os garotos gostam de garotas com atitude, que tem uma certa alegria. E que esse mistério seja algo bom nelas, e não ruim. - Fez uma pausa, antes de dizer: - Você não tem o costume de ir atrás do ginásio durante os intervalos, não é?
Kath ficou pensando no que aquilo queria dizer, e recebeu outra resposta:
- Sabia que seu querido Fred e que sua odiada Célya se encontram atrás do ginásio durante os intervalos? Que ele não lhe dá a mínima, mas que pega até ela?
- Está mentindo! Você está mentindo! Fala isso para que eu fique com mais raiva ainda de você e dele também. Ele não seria idiota de trair minha confiança e destruir nossa amizade por causa daquela vaca! - Disse, quase sem convicção em suas próprias palavras.
- Então vá verificar e, depois, venha me dizer o que achou! - Disse ele, com um tom desdenhoso, de forma que nunca havia falado antes.
Voltou para perto de Rouse e, antes que a garota perguntasse algo, ela disse:
- Vá atrás do ginásio e veja se Fred está lá e, se estiver, me traga uma fotografia do que ele está fazendo.
Surpresa com a ordem de Kath, ela perguntou:
- Mas o que ele tem?
- Apenas faça isso!
Rouse foi, em silêncio, enquanto Kath encontrava Judith para perguntar sobre os horários de testes musicais da escola.
- É sexta, no intervalo! Mas, rocket, o que você está pensando em fazer? Quando perguntei para você se não queria entrar para os testes na semana passada, você disse que sentia falta da sua banda mas que não estava afim. O que te fez mudar de ideia?
- Eu sinto que vou precisar ocupar bastante minha cabeça agora. Os estudos não fazem o suficiente por mim, e pensar em garotos está ficando infernal demais. Me avise quando estiver tudo pronto para os testes.
- Pode deixar! Boa... sorte... - Judith nem havia terminado e Kath já entrava, indo para a sala de aula.
Sentou na cadeira no instante em que o sinal tocou. Rouse entrou como um foguete e entregou o celular cuidadosamente para Kath, para que nenhum fofoqueiro de plantão visse a prova do crime na tela e espalhasse por toda a escola. Kath virou a tela após colocar um pouco abaixo da classe, pois Fred estava logo atrás dela e, quando virou o celular e ligou a tela... Bomba! Lá estava uma foto de Fred beijando Célya. Ele estava bem agarrado nela, com as mãos entrelaçadas em suas costas.
Segurando as lágrimas para não chorar de raiva e decepção, apagou a foto e jogou o celular de volta para Célya e disse um "obrigada por tudo" mudo para ela. Dy estava certo e ela, morrendo de vergonha e remorso. Como aquele idiota podia estar traindo sua confiança? Depois de uma semana, ele já sabia que Célya e Kath não se davam nada bem, e mesmo assim ficava com ela. O pior de tudo não era só isso, o pior era Fred estar flertando com ela desde o momento em que entrou na escola e encontrou ela.
Um bilhetinho "chat de papel" passou para sua mesa. Quando abriu, Judith dizia:
- Não ligue para o que esses garotos idiotas fazem com você! Eles não sabem o que pensam!
- Você viu a cena?
- Vi! E sabe o que eu vi também? Que alguém mais mente para você e você não sabe. Senti naquele climão. Alguém por trás de tudo, até onde me pareceu.
- Você é sensível. Odeia estar entre muita gente, mas pode sentir a maldade das pessoas.
- É que eu não suporto. É maldade demais no coração das pessoas, e quando estas não nos entendem, rogam pragas, desejam o pior, fazem intrigas, espalham mentiras... Você precisa se preparar, ninguém aqui entende você por ter ficado tanto tempo em reformatórios e enfrentado infernos sozinha.
- Como é que você sabe? Nunca falei sobre isso para ninguém alguém além do Dy!
- Digamos que eu posso descobrir as coisas com certos, digamos, "métodos especiais". Não se preocupe, estou ao seu lado. Tenha os amigos perto e os inimigos mais ainda. Não esquenta guria, eu cuida da sua amada bruxélya.
- kkkkkkk é só você mesmo.
Judith era incrível mesmo. Era perigoso ser sua inimiga, é mais do que incrível ser sua amiga próxima. Ainda mais se você tem coisas parecidas com ela. Como ter estado em reformatórios, quase ter matado alguém, gostar de Rock e música Clássica, detestar as mesmas pessoas, se vestir parecido... Era quase inacreditável as vezes.
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No meio da aula de História, Célya pediu permissão para ir ao banheiro e Judith passou um bilhetinho para Kath.
Espere para ver a surpresa que aguarda por ela
É apenas um pequeno aviso para ela não mexer com meus amigos!
Poderá ver tudo no You Tube mais tarde, será a primeira a saber!
Judith
- O que ela estará aprontando?
Na saída, Kath recebeu um sms dizendo prepare-se para um pouco de descontração nessa escola parada igual porta! Aproveite e divirta-se de camarote! O que seria?
Logo depois, quando o carro de sua mãe estacionou e Dyeiden ia entrando antes dela, entrou no celular um link de vídeo do You Tube. Ela abriu o link e sentou no carro, esperando carregar.
- O que é esse vídeo rocket? Será que é o que estou pensando? - Dy perguntou, apoiando os braços nos encostos dos bancos da frente.
- Eu não sei, foi a Judith que me enviou agora, prometendo muita diversão. Parece o banheiro da escola e, se for, pregaram uma peça em você sabe... quem...
O vídeo abriu, no momento em que Célya entrou no banheiro e começou a passar o lápis no olho, depois um gloss e ia até os chuveiros e, no momento em que ligou o registro do chuveiro, o cano soltou e a água caiu em cima dela, molhando o cabelo recém amarrado e borrando toda a maquiagem feita. Ela começou a gritar como uma criança e correu para um privado, um pouco perdida. Foi batendo contra as paredes, jogando as roupas molhadas para o alto, quando caiu a camiseta em cima da alavanca da privada, ativando a descarga. O vaso sanitário, que estava fechado, começou a tremer, e Célya deu uma olhada lenta para trás, com medo do que poderia acontecer. No momento em que levantou a tampa, o cano de líquido azul de desinfetante que estava embutido, arrebentou e começou a jorrar para todos os lados do privado, cobrindo Célya completamente. Ela gritava como doida e pedia socorro, xingando o tempo todo.
- O que está acontecendo aqui? - Gritava, correndo para fora do privado de costas, tropeçando contra o banco no meio do banheiro e caindo do outro lado.
- Ai! Mas que merda toda é essa? - Dizia, meio grogue, levantando devagar, zonza.
- Mas o que é isso? HÁHÁ, como ela conseguiu esse feitio? - Ria Kath, divertindo-se com Célya, que estava toda atrapalhada, molhada e gosmenta.
- Isso pode vir a ter consequências para você depois. - Disse Dy, um pouco preocupado.
- Do que estão falando crianças?
- É só uma brincadeira com uma colega mãe!
- Ai meu Deus, socorrooooooo! Tia, alguém, me ajudeeeeee! - Célya gritava, desesperada. Estava escorregando, com dificuldades de ficar em pé, com a água e o desinfetante espalhado pelo banheiro.
Quando foi se segurar na pia, puxou com tanta força que arrancou a caixa de sabonete líquido, que voou para cima, Célya caiu deitada com um escorregão, a caixa caiu e espalhou sabonete líquido de hortelã no corpo e ao redor, jogando um pouco no espelho, que já tinha água espirrada e desinfetante sendo derramada com se fosse uma fonte.
Célya ficava cada vez mais vermelha, em um misto de confusão, raiva e vergonha. Estava gritando como uma doida, toda suja, de sutiã e bermuda. A diretora entrou correndo perguntando o que havia acontecido, escorrendo em toda aquela gosma e caindo sentada. A faxineira que corria logo atrás, escorreu, tropeçou na diretora que estava no chão e foi parar do outro lado. O pânico virou geral, com muitos gritos diferentes e o vídeo terminou.
- Judith, você é a maior. - Dizia Kath, sorrindo para ela mesma. - E você, Dyeiden Hel, não se atreva a denunciar Judith pelo que aconteceu. Ela só estava querendo me ajudar.
- Ajudar Kath? Você está tentando se vingar de uma garota que está ficando com o cara que você gosta e que finge gostar de você, e você acha isso justo com você mesma?
- Você também não liga pra mim, então não pode ficar falando assim! E tem mais, ele também pagará por quebrar minha confiança! Ninguém mais pisará em mim dessa maneira, eu já disse.
- De você está falando, querida? Quem vai sofrer? - Perguntou Yoland, interessada.
- Porque quer saber? Ele é um idiota mesmo.
- Você não sabe o que está fazendo, então, se quer fazer mesmo algo direito nesta vingança, deve fazer com mais cuidado.
- Como o que, por exemplo, gênio?
- Se vai se vingar somente dos dois, ficará muito aparente que é alguém que está com raiva deles. Deve incluir mais alguém, como das amigas dela, para não ficar tão óbvio. E fazer uma armação com uma das suas, com ela sabendo, é claro. Assim, a suspeita não cairá toda em você.
- Ela tomou cuidado. Não duvido de sua capacidade Dy. Você também não deveria duvidar...
- Bem, confiarei em você. Já nela... Conheço seus amigos daqui a mais tempo, então não duvide quando digo para procurar se proteger também!
- Eu só quero ver o resultado amanhã. - Disse Kath, ansiosa por uma bela confusão.
Durante a noite, ela recebeu um sms de Rose.
- Vc viu o que aconteceu na escola hoje? Mal pud acreditar... Eu ia no banheiro nakela confusao, mas minha mae mandou eu pegar logo o busao. Vc sabia algo Kath?
- Na vdd, fikei sabend quand minha mae foi pegar eu e o Dy. Mas recebi o link d imediato!
- Espera... Nao me diga q vc sabia algo... Kath!
- N me culpe, n pod provar nd!
- Ta bem... Só toma cuidad amanha!
Mais tarde, quando Kath foi dormir, Dy subiu nas plantas trepadeiras do lado de fora da janela do quarto e subiu. A janela estava aberta e ele entrou.
- Kath, preciso falar com você!
- De novo? Já não falou o suficiente hoje? - Mesmo dizendo isso, ela sentia a necessidade de pedir que ele ficasse a qualquer custo. Estava angustiada e queria alguém para conversar.
- Não se preocupe, não irei demorar. - Disse ele, com um tom muito sério.
- O que você veio fazer aqui?
- Pedir que continue lendo o diário. Talvez precise...
- Então era isso? É sempre só isso que vem tratar comigo?
- Não tenho nada a tratar com você. Não seja birrenta. Seja uma boa menina pelo menos uma vez e me obedeça. Leia-o.
Dy virou-se e encaminhava-se para a janela, para sair por onde havia entrado, pois se saísse pela porta, Yoland poderia ver e fazer pouco caso. Kath agarrou-o pelo braço e o puxou.
- Você se acha cheio de si, sempre, não é mesmo, Dy? Pois adivinhe? Você não é! Não manda em mim; Não é nada meu; Então pare de tentar ser superior a mim, porque você não é melhor que eu, nem a ninguém. Você é meramente meu protetor por acaso, mas não pedi por isso.
- E você acha que ninguém vai poder feri-la porque criou um escudo ao redor de você. Mas adivinhe? Você não está protegida de nada! Quando seus planos de vingança derem errado, como vai conseguir se proteger sem ninguém por perto? Se não for eu, que faço isso porque quero, para poder ficar perto de você, você ficaria completamente indefesa. não por me achar melhor, mas por não poder ver você se machucando. Agora, deixe de ser idiota e acorda.
- Pare de falar assim comigo, seu babaca. - Começou a bater em Dy, sentindo-se impotente, sem poder conter as lágrimas. Dy a segurou pelos pulsos, puxando-a para perto e dando-lhe um abraço apertado.
- Por favor, confie em mim! Não estou aqui por acaso. - Falou ele, calmo e mansamente, perto do ouvido de Kath, provocando-lhe arrepios na nuca.
- Para, me solta, idiota. Você não entende, senão não faria esse jogo comigo. - Gritava ela, debatendo-se com mais força ainda, a maquiagem toda borrada com as lágrimas que escorriam por seu rosto e pingavam na camisa de Dy.
- Para com isso. Sua mãe vai ouvir e vir aqui saber o que está acontecendo. Da maneira que grita, parece que estou batendo em você. - Dizia ele, tentando conter o surto de Kath, que debatia-se com mais violência, desferindo chutes e começando a gritar. Começaram a se empurrar a puxar para os lados, para a frente e para trás. Na tentativa de fazê-la parar, tapou a boca de Kath com a mão, que tentou se afastar indo para trás e acabou tropeçando no baú ao pé da cama, caindo para trás, em cima da cama, com Dy por cima dela. Estavam ainda mais perto do que no tombo no sótão. Ele estava entre as pernas dela, os dois jogados de qualquer maneira em cima da cama, como de forma proposital, segurando Kath pelos pulsos, com o corpo pressionado contra o dela, tapando sua boca. Olhando um nos olhos do outro, sentindo os corações batendo no mesmo ritmo. Tirou lentamente a mão da boca de Kath, sem desviar os olhares e segurou firme seu pulso. Irritada e magoada, ela ainda tentou dar joelhadas e soltar as mãos, o que obrigou Dy a segurar suas mãos firmemente acima da cabeça e pressionar as pernas contra as dela, para ficar imóvel. Sem ter escolha e como livrar-se, teve que escutar Dyeiden em silêncio.
- Pare com isso! Você é mais do que aparenta, Kathlyn. Pode ser melhor que elas, mas não agindo como idiota e esperando alguma amiga se vingar por você.
- Foi só dessa vez e você me crucifixa como se eu saísse por aí fazendo maldades gratuitas. - Disse, entre lágrimas e virando o rosto para o lado, com soluços crescentes.
- Olhe para mim, Kathlyn. - Mandou Dyeiden, ficando irritado.
- Pare de brigar comigo key.
- Do que me chamou?
- Key, porque você parece a chave que protege ás vezes, um guardião.
- Háháháháhá, acho que é por isso que eles não te mataram ainda. Você inventa nomes engraçados.
- Do que está falando?
- Porque acha que ás vezes parece ser possuída? Deveria ter lido mais um pouco do livro. - Disse ele, quase ironicamente.
- Está bem! Agora, para de ser chato e pegar no meu pé, chega minha mãe. E outra - Ela olhou para o corpo dele que a prendia na cama - Saia logo de uma vez de cima de mim.
Ele levantou, foi até a janela, agachou-se e, antes de pular, virou o rosto para ela e falou:
- Não se esqueça, ok?
- Vai logo! - Ordenou ela.
Ele sumiu no gramado escuro.
Ela não queria ler o livro, ainda mais sendo pressionada. Resolveu ir estudar, pois teria algumas provas durante a semana.
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No momento em que soou o sinal do intervalo, Kath pegou o diário e correu para o banheiro. Iria ler lá dentro. Daria um jeito para que ninguém atrapalhasse. Viu Judith com algumas meninas no corredor e acenou. Judith se afastou das outras, indo falar com Kath.
- E aí, guria? O que achou da minha "brincadeirinha" de ontem? Já tem mais de 5 mil visualizações! - Disse Judith, gesticulando.
- Bom, muito bom! Preciso que você fique de vigia na porta do banheiro. Tem que eu preciso... Estudar, mas não tem outro lugar melhor.
- Você me pede umas coisas as vezes... Mas tudo bem, vai lá. Não vou deixar ninguém te perturbar. Isso porque te adoro, sua maluca.
- Valeu Judith. - Correu animada para o banheiro.
Entrou, fechou a porta e foi para a bancada das pias. Abriu o diário e começou a ler.
Estou feliz por ter minha família toda reunida novamente. Meu sobrinho é a coisa mais bela e perfeita do mundo. Já sentia tantas saudades deles. Minha cunhada é uma flor delicada, muito gentil. Meu irmão, felizmente está muito contente, e não parece mais ter traços de sua... hum... deficiência, digamos assim. O tratamento dele parece estar funcionando bem. É claro, porque os remédios são todos feitos na Europa. Lá existem os melhores médicos. Já fizeram seu tratamento para evitar que meu sobrinho recebesse geneticamente genes defeituosos. É algo preocupante.
Bem, fomos para nosso desjejum e eles pareciam tão apaixonados um pelo outro. Era tão encantador a maneira como eles trocavam olhares, juntavam as mãos, se beijavam... Como eu queria ter a mesma liberdade deles para poder amar meu romântico e doce Herick. Ele é realmente um verdadeiro cavalheiro. Com seu belo cabelo loiro e aqueles olhos verdes... Sua voz aveludada... Ele não encanta somente a mim, mas também aos nossos cavalos selvagens que diariamente são domados, de forma carinhosa, por suas fortes e habilidosas mãos. Ele veio noite passada ao meu quarto, era noite enluarada, o ar estava quente e úmido, como sua boca... Oh! Como eu o amo. Muitos podem dizer que estou louca, blasfemar, me difamando, gritando meu nome aos desonrados aos sete ventos... Mas eu o amo demais para dar importância maior ao que me dizem. Possa estar realmente louca e cega de amor, ele prometeu pedir minha mão, e queremos fugir se acaso papai não lhe der a honra se nosso casamento, pois ele é filho do nosso caseiro, e seria uma grande desonra para mim não casar-e com um rapaz que não tenha nada para honrar meu dote.
Como tenho sonhado com ele... Oh! É terrível até mesmo lembrar-me. São coisas entre um homem e uma mulher que acontecem após o casamento, e não sei como fui sonhar algo assim... Céus! Não posso deixar que mamãe descubra, ela mandaria-me para uma escola interna na Suíça, onde não poderia mais ver meu amado até depois que me casasse com outro... Eu não resistiria casar com outro, e olhar para ele novamente. Mas pode ser...
Um estrondo alto no banheiro fez Kath saltar de susto, fechando o diário e virando-se para trás. Em cada privado, tinha uma garota parada, encostada na porta, todas na mesma pose, olhando para Kath.
- HÁháháhá... É realmente verdade o que dizem os nossos antigos, é olho por olho, dente por dente. - Disse Célya, dando mais ênfase nas últimas palavras, mostrando seu remorso.
- O que você quer comigo, bruxélya? Já não levou o suficiente ontem? - Sorriu irônica Kath, não mostrando seu medo e sua raiva por aquela garota, que lhe provoca emoções adversas e perigosas.
- Você se acha muito esperta, não é mesmo, sua monstrenga? Não acredito que pensou que sairia impune dessa. - Mostrou um sorriso doce e, 1 segundo depois, mudou completamente a fisionomia, estalou os dedos e, antes de ir para cima de Kath, falou com fúria crescente - Você destruiu minha roupa nova e quase estragou meu cabelo. Você tá ferrada guriazinha intrometida. - É foi indo para cima.
Kath estava cercada e com poucas defesas, apenas teve tempo de mandar para Judith S.O.S. antes de Beatriz arrancasse de sua mão o celular e o jogasse para Patricia, que o jogou na privada e deu a descarga. Célya pegou o diário da bancada - O que é essa coisa velha? Acho que vou ficar para mim, a capa é bonita, posso arrancar essas folhas...
- Você não vai fazer nada. - Gritou Kath, dando um soco em Célya e pegando o diário de volta. De sopetam, entraram no banheiro Judith, Rousely, Dyeiden e Frederico. Pondo-se cada uma de frente uma rival, elas ficaram prontas, Dyeiden pronto para defender as meninas e Fred sem saber para qual lado iria.
- Fred, querido, venha me ajudar com esse animal selvagem. Ela é perigosa! - Gritou Célya, perdendo a cabeça de raiva.
- Não haja como um idiota novamente Frederico. Ela só está usando você para me ferir. Esqueceu que sempre fomos amigos? Quem você conhece a mais tempo e gosta mais? - Perguntou Kath, com tom desafiador.
- Eu... Eu não tenho certeza... Perder uma amizade é muito chato... Mas gosto tanto das duas...
- Não seja besta Fred, me ajude com essa bruxa dessa garota!
- Você vai ajudar esse animal, Fred querido? Esqueceu dos momentos que partilhamos juntos?
- Escolha seu lado Fred, escolha seu lado... - Começaram a repetir as duas em uníssono.
- Err... Dyeiden, quem eu devo escolher? - Perguntava Fred, muito confuso.
- Seja homem uma vez na vida e escolha por conta o que é certo. Ou você é tão idiota e infantil que não sabe fazer isso por conta agora? - Dyeiden estava ficando enfurecido com a fraqueza de Fred em escolher o que era certo, o que ele deveria saber a tempos.
- Chega de conversa! - Gritou Célya, correndo para cima de Kath, com Beatriz e Patricia seguindo-a, indo cada uma para cima de uma garota.
Virou uma grande confusão!
Eram chutes, tapas, puxões de cabelo, tão agarradas que ficavam a centímetros os rostos de umas para as outras. Os gritos ficaram cada vez mais altos e começou a juntar uma grande multidão de alunos na porta do banheiro, muitos curiosos e outras confusos e assustados com a gritaria crescente. Enquanto todas se embolavam e rolavam pelo chão, Kath empurrou Célya contra a parede com um coice na barriga, que foi revidada com um soco, deixando o rosto levemente inchado na maçã esquerda, dando um tapa forte do lado esquerdo do rosto de Kath, jogando-a no chão. Quando passou a mão no rosto, haviam três cortes pequenos com um pouco de sangue escorrendo. Sentiu um puxão e os cabelos sendo enrolados na mão de alguém e seu corpo sendo novamente impulsionado para frente, só que dessa vez foi jogada contra a pia. Colocou as mãos na bancada, com a visão ficando turva e as pernas perdendo o equilíbrio, olhou o rosto no espelho... Que visão lamentável! O cabelo era uma grande bagunça, a bochecha esquerda escorrendo sangue de três grandes cortes de unha comprida, com marcas de dedos ao redor de cada corte, a blusa torta, amassada e rasgada no braço.
Estava perdendo os sentidos quando começou a ouvir alguém chamar. Virou para Célya e apoiou a cintura na bancada para se manter firme e, estendendo as mãos para trás, tocou o espelho e tocou o rosto nele, ouvindo ao longe a voz de Célya que parecia estar chamando ela para voltar a briga.
Use sua força interior, não desista nunca disso! Não se deixe levar...
Sua visão começou a borrar e distorcer, não conseguia mais ver Célya, nem o restante da confusão no banheiro, tudo não passava agora de um grande borrão, que viraram pontinhos e manchas sem sentido algum, aos poucos transformando-se em outras imagens.
Parecia com uma criança correndo em um jardim, brincando com alguém, feliz. A inocência de sua infância estampada em seu rostinho alegre. Uma linda menininha de cabelos lisos e loiros, olhos azuis muito claros, brincando com um homem alto, que ela não conseguia ver o rosto. Estava brincando de pega-pega, ela corria e ria o tempo todo. Ele tocava em seu braço e ela soltava uma gargalhada alta seguida de gritinhos alegres. Ele também parecia divertir-se. Logo veio a mãe para junto deles, sentou em uma cadeira, sob um guarda-sol e ficou a observá-los, com um sorriso contente no rosto. A menina parecia ter no máximo 2 anos, era bem pequena, bela e delicada como uma boneca de porcelana. A mãe carregava um pequeno embrulho nos braços, um pano azul todo enrolado gordinho nos braços. Sem avisos, a imagem linda no gramado da casa sumiu, dando lugar a uma tarde com uma chuva muito forte, o céu negro, raios cortando os céus, fazendo uns barulhos assustadores. A menina chorava alto, pendurada sobre o parapeito da janela, olhando para baixo, com os bracinhos estendidos para baixo, enquanto via um homem sair correndo do prédio com o mesmo embrulho azul nos braços, também chorando. A mãe veio correndo logo em seguida, gritando e chorando, falando alto para a menina e entrando correndo de volta para casa com ela nos braços.
A imagem foi sumindo e voltando ao presente. Quando Kath viu Célya tão próxima indo pegar em sua roupa para puxá-la, assustou-se e, de reflexo, deu-lhe um soco com toda a força no canto do olho, o que a jogou contra uma parede, deixando-a desmaiada ali mesmo.
Sentindo as pernas cederem, caiu entre os joelhos dobrados, ofegando. Teria sido outra visão? Se sim, foi estranha e sem muito nexo.
Dyeiden, percebendo que a briga entre as duas havia terminado, foi correndo ajudar Kath a levantar.
- Você está bem? Doendo muito os ferimentos?
- Não, eu acho que não. Eu... Eu estou um pouco tonta... Pode me ajudar a levantar?
- Claro. Espere! Passe seu braço sobre meu ombro. Ela obedeceu e ele a pegou no colo.
Passando pelas meninas, fez sinal com a cabeça. Rose soltou-se de Beatriz com um chute na barriga e correu para a porta. Judith deu tapa forte com as costas da mão em Patricia, jogou-a contra a parede e correu, alcançando os outros no corredor.
Saíram escondidos pelos fundos da escola, que tinha uma abertura no fundo do muro, que dava para um terreno baldio e corretam rumo a cidade. Quando o corpo docente da escola chegou no banheiro, encontrou as meninas desmaiadas uma perto da outra, gotas de sangue por toda a parte e, ao que parecia, somente elas haviam estado ali. Alguns alunos foram chamados na diretoria para tentarem descobrir se a confusão no banheiro não envolvia mais ninguém, mas todos se mostraram tão convictos de que ninguém mais havia brigado, que os professores deixaram o caso como estava. Até mesmo as meninas, quando acordaram e se recompuseram, afirmaram o mesmo, sem muita convicção e, como já estava muito machucadas e cansadas, a diretora deixou por ali mesmo o assunto, mandou um bilhete de advertência para os pais das meninas, com grande decepção por ter de mandar para a irmã, informando o feito desregrado da sobrinha, e dispensou as meninas.
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- Onde eu estava com a cabeça quando resolvi ler este livro A fuga do mundo submerso? É chato demais.
- Eu avisei pra você que o livro era uma droga, mas você escuta alguém Kathlyn? É claro que não! Você nunca escuta, nem mesmo o Dyeiden Hel você escuta mais. Sabe qual me parece o seu problema? - Kath fez que não com a cabeça, apenas esperando o que ela diria - Que você está apaixonada pelo garoto que é seu guardião e não que admitir. Você parece nem ligar mais nem para o Frederico! Se não me disser logo, vou ficar preocupada com você. Eu odeio me preocupar com os outros.
- Meu guardião? De onde você tirou essa ideia? Ele não é meu... - Ela parou, pensativa - Agora que você diz... Ele sempre está onde eu preciso, certo? Então, o que eu faço, Rousely?
Ajeitando os óculos, ela levantou a cabeça e disse:
- Vai logo atrás dele, idiota! Ou como é que você espera que o garoto que mora na sua casa descubra que você gosta dele, mesmo ele sendo seu guardião?
- Está certo, eu vou! - Disse Kath, levantando da mesa do pátio e mostrando sua determinação.
- Você sonha com ele?
- O quê? Rouse, que pergunta é essa agora? É claro que sonho.
- Então é amor!
- Eu até posso me apaixonar, isso é certo! Mas, amor? Eca, isso não! Não é para mim!
- É para qualquer um. Agora, vai lá e fala com ele, antes que termine o intervalo! - Disse Rouse, segurando Kath pelos ombros e virando ela, para ir na direção de onde Dyeiden estava sentado.
Ao se aproximar, notou que Dyeiden estava lendo um livro de mensagens, pois estava de costas para ela, que conseguiu ler um trecho: Com coragem e determinação, você pode mudar tudo em sua vida e no seu passado! - E parou para pensar que aquilo lhe fazia ter nostalgias.
Notando sua presença, Dyeiden virou para ela e, com um sorriso, perguntou:
- Você está bem, querida Kath?
- Sempre tão amável comigo... - Pensou, e ficou corada.
Ele levantou, pôs a mão em sua testa. - Não está com febre! Porque está toda vermelha!
Respirou fundo e, então, começou a enrolar, para tomar coragem.
- Dy, já faz um tempo que nos conhecemos, você está sempre perto de mim quando preciso, é tão atencioso e prestativo que nem sei o que dizer. Me sinto mal por não poder ser mais legal com você por isso. Eu... Eu tenho medo de tudo, mas não gosto de admitir. Você parece me conhecer tão bem e, no entanto, eu mal conheço você, mas quero que isso mude e... Espero que possa ser hoje. Não sei como dizer isso sem soar estranho ou constrangedor para ambos os lados. Não sei qual será sua reação mas, a verdade é que, eu... - Ela sentou ao lado dele e virou o rosto, ficando mais próxima e, mais vermelha do que já estava. - Eu... Acho que estou apaixonada por vo... - Ele colocou o indicador nos lábios dela. - Shhh... Não precisa falar nada, Kath. Eu já sei.
- Já sabe? - Ela falou, com uma certa esperança da resposta dele.
- Sim. E a minha resposta é não! - Falou, com uma tranquilidade de quem olhava crianças brincando no parque.
- O-o que? O que você disse, Dyeiden? - Perguntou ela, com um fio de voz.
- Eu disse, que não! Não quero namorar com você, sua idiota!
- O que foi que deu em você, seu egoísta? Pensei que você fosse diferente do Fred. - Levantou, gritando com ele.
Levantando, ele respondeu:
- Bem, acontece que eu não sou. E sabe o porque de o Frederico nunca nem ao menos ter notado uma única vez sua paixão por ele? Porque ele te acha uma garotinha idiota, ridícula, que só usa roupas estranhas para tentar cobrir o que sente, mas deixa tudo ainda mais aparente. Que briga com as pessoas porque briga com si mesma. Os garotos gostam de garotas com atitude, que tem uma certa alegria. E que esse mistério seja algo bom nelas, e não ruim. - Fez uma pausa, antes de dizer: - Você não tem o costume de ir atrás do ginásio durante os intervalos, não é?
Kath ficou pensando no que aquilo queria dizer, e recebeu outra resposta:
- Sabia que seu querido Fred e que sua odiada Célya se encontram atrás do ginásio durante os intervalos? Que ele não lhe dá a mínima, mas que pega até ela?
- Está mentindo! Você está mentindo! Fala isso para que eu fique com mais raiva ainda de você e dele também. Ele não seria idiota de trair minha confiança e destruir nossa amizade por causa daquela vaca! - Disse, quase sem convicção em suas próprias palavras.
- Então vá verificar e, depois, venha me dizer o que achou! - Disse ele, com um tom desdenhoso, de forma que nunca havia falado antes.
Voltou para perto de Rouse e, antes que a garota perguntasse algo, ela disse:
- Vá atrás do ginásio e veja se Fred está lá e, se estiver, me traga uma fotografia do que ele está fazendo.
Surpresa com a ordem de Kath, ela perguntou:
- Mas o que ele tem?
- Apenas faça isso!
Rouse foi, em silêncio, enquanto Kath encontrava Judith para perguntar sobre os horários de testes musicais da escola.
- É sexta, no intervalo! Mas, rocket, o que você está pensando em fazer? Quando perguntei para você se não queria entrar para os testes na semana passada, você disse que sentia falta da sua banda mas que não estava afim. O que te fez mudar de ideia?
- Eu sinto que vou precisar ocupar bastante minha cabeça agora. Os estudos não fazem o suficiente por mim, e pensar em garotos está ficando infernal demais. Me avise quando estiver tudo pronto para os testes.
- Pode deixar! Boa... sorte... - Judith nem havia terminado e Kath já entrava, indo para a sala de aula.
Sentou na cadeira no instante em que o sinal tocou. Rouse entrou como um foguete e entregou o celular cuidadosamente para Kath, para que nenhum fofoqueiro de plantão visse a prova do crime na tela e espalhasse por toda a escola. Kath virou a tela após colocar um pouco abaixo da classe, pois Fred estava logo atrás dela e, quando virou o celular e ligou a tela... Bomba! Lá estava uma foto de Fred beijando Célya. Ele estava bem agarrado nela, com as mãos entrelaçadas em suas costas.
Segurando as lágrimas para não chorar de raiva e decepção, apagou a foto e jogou o celular de volta para Célya e disse um "obrigada por tudo" mudo para ela. Dy estava certo e ela, morrendo de vergonha e remorso. Como aquele idiota podia estar traindo sua confiança? Depois de uma semana, ele já sabia que Célya e Kath não se davam nada bem, e mesmo assim ficava com ela. O pior de tudo não era só isso, o pior era Fred estar flertando com ela desde o momento em que entrou na escola e encontrou ela.
Um bilhetinho "chat de papel" passou para sua mesa. Quando abriu, Judith dizia:
- Não ligue para o que esses garotos idiotas fazem com você! Eles não sabem o que pensam!
- Você viu a cena?
- Vi! E sabe o que eu vi também? Que alguém mais mente para você e você não sabe. Senti naquele climão. Alguém por trás de tudo, até onde me pareceu.
- Você é sensível. Odeia estar entre muita gente, mas pode sentir a maldade das pessoas.
- É que eu não suporto. É maldade demais no coração das pessoas, e quando estas não nos entendem, rogam pragas, desejam o pior, fazem intrigas, espalham mentiras... Você precisa se preparar, ninguém aqui entende você por ter ficado tanto tempo em reformatórios e enfrentado infernos sozinha.
- Como é que você sabe? Nunca falei sobre isso para ninguém alguém além do Dy!
- Digamos que eu posso descobrir as coisas com certos, digamos, "métodos especiais". Não se preocupe, estou ao seu lado. Tenha os amigos perto e os inimigos mais ainda. Não esquenta guria, eu cuida da sua amada bruxélya.
- kkkkkkk é só você mesmo.
Judith era incrível mesmo. Era perigoso ser sua inimiga, é mais do que incrível ser sua amiga próxima. Ainda mais se você tem coisas parecidas com ela. Como ter estado em reformatórios, quase ter matado alguém, gostar de Rock e música Clássica, detestar as mesmas pessoas, se vestir parecido... Era quase inacreditável as vezes.
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No meio da aula de História, Célya pediu permissão para ir ao banheiro e Judith passou um bilhetinho para Kath.
Espere para ver a surpresa que aguarda por ela
É apenas um pequeno aviso para ela não mexer com meus amigos!
Poderá ver tudo no You Tube mais tarde, será a primeira a saber!
Judith
- O que ela estará aprontando?
Na saída, Kath recebeu um sms dizendo prepare-se para um pouco de descontração nessa escola parada igual porta! Aproveite e divirta-se de camarote! O que seria?
Logo depois, quando o carro de sua mãe estacionou e Dyeiden ia entrando antes dela, entrou no celular um link de vídeo do You Tube. Ela abriu o link e sentou no carro, esperando carregar.
- O que é esse vídeo rocket? Será que é o que estou pensando? - Dy perguntou, apoiando os braços nos encostos dos bancos da frente.
- Eu não sei, foi a Judith que me enviou agora, prometendo muita diversão. Parece o banheiro da escola e, se for, pregaram uma peça em você sabe... quem...
O vídeo abriu, no momento em que Célya entrou no banheiro e começou a passar o lápis no olho, depois um gloss e ia até os chuveiros e, no momento em que ligou o registro do chuveiro, o cano soltou e a água caiu em cima dela, molhando o cabelo recém amarrado e borrando toda a maquiagem feita. Ela começou a gritar como uma criança e correu para um privado, um pouco perdida. Foi batendo contra as paredes, jogando as roupas molhadas para o alto, quando caiu a camiseta em cima da alavanca da privada, ativando a descarga. O vaso sanitário, que estava fechado, começou a tremer, e Célya deu uma olhada lenta para trás, com medo do que poderia acontecer. No momento em que levantou a tampa, o cano de líquido azul de desinfetante que estava embutido, arrebentou e começou a jorrar para todos os lados do privado, cobrindo Célya completamente. Ela gritava como doida e pedia socorro, xingando o tempo todo.
- O que está acontecendo aqui? - Gritava, correndo para fora do privado de costas, tropeçando contra o banco no meio do banheiro e caindo do outro lado.
- Ai! Mas que merda toda é essa? - Dizia, meio grogue, levantando devagar, zonza.
- Mas o que é isso? HÁHÁ, como ela conseguiu esse feitio? - Ria Kath, divertindo-se com Célya, que estava toda atrapalhada, molhada e gosmenta.
- Isso pode vir a ter consequências para você depois. - Disse Dy, um pouco preocupado.
- Do que estão falando crianças?
- É só uma brincadeira com uma colega mãe!
- Ai meu Deus, socorrooooooo! Tia, alguém, me ajudeeeeee! - Célya gritava, desesperada. Estava escorregando, com dificuldades de ficar em pé, com a água e o desinfetante espalhado pelo banheiro.
Quando foi se segurar na pia, puxou com tanta força que arrancou a caixa de sabonete líquido, que voou para cima, Célya caiu deitada com um escorregão, a caixa caiu e espalhou sabonete líquido de hortelã no corpo e ao redor, jogando um pouco no espelho, que já tinha água espirrada e desinfetante sendo derramada com se fosse uma fonte.
Célya ficava cada vez mais vermelha, em um misto de confusão, raiva e vergonha. Estava gritando como uma doida, toda suja, de sutiã e bermuda. A diretora entrou correndo perguntando o que havia acontecido, escorrendo em toda aquela gosma e caindo sentada. A faxineira que corria logo atrás, escorreu, tropeçou na diretora que estava no chão e foi parar do outro lado. O pânico virou geral, com muitos gritos diferentes e o vídeo terminou.
- Judith, você é a maior. - Dizia Kath, sorrindo para ela mesma. - E você, Dyeiden Hel, não se atreva a denunciar Judith pelo que aconteceu. Ela só estava querendo me ajudar.
- Ajudar Kath? Você está tentando se vingar de uma garota que está ficando com o cara que você gosta e que finge gostar de você, e você acha isso justo com você mesma?
- Você também não liga pra mim, então não pode ficar falando assim! E tem mais, ele também pagará por quebrar minha confiança! Ninguém mais pisará em mim dessa maneira, eu já disse.
- De você está falando, querida? Quem vai sofrer? - Perguntou Yoland, interessada.
- Porque quer saber? Ele é um idiota mesmo.
- Você não sabe o que está fazendo, então, se quer fazer mesmo algo direito nesta vingança, deve fazer com mais cuidado.
- Como o que, por exemplo, gênio?
- Se vai se vingar somente dos dois, ficará muito aparente que é alguém que está com raiva deles. Deve incluir mais alguém, como das amigas dela, para não ficar tão óbvio. E fazer uma armação com uma das suas, com ela sabendo, é claro. Assim, a suspeita não cairá toda em você.
- Ela tomou cuidado. Não duvido de sua capacidade Dy. Você também não deveria duvidar...
- Bem, confiarei em você. Já nela... Conheço seus amigos daqui a mais tempo, então não duvide quando digo para procurar se proteger também!
- Eu só quero ver o resultado amanhã. - Disse Kath, ansiosa por uma bela confusão.
Durante a noite, ela recebeu um sms de Rose.
- Vc viu o que aconteceu na escola hoje? Mal pud acreditar... Eu ia no banheiro nakela confusao, mas minha mae mandou eu pegar logo o busao. Vc sabia algo Kath?
- Na vdd, fikei sabend quand minha mae foi pegar eu e o Dy. Mas recebi o link d imediato!
- Espera... Nao me diga q vc sabia algo... Kath!
- N me culpe, n pod provar nd!
- Ta bem... Só toma cuidad amanha!
Mais tarde, quando Kath foi dormir, Dy subiu nas plantas trepadeiras do lado de fora da janela do quarto e subiu. A janela estava aberta e ele entrou.
- Kath, preciso falar com você!
- De novo? Já não falou o suficiente hoje? - Mesmo dizendo isso, ela sentia a necessidade de pedir que ele ficasse a qualquer custo. Estava angustiada e queria alguém para conversar.
- Não se preocupe, não irei demorar. - Disse ele, com um tom muito sério.
- O que você veio fazer aqui?
- Pedir que continue lendo o diário. Talvez precise...
- Então era isso? É sempre só isso que vem tratar comigo?
- Não tenho nada a tratar com você. Não seja birrenta. Seja uma boa menina pelo menos uma vez e me obedeça. Leia-o.
Dy virou-se e encaminhava-se para a janela, para sair por onde havia entrado, pois se saísse pela porta, Yoland poderia ver e fazer pouco caso. Kath agarrou-o pelo braço e o puxou.
- Você se acha cheio de si, sempre, não é mesmo, Dy? Pois adivinhe? Você não é! Não manda em mim; Não é nada meu; Então pare de tentar ser superior a mim, porque você não é melhor que eu, nem a ninguém. Você é meramente meu protetor por acaso, mas não pedi por isso.
- E você acha que ninguém vai poder feri-la porque criou um escudo ao redor de você. Mas adivinhe? Você não está protegida de nada! Quando seus planos de vingança derem errado, como vai conseguir se proteger sem ninguém por perto? Se não for eu, que faço isso porque quero, para poder ficar perto de você, você ficaria completamente indefesa. não por me achar melhor, mas por não poder ver você se machucando. Agora, deixe de ser idiota e acorda.
- Pare de falar assim comigo, seu babaca. - Começou a bater em Dy, sentindo-se impotente, sem poder conter as lágrimas. Dy a segurou pelos pulsos, puxando-a para perto e dando-lhe um abraço apertado.
- Por favor, confie em mim! Não estou aqui por acaso. - Falou ele, calmo e mansamente, perto do ouvido de Kath, provocando-lhe arrepios na nuca.
- Para, me solta, idiota. Você não entende, senão não faria esse jogo comigo. - Gritava ela, debatendo-se com mais força ainda, a maquiagem toda borrada com as lágrimas que escorriam por seu rosto e pingavam na camisa de Dy.
- Para com isso. Sua mãe vai ouvir e vir aqui saber o que está acontecendo. Da maneira que grita, parece que estou batendo em você. - Dizia ele, tentando conter o surto de Kath, que debatia-se com mais violência, desferindo chutes e começando a gritar. Começaram a se empurrar a puxar para os lados, para a frente e para trás. Na tentativa de fazê-la parar, tapou a boca de Kath com a mão, que tentou se afastar indo para trás e acabou tropeçando no baú ao pé da cama, caindo para trás, em cima da cama, com Dy por cima dela. Estavam ainda mais perto do que no tombo no sótão. Ele estava entre as pernas dela, os dois jogados de qualquer maneira em cima da cama, como de forma proposital, segurando Kath pelos pulsos, com o corpo pressionado contra o dela, tapando sua boca. Olhando um nos olhos do outro, sentindo os corações batendo no mesmo ritmo. Tirou lentamente a mão da boca de Kath, sem desviar os olhares e segurou firme seu pulso. Irritada e magoada, ela ainda tentou dar joelhadas e soltar as mãos, o que obrigou Dy a segurar suas mãos firmemente acima da cabeça e pressionar as pernas contra as dela, para ficar imóvel. Sem ter escolha e como livrar-se, teve que escutar Dyeiden em silêncio.
- Pare com isso! Você é mais do que aparenta, Kathlyn. Pode ser melhor que elas, mas não agindo como idiota e esperando alguma amiga se vingar por você.
- Foi só dessa vez e você me crucifixa como se eu saísse por aí fazendo maldades gratuitas. - Disse, entre lágrimas e virando o rosto para o lado, com soluços crescentes.
- Olhe para mim, Kathlyn. - Mandou Dyeiden, ficando irritado.
- Pare de brigar comigo key.
- Do que me chamou?
- Key, porque você parece a chave que protege ás vezes, um guardião.
- Háháháháhá, acho que é por isso que eles não te mataram ainda. Você inventa nomes engraçados.
- Do que está falando?
- Porque acha que ás vezes parece ser possuída? Deveria ter lido mais um pouco do livro. - Disse ele, quase ironicamente.
- Está bem! Agora, para de ser chato e pegar no meu pé, chega minha mãe. E outra - Ela olhou para o corpo dele que a prendia na cama - Saia logo de uma vez de cima de mim.
Ele levantou, foi até a janela, agachou-se e, antes de pular, virou o rosto para ela e falou:
- Não se esqueça, ok?
- Vai logo! - Ordenou ela.
Ele sumiu no gramado escuro.
Ela não queria ler o livro, ainda mais sendo pressionada. Resolveu ir estudar, pois teria algumas provas durante a semana.
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No momento em que soou o sinal do intervalo, Kath pegou o diário e correu para o banheiro. Iria ler lá dentro. Daria um jeito para que ninguém atrapalhasse. Viu Judith com algumas meninas no corredor e acenou. Judith se afastou das outras, indo falar com Kath.
- E aí, guria? O que achou da minha "brincadeirinha" de ontem? Já tem mais de 5 mil visualizações! - Disse Judith, gesticulando.
- Bom, muito bom! Preciso que você fique de vigia na porta do banheiro. Tem que eu preciso... Estudar, mas não tem outro lugar melhor.
- Você me pede umas coisas as vezes... Mas tudo bem, vai lá. Não vou deixar ninguém te perturbar. Isso porque te adoro, sua maluca.
- Valeu Judith. - Correu animada para o banheiro.
Entrou, fechou a porta e foi para a bancada das pias. Abriu o diário e começou a ler.
Estou feliz por ter minha família toda reunida novamente. Meu sobrinho é a coisa mais bela e perfeita do mundo. Já sentia tantas saudades deles. Minha cunhada é uma flor delicada, muito gentil. Meu irmão, felizmente está muito contente, e não parece mais ter traços de sua... hum... deficiência, digamos assim. O tratamento dele parece estar funcionando bem. É claro, porque os remédios são todos feitos na Europa. Lá existem os melhores médicos. Já fizeram seu tratamento para evitar que meu sobrinho recebesse geneticamente genes defeituosos. É algo preocupante.
Bem, fomos para nosso desjejum e eles pareciam tão apaixonados um pelo outro. Era tão encantador a maneira como eles trocavam olhares, juntavam as mãos, se beijavam... Como eu queria ter a mesma liberdade deles para poder amar meu romântico e doce Herick. Ele é realmente um verdadeiro cavalheiro. Com seu belo cabelo loiro e aqueles olhos verdes... Sua voz aveludada... Ele não encanta somente a mim, mas também aos nossos cavalos selvagens que diariamente são domados, de forma carinhosa, por suas fortes e habilidosas mãos. Ele veio noite passada ao meu quarto, era noite enluarada, o ar estava quente e úmido, como sua boca... Oh! Como eu o amo. Muitos podem dizer que estou louca, blasfemar, me difamando, gritando meu nome aos desonrados aos sete ventos... Mas eu o amo demais para dar importância maior ao que me dizem. Possa estar realmente louca e cega de amor, ele prometeu pedir minha mão, e queremos fugir se acaso papai não lhe der a honra se nosso casamento, pois ele é filho do nosso caseiro, e seria uma grande desonra para mim não casar-e com um rapaz que não tenha nada para honrar meu dote.
Como tenho sonhado com ele... Oh! É terrível até mesmo lembrar-me. São coisas entre um homem e uma mulher que acontecem após o casamento, e não sei como fui sonhar algo assim... Céus! Não posso deixar que mamãe descubra, ela mandaria-me para uma escola interna na Suíça, onde não poderia mais ver meu amado até depois que me casasse com outro... Eu não resistiria casar com outro, e olhar para ele novamente. Mas pode ser...
Um estrondo alto no banheiro fez Kath saltar de susto, fechando o diário e virando-se para trás. Em cada privado, tinha uma garota parada, encostada na porta, todas na mesma pose, olhando para Kath.
- HÁháháhá... É realmente verdade o que dizem os nossos antigos, é olho por olho, dente por dente. - Disse Célya, dando mais ênfase nas últimas palavras, mostrando seu remorso.
- O que você quer comigo, bruxélya? Já não levou o suficiente ontem? - Sorriu irônica Kath, não mostrando seu medo e sua raiva por aquela garota, que lhe provoca emoções adversas e perigosas.
- Você se acha muito esperta, não é mesmo, sua monstrenga? Não acredito que pensou que sairia impune dessa. - Mostrou um sorriso doce e, 1 segundo depois, mudou completamente a fisionomia, estalou os dedos e, antes de ir para cima de Kath, falou com fúria crescente - Você destruiu minha roupa nova e quase estragou meu cabelo. Você tá ferrada guriazinha intrometida. - É foi indo para cima.
Kath estava cercada e com poucas defesas, apenas teve tempo de mandar para Judith S.O.S. antes de Beatriz arrancasse de sua mão o celular e o jogasse para Patricia, que o jogou na privada e deu a descarga. Célya pegou o diário da bancada - O que é essa coisa velha? Acho que vou ficar para mim, a capa é bonita, posso arrancar essas folhas...
- Você não vai fazer nada. - Gritou Kath, dando um soco em Célya e pegando o diário de volta. De sopetam, entraram no banheiro Judith, Rousely, Dyeiden e Frederico. Pondo-se cada uma de frente uma rival, elas ficaram prontas, Dyeiden pronto para defender as meninas e Fred sem saber para qual lado iria.
- Fred, querido, venha me ajudar com esse animal selvagem. Ela é perigosa! - Gritou Célya, perdendo a cabeça de raiva.
- Não haja como um idiota novamente Frederico. Ela só está usando você para me ferir. Esqueceu que sempre fomos amigos? Quem você conhece a mais tempo e gosta mais? - Perguntou Kath, com tom desafiador.
- Eu... Eu não tenho certeza... Perder uma amizade é muito chato... Mas gosto tanto das duas...
- Não seja besta Fred, me ajude com essa bruxa dessa garota!
- Você vai ajudar esse animal, Fred querido? Esqueceu dos momentos que partilhamos juntos?
- Escolha seu lado Fred, escolha seu lado... - Começaram a repetir as duas em uníssono.
- Err... Dyeiden, quem eu devo escolher? - Perguntava Fred, muito confuso.
- Seja homem uma vez na vida e escolha por conta o que é certo. Ou você é tão idiota e infantil que não sabe fazer isso por conta agora? - Dyeiden estava ficando enfurecido com a fraqueza de Fred em escolher o que era certo, o que ele deveria saber a tempos.
- Chega de conversa! - Gritou Célya, correndo para cima de Kath, com Beatriz e Patricia seguindo-a, indo cada uma para cima de uma garota.
Virou uma grande confusão!
Eram chutes, tapas, puxões de cabelo, tão agarradas que ficavam a centímetros os rostos de umas para as outras. Os gritos ficaram cada vez mais altos e começou a juntar uma grande multidão de alunos na porta do banheiro, muitos curiosos e outras confusos e assustados com a gritaria crescente. Enquanto todas se embolavam e rolavam pelo chão, Kath empurrou Célya contra a parede com um coice na barriga, que foi revidada com um soco, deixando o rosto levemente inchado na maçã esquerda, dando um tapa forte do lado esquerdo do rosto de Kath, jogando-a no chão. Quando passou a mão no rosto, haviam três cortes pequenos com um pouco de sangue escorrendo. Sentiu um puxão e os cabelos sendo enrolados na mão de alguém e seu corpo sendo novamente impulsionado para frente, só que dessa vez foi jogada contra a pia. Colocou as mãos na bancada, com a visão ficando turva e as pernas perdendo o equilíbrio, olhou o rosto no espelho... Que visão lamentável! O cabelo era uma grande bagunça, a bochecha esquerda escorrendo sangue de três grandes cortes de unha comprida, com marcas de dedos ao redor de cada corte, a blusa torta, amassada e rasgada no braço.
Estava perdendo os sentidos quando começou a ouvir alguém chamar. Virou para Célya e apoiou a cintura na bancada para se manter firme e, estendendo as mãos para trás, tocou o espelho e tocou o rosto nele, ouvindo ao longe a voz de Célya que parecia estar chamando ela para voltar a briga.
Use sua força interior, não desista nunca disso! Não se deixe levar...
Sua visão começou a borrar e distorcer, não conseguia mais ver Célya, nem o restante da confusão no banheiro, tudo não passava agora de um grande borrão, que viraram pontinhos e manchas sem sentido algum, aos poucos transformando-se em outras imagens.
Parecia com uma criança correndo em um jardim, brincando com alguém, feliz. A inocência de sua infância estampada em seu rostinho alegre. Uma linda menininha de cabelos lisos e loiros, olhos azuis muito claros, brincando com um homem alto, que ela não conseguia ver o rosto. Estava brincando de pega-pega, ela corria e ria o tempo todo. Ele tocava em seu braço e ela soltava uma gargalhada alta seguida de gritinhos alegres. Ele também parecia divertir-se. Logo veio a mãe para junto deles, sentou em uma cadeira, sob um guarda-sol e ficou a observá-los, com um sorriso contente no rosto. A menina parecia ter no máximo 2 anos, era bem pequena, bela e delicada como uma boneca de porcelana. A mãe carregava um pequeno embrulho nos braços, um pano azul todo enrolado gordinho nos braços. Sem avisos, a imagem linda no gramado da casa sumiu, dando lugar a uma tarde com uma chuva muito forte, o céu negro, raios cortando os céus, fazendo uns barulhos assustadores. A menina chorava alto, pendurada sobre o parapeito da janela, olhando para baixo, com os bracinhos estendidos para baixo, enquanto via um homem sair correndo do prédio com o mesmo embrulho azul nos braços, também chorando. A mãe veio correndo logo em seguida, gritando e chorando, falando alto para a menina e entrando correndo de volta para casa com ela nos braços.
A imagem foi sumindo e voltando ao presente. Quando Kath viu Célya tão próxima indo pegar em sua roupa para puxá-la, assustou-se e, de reflexo, deu-lhe um soco com toda a força no canto do olho, o que a jogou contra uma parede, deixando-a desmaiada ali mesmo.
Sentindo as pernas cederem, caiu entre os joelhos dobrados, ofegando. Teria sido outra visão? Se sim, foi estranha e sem muito nexo.
Dyeiden, percebendo que a briga entre as duas havia terminado, foi correndo ajudar Kath a levantar.
- Você está bem? Doendo muito os ferimentos?
- Não, eu acho que não. Eu... Eu estou um pouco tonta... Pode me ajudar a levantar?
- Claro. Espere! Passe seu braço sobre meu ombro. Ela obedeceu e ele a pegou no colo.
Passando pelas meninas, fez sinal com a cabeça. Rose soltou-se de Beatriz com um chute na barriga e correu para a porta. Judith deu tapa forte com as costas da mão em Patricia, jogou-a contra a parede e correu, alcançando os outros no corredor.
Saíram escondidos pelos fundos da escola, que tinha uma abertura no fundo do muro, que dava para um terreno baldio e corretam rumo a cidade. Quando o corpo docente da escola chegou no banheiro, encontrou as meninas desmaiadas uma perto da outra, gotas de sangue por toda a parte e, ao que parecia, somente elas haviam estado ali. Alguns alunos foram chamados na diretoria para tentarem descobrir se a confusão no banheiro não envolvia mais ninguém, mas todos se mostraram tão convictos de que ninguém mais havia brigado, que os professores deixaram o caso como estava. Até mesmo as meninas, quando acordaram e se recompuseram, afirmaram o mesmo, sem muita convicção e, como já estava muito machucadas e cansadas, a diretora deixou por ali mesmo o assunto, mandou um bilhete de advertência para os pais das meninas, com grande decepção por ter de mandar para a irmã, informando o feito desregrado da sobrinha, e dispensou as meninas.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Pass X Fure Capítulo 5: O diário e o pesadelo
- Preciso mostrar algo para você Kath, pois acho que chegou a hora! - Falou Dy, sentando na ponta da cama de Kath e pegando sua mão, esperando alguma reação.
- Não faça mistério, pois odeio quando alguém faz isso comigo! - Deu um berro, não gostando da forma séria como ele falou.
Com um suspiro, ele falou calmamente:
- Você nunca soube de nada sobre a história desta casa, de sua família, de nada que aconteceu a cerca de 70 anos atrás, não é mesmo, minha doce Kath?
- Mas do que é que você está falando Dyeiden? O que pode ter acontecido que seja necessário que eu saiba? - Perguntou, totalmente confusa.
- Mas é claro, como pude ser tão ingênuo? - Ele brincou, dando um tapinha na própria testa. - Sua mãe nunca lhe contava histórias de sua família, de como ela adquiriu esta casa ou até de o porque de você sentir fantasmas, ouvir e passar através de espelhos e até de ser dominada, por o que parece, ser algum "monstrinho" que a controla e não permite que lembre de nada pelo qual passou nos últimos minutos. - Ele fez silêncio. - Talvez... Até mesmo porque seu pai foi embora, ou sumiu quando você era pequena. - Ele completou, deixando-a de olhou arregalados com o que ele acabara de dizer. Dy sabia sobre seu pai? Mas como? Quando?
- Como sabe tudo isso? - Ela chegou mais perto, para não perder nenhuma de suas palavras.
Com um sorriso de canto, ele respondeu:
- Para isso, é necessário que você venha comigo até a biblioteca da casa, para que eu lhe mostre os registros em diário, de uma antepassada sua.
Saíram apressados do quarto e atravessaram o corredor até a biblioteca. Quando entraram, Kath ficou impressionada com a quantidade de livros existentes naquelas paredes. Dy levou-a até a mesa, abriu a gaveta, pegou um livro grande de capa dura
e estendeu-o para ela dizendo:
- Abra-o agora, e entenda um pouco mais do que aconteceu, pois você precisará. - Disse, como se fosse algo místico.
- Tá certo, vou ler este, obrigada! - Agradeceu, dando um beijo no rosto de Dy, que corou de imediato. Em seguida, ela saiu e foi para o quarto.
Sentou na cama, largou o livro e pegou a guitarra.
Ela tocava de forma quase distraída, pois já era acostumada a tocar músicas como Sweet Child O'Mine, pois adorava. Eram suas paixões músicas de bandas como essa. Ajudava relaxar, pois tinha coisas em sua cabeça que martelavam sem parar, como um martelo batendo em um parafuso solto para pôr tudo no lugar. Mas no seu caso, era o início de uma dor de cabeça. Talvez coisas que não entendia estavam á sua volta, mas ela não podia ver, pois sua cabeça ficava em dois lugares: A briga que terminou antes de começar com Célya e o livro que estava prestes a ler. Ela tocava e olhava para o diário, tentando ter certeza se deveria fazer aquilo e descobrir um pouco do passado, ao mesmo tempo que tinha receio do que poderia encontrar ali.
- Mas que bobagem. - Pensou ela. - Não posso ser uma chorona estúpida que tem medo de um livro velho. Afinal, é só um diário! - Pensava, procurando diminuir a vontade de jogar o diário no lixo e esquecer aquela história.
Decidiu, então, pegar a mochila. Abriu-a, pegou o caderno e foi fazer seus deveres. Era questão de minutos para que ela fizesse seus deveres.
Dificilmente recebia nota menor que 9 em cada uma delas, nem ao menos precisava estudar muito, ou mesmo prestar atenção nas aulas, pois apenas uma única passada de olhos por seus cadernos e ela já conseguia lembrar tudo. Então passava mais tempo estudando para outras matérias.
Não gostava muito de educação física, por exemplo, por precisar se mexer e, principalmente, por ter de jogar com outras pessoas. Era indispensável patricinhas no jogo... Porque sempre elas? Seria alguma espécie de teste? Ter de suportar as favoritas do colégio caso algo acontecesse a elas?
Como no jogo em seu antigo colégio, como na cena do filme "Sexta-Feira muito louca". Ela foi dar o saque, distraída com Bianca, a mais popular do colégio, uma patricinha fresca que tinha todos na palma da mão, ficava rebolando e atirando beijos para os garotos na quadra de vôlei ao lado, incluindo Fred. Em um momento de ciumes e pequeno erro de cálculo, ela deu o saque e acertou o topo da cabeça de Bianca, que caiu estatelada no chão, e Kath foi parar na detenção. Ou quando estava no refeitório procurando seu grupo da banda, com uma bandejinha com um sanduíche e um suco de uva. Olhava ao redor mas não os avistando, deu meia volta e, no momento em que foi olhar para a frente, bateu-se de frente com Bianca que, por consequência do suco estar em um copo descartável na sua bandeja, virou tudo em suas roupas, deixando seu casaco Adidas coberto de maionese e suco de uva.
- Deveria ter tomado mais cuidado, monstrinho. Pois, além de feia, é uma lerda lesada! Tenho pena de você! - Disse Bianca, como quem não quer nada e, quando virou-se com suas seguidoras para sair fazendo seu "desfile" no meio da sala, Kath pegou a latinha do suco que estava na bandeja antes de ser derrubada, pegou e jogou com força em Bianca. Seu vestido sujou, e ela começou a chorar copiosamente gritando e chamando a diretora. Kath foi parar novamente na detenção.
Não deixaria mais que aqueles desastres acontecessem, tomaria cuidado... Para a diretora não estar por perto!
Resolveu então, pegar o diário, após terminar os deveres. Abriu e iniciou a leitura.
25 de Novembro de 1911
Hoje acordei cedo, penteei bem meus cabelos, vesti meu melhor vestido e perfumei-me com a melhor colônia de Paris que ganhei em meu 14º aniversário, com aroma de rosas e jasmins. Mamãe avisou para que eu estivesse pronta hoje, desde muito cedo para receber meu irmão Jacobs, que estará voltando da Europa com Millene e Edmund. Foram todos passar uma temporada por lá, pois o clima está ameno, diferente daqui, que está muito quente nesta época do ano, e para uma criança tão pequena quanto meu fofo e roliço sobrinho, não lhe faria muito bem.
Estarão para chegar a qualquer momento, então, devo descer em breve e ficar nos jardins esperando a carruagem que irá buscá-los no porto. Millene é um doce comigo, e muito atenciosa também. Espero que tenham trazido muito presentes, como da outra vez, em que trouxeram-me lindos vestidos de seda e sapatinhos de princesa.
Fim a 1º página. Batia com a história que Margareth havia lhe contado. O irmão, a cunhada e o sobrinho.
Refletindo sobre o que havia lido, concluiu que Mag amava o irmão e adorava sua família e que, se o que contaram sobre o passado de sua família fosse verdade, então poderiam existir certos porens mais a frente naquela história.
Levantou e foi até a janela. Passava o dedo indicador pelo tecido de seda quando ouviu sons de pedrinhas sendo jogadas contra a janela.
Ficou prestando atenção no som, para ter certeza de que realmente ouvia aquilo. Parecia coisa de criança. Era surreal alguém estar jogando pedrinhas em sua janela, afinal, o vizinho mais próximo ficava a 10 KM de distância. Como ficou muito curiosa, puxou a cortina para olhar para baixo. O céu estava lindamente estrelado e a lua no céu, grande e cheia.
Olhando para baixo, era possível ver Dy acenando para sua janela, para depois fazer um sinal com a mão, indicando que era para ela descer. Abrindo um sorriso, ela pegou o diário e saiu correndo do quarto, sorrateiramente, para que ninguém lhe incomodasse.
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- Porque me chamou para passear a essa hora Dyeiden? - Perguntou, enquanto caminhavam pelo gramado.
- Precisava falar com você, talvez até... passarmos um tempo juntos, o que acha? - Ela abriu um sorriso bobo. - Acho ótimo, realmente maravilhoso! Afinal, você também é o único da minha idade por aqui, com quem posso conversar e ao qual me entende. Não fica me perturbando o tempo todo.
- Nem sempre ficamos solitários porque queremos. Ás vezes, é porque não conseguimos ou não temos como aproximarmos de outros. Sei que é assim, não sou tão diferente de você. Conheço o modo como vive sua família, a minha trabalha para a sua à 5 gerações, então, basicamente, sei muito sobre vocês ou, como podem ficar. Por isso eu a compreendo.
- Espera! 5 gerações? Como pode isso? Você sabe tudo sobre mim, minha vida e minha família, e eu, nada sobre você! Vocês são o que? Algum tipo de clã que segue outro eternamente? Isso é meio bizarro.
Chegando a beira do lago, Dyeiden sentou no gramado, admirando a lua refletindo seu explendoroso brilho no lago, com uma iluminação encantadora. Os dois admiraram aquela imagem belíssima por um tempo, banhados pela luz da lua, que refletia da água para eles, ouviam grilos cricrilando.
- Porque eles nunca foram embora?
- Eles? Quem? - Perguntou de volta Dy, com ar inocente de quem não havia entendido.
- Eles, sua família. Porque nunca foram embora daqui? Parece até que estão presos por uma maldição! - Tentou ironizar Kath, mas Dy a olhou da mesma forma e, com tom ofendido, respondeu: - Você mal começou a ler o diário, não é?
- C-como? O que uma coisa tem a ver com a outra? - Perguntou, espantada. - Pensei que tínhamos saído para conversar numa boa, para eu poder ouvir o que você sente, mas são só coisas sem sentido nenhum... Me procure quando resolver pôr as cartas na mesa e abrir o jogo comigo! - Disse, muito irritada e, pegando a bolsa, saiu pisando fundo pelo gramado, as pantufinhas rosa afundando e enchendo de lama ao redor e na pelugem.
- Espera Kath! Você não entendeu! Me deixa te explicar melhor! KATH! KAAAATH! - Gritava ele, estendendo a mão. Depois a abaixou, desistindo. Teria de esperar ela se acalmar para conversarem melhor.
- Como ele é idiota! Porque não notei isso antes? Perdendo meu tempo assim... Achei, pensei, imaginei... Até sonhei com um encontro com esse garoto e ele age dessa forma estúpida? Me faz de boba e me enrola. Podia ter ficado em casa tocando minha guitarra antes de dormir, e não ter saído para ser decepcionada dessa forma... Olha só para minhas pantufas, minha mãe vai pegar muito no meu pé.... - Exclamou, jogando as pantufas com força na porta, fazendo uma marca igual a um chute surgir perto da maçaneta. Se jogou na cama, cobriu-se, virando para a janela,olhou para a lua, até adormecer.
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Kath
Kath
Kath
Estava perto do lago, correndo de camisola branca, olhando para todos os lados, procurando por quem chamava seu nome.
Não desista Kath, jamais desista de saber a verdade!
- Quem é você? Onde está? Como posso ajudá-la? - Gritava, olhando para todos os lados.
Não desista
Descubra a verdade
Não desista
Não importa o quanto lhe digam
Kath foi ficando muito assustada, pois aqueles sons começaram a vir de todos os lados, de cima, atras, dos lados, passando com muita força, de forma fantasmagórica, deixando zumbidos muito altos em seus ouvidos. - Pare, pare com isso! - Pedia, cobrindo os ouvidos com o som ficando extremamente alto e caindo de joelhos.
Não pare
Não desista
Você precisa descobrir e revelar a verdade
- Que verdade? Sobre o que? - Gritava acima do som ensurdecedor.
Apenas... Não desista!
O som parou. Kath lentamente foi afastando as mãos e levantando o rosto, soltando gemidos de dor, um pouco de sangue escorrendo das orelhas. Olhou devagar ao redor, com medo daqueles pedidos ensurdecedores recomeçarem, arfando de medo.
- Não desista Kath! Todos precisam saber o que aconteceu! - Disse uma voz, muito familiar atrás dela.
- Mas quem é... - Sem terminar a frase, arregalou os olhos e soltou um grito apavorado. Não era uma boa visão que estava tendo. Uma garota com o corpo imunda, coberta de sangue, com cortes na garganta, as órbitas dos olhos vazias, toda retalhada.
- Só pode ser brincadeira! Um pesadelo louco de medonho esse! - Pensava apavorada, quase completamente paralisada de medo.
Levantou, sem tirar os olhos daquela visão medonha e correu. O máximo que pôde.
- Me deixa em paz! - Gritava Kath, enquanto corria descontroladamente pelo gramado, que parecia se estender cada vez mais, pois aquela criatura vinha voando, girando pelo ar.
- Não fuja Kath, não vou te ferir, preciso da sua ajuda! - Gritou aquela garota.
Quando Kath pensou em parar para talvez conversar, deu uma olhada de canto e viu um machado aparecer na mão da criatura, envolto nos trapos que abanavam no ar.
- Mas nem a pau que eu paro agora. - Viu um galpão, onde ficavam o fogão á lenha e os bancos, onde todos se reuniam no inverno rigoroso para prosas e contar causos para passar o tempo.
Puxou a porta várias vezes, bateu e desistiu. A porta estava trancada. Quando olhou para trás, a criatura chegou onde ela estava, parou a centímetros de seus rosto, as órbitas de seu olhos pareciam pulsar, um cheiro terrivelmente medonho de morte, lixo e carne em putrefação. Engoliu em seco. O estômago revirava e ela começou a sentir ânsia com aquele cheiro horrível, que lhe deixava arrepiada.
- O-o que você quer de mim? - Perguntou em um fio de voz, suando frio e encolhendo-se contra a porta do galpão. Não tinha escapatória.
- Sua ajuda. - Disse a criatura e, da mão escondida, apareceu uma faca e cravou com força em cheio no estômago de Kath, que perdeu o ar e sentiu sua camisola se ensopando, com uma poça vermelha de onde jorrava o sangue.
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Acordou em um sobressalto, os olhos arregalados, arfando profundamente, a barriga dolorida e os lençóis cobertos de suor, metade no chão.
- Foi um pesadelo. - Percebeu, sentindo que os ferimento não estavam mais ali, e estava no quarto, sozinha novamente. Ficou com medo novamente. Começou a chorar.
- Não faça mistério, pois odeio quando alguém faz isso comigo! - Deu um berro, não gostando da forma séria como ele falou.
Com um suspiro, ele falou calmamente:
- Você nunca soube de nada sobre a história desta casa, de sua família, de nada que aconteceu a cerca de 70 anos atrás, não é mesmo, minha doce Kath?
- Mas do que é que você está falando Dyeiden? O que pode ter acontecido que seja necessário que eu saiba? - Perguntou, totalmente confusa.
- Mas é claro, como pude ser tão ingênuo? - Ele brincou, dando um tapinha na própria testa. - Sua mãe nunca lhe contava histórias de sua família, de como ela adquiriu esta casa ou até de o porque de você sentir fantasmas, ouvir e passar através de espelhos e até de ser dominada, por o que parece, ser algum "monstrinho" que a controla e não permite que lembre de nada pelo qual passou nos últimos minutos. - Ele fez silêncio. - Talvez... Até mesmo porque seu pai foi embora, ou sumiu quando você era pequena. - Ele completou, deixando-a de olhou arregalados com o que ele acabara de dizer. Dy sabia sobre seu pai? Mas como? Quando?
- Como sabe tudo isso? - Ela chegou mais perto, para não perder nenhuma de suas palavras.
Com um sorriso de canto, ele respondeu:
- Para isso, é necessário que você venha comigo até a biblioteca da casa, para que eu lhe mostre os registros em diário, de uma antepassada sua.
Saíram apressados do quarto e atravessaram o corredor até a biblioteca. Quando entraram, Kath ficou impressionada com a quantidade de livros existentes naquelas paredes. Dy levou-a até a mesa, abriu a gaveta, pegou um livro grande de capa dura
e estendeu-o para ela dizendo:
- Abra-o agora, e entenda um pouco mais do que aconteceu, pois você precisará. - Disse, como se fosse algo místico.
- Tá certo, vou ler este, obrigada! - Agradeceu, dando um beijo no rosto de Dy, que corou de imediato. Em seguida, ela saiu e foi para o quarto.
Sentou na cama, largou o livro e pegou a guitarra.
- Mas que bobagem. - Pensou ela. - Não posso ser uma chorona estúpida que tem medo de um livro velho. Afinal, é só um diário! - Pensava, procurando diminuir a vontade de jogar o diário no lixo e esquecer aquela história.
Decidiu, então, pegar a mochila. Abriu-a, pegou o caderno e foi fazer seus deveres. Era questão de minutos para que ela fizesse seus deveres.
Dificilmente recebia nota menor que 9 em cada uma delas, nem ao menos precisava estudar muito, ou mesmo prestar atenção nas aulas, pois apenas uma única passada de olhos por seus cadernos e ela já conseguia lembrar tudo. Então passava mais tempo estudando para outras matérias.
Não gostava muito de educação física, por exemplo, por precisar se mexer e, principalmente, por ter de jogar com outras pessoas. Era indispensável patricinhas no jogo... Porque sempre elas? Seria alguma espécie de teste? Ter de suportar as favoritas do colégio caso algo acontecesse a elas?
Como no jogo em seu antigo colégio, como na cena do filme "Sexta-Feira muito louca". Ela foi dar o saque, distraída com Bianca, a mais popular do colégio, uma patricinha fresca que tinha todos na palma da mão, ficava rebolando e atirando beijos para os garotos na quadra de vôlei ao lado, incluindo Fred. Em um momento de ciumes e pequeno erro de cálculo, ela deu o saque e acertou o topo da cabeça de Bianca, que caiu estatelada no chão, e Kath foi parar na detenção. Ou quando estava no refeitório procurando seu grupo da banda, com uma bandejinha com um sanduíche e um suco de uva. Olhava ao redor mas não os avistando, deu meia volta e, no momento em que foi olhar para a frente, bateu-se de frente com Bianca que, por consequência do suco estar em um copo descartável na sua bandeja, virou tudo em suas roupas, deixando seu casaco Adidas coberto de maionese e suco de uva.
- Deveria ter tomado mais cuidado, monstrinho. Pois, além de feia, é uma lerda lesada! Tenho pena de você! - Disse Bianca, como quem não quer nada e, quando virou-se com suas seguidoras para sair fazendo seu "desfile" no meio da sala, Kath pegou a latinha do suco que estava na bandeja antes de ser derrubada, pegou e jogou com força em Bianca. Seu vestido sujou, e ela começou a chorar copiosamente gritando e chamando a diretora. Kath foi parar novamente na detenção.
Não deixaria mais que aqueles desastres acontecessem, tomaria cuidado... Para a diretora não estar por perto!
Resolveu então, pegar o diário, após terminar os deveres. Abriu e iniciou a leitura.
25 de Novembro de 1911
Hoje acordei cedo, penteei bem meus cabelos, vesti meu melhor vestido e perfumei-me com a melhor colônia de Paris que ganhei em meu 14º aniversário, com aroma de rosas e jasmins. Mamãe avisou para que eu estivesse pronta hoje, desde muito cedo para receber meu irmão Jacobs, que estará voltando da Europa com Millene e Edmund. Foram todos passar uma temporada por lá, pois o clima está ameno, diferente daqui, que está muito quente nesta época do ano, e para uma criança tão pequena quanto meu fofo e roliço sobrinho, não lhe faria muito bem.
Estarão para chegar a qualquer momento, então, devo descer em breve e ficar nos jardins esperando a carruagem que irá buscá-los no porto. Millene é um doce comigo, e muito atenciosa também. Espero que tenham trazido muito presentes, como da outra vez, em que trouxeram-me lindos vestidos de seda e sapatinhos de princesa.
Fim a 1º página. Batia com a história que Margareth havia lhe contado. O irmão, a cunhada e o sobrinho.
Refletindo sobre o que havia lido, concluiu que Mag amava o irmão e adorava sua família e que, se o que contaram sobre o passado de sua família fosse verdade, então poderiam existir certos porens mais a frente naquela história.
Levantou e foi até a janela. Passava o dedo indicador pelo tecido de seda quando ouviu sons de pedrinhas sendo jogadas contra a janela.
Ficou prestando atenção no som, para ter certeza de que realmente ouvia aquilo. Parecia coisa de criança. Era surreal alguém estar jogando pedrinhas em sua janela, afinal, o vizinho mais próximo ficava a 10 KM de distância. Como ficou muito curiosa, puxou a cortina para olhar para baixo. O céu estava lindamente estrelado e a lua no céu, grande e cheia.
Olhando para baixo, era possível ver Dy acenando para sua janela, para depois fazer um sinal com a mão, indicando que era para ela descer. Abrindo um sorriso, ela pegou o diário e saiu correndo do quarto, sorrateiramente, para que ninguém lhe incomodasse.
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- Porque me chamou para passear a essa hora Dyeiden? - Perguntou, enquanto caminhavam pelo gramado.
- Precisava falar com você, talvez até... passarmos um tempo juntos, o que acha? - Ela abriu um sorriso bobo. - Acho ótimo, realmente maravilhoso! Afinal, você também é o único da minha idade por aqui, com quem posso conversar e ao qual me entende. Não fica me perturbando o tempo todo.
- Nem sempre ficamos solitários porque queremos. Ás vezes, é porque não conseguimos ou não temos como aproximarmos de outros. Sei que é assim, não sou tão diferente de você. Conheço o modo como vive sua família, a minha trabalha para a sua à 5 gerações, então, basicamente, sei muito sobre vocês ou, como podem ficar. Por isso eu a compreendo.
- Espera! 5 gerações? Como pode isso? Você sabe tudo sobre mim, minha vida e minha família, e eu, nada sobre você! Vocês são o que? Algum tipo de clã que segue outro eternamente? Isso é meio bizarro.
Chegando a beira do lago, Dyeiden sentou no gramado, admirando a lua refletindo seu explendoroso brilho no lago, com uma iluminação encantadora. Os dois admiraram aquela imagem belíssima por um tempo, banhados pela luz da lua, que refletia da água para eles, ouviam grilos cricrilando.
- Porque eles nunca foram embora?
- Eles? Quem? - Perguntou de volta Dy, com ar inocente de quem não havia entendido.
- Eles, sua família. Porque nunca foram embora daqui? Parece até que estão presos por uma maldição! - Tentou ironizar Kath, mas Dy a olhou da mesma forma e, com tom ofendido, respondeu: - Você mal começou a ler o diário, não é?
- C-como? O que uma coisa tem a ver com a outra? - Perguntou, espantada. - Pensei que tínhamos saído para conversar numa boa, para eu poder ouvir o que você sente, mas são só coisas sem sentido nenhum... Me procure quando resolver pôr as cartas na mesa e abrir o jogo comigo! - Disse, muito irritada e, pegando a bolsa, saiu pisando fundo pelo gramado, as pantufinhas rosa afundando e enchendo de lama ao redor e na pelugem.
- Espera Kath! Você não entendeu! Me deixa te explicar melhor! KATH! KAAAATH! - Gritava ele, estendendo a mão. Depois a abaixou, desistindo. Teria de esperar ela se acalmar para conversarem melhor.
- Como ele é idiota! Porque não notei isso antes? Perdendo meu tempo assim... Achei, pensei, imaginei... Até sonhei com um encontro com esse garoto e ele age dessa forma estúpida? Me faz de boba e me enrola. Podia ter ficado em casa tocando minha guitarra antes de dormir, e não ter saído para ser decepcionada dessa forma... Olha só para minhas pantufas, minha mãe vai pegar muito no meu pé.... - Exclamou, jogando as pantufas com força na porta, fazendo uma marca igual a um chute surgir perto da maçaneta. Se jogou na cama, cobriu-se, virando para a janela,olhou para a lua, até adormecer.
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Kath
Kath
Kath
Estava perto do lago, correndo de camisola branca, olhando para todos os lados, procurando por quem chamava seu nome.
Não desista Kath, jamais desista de saber a verdade!
- Quem é você? Onde está? Como posso ajudá-la? - Gritava, olhando para todos os lados.
Não desista
Descubra a verdade
Não desista
Não importa o quanto lhe digam
Kath foi ficando muito assustada, pois aqueles sons começaram a vir de todos os lados, de cima, atras, dos lados, passando com muita força, de forma fantasmagórica, deixando zumbidos muito altos em seus ouvidos. - Pare, pare com isso! - Pedia, cobrindo os ouvidos com o som ficando extremamente alto e caindo de joelhos.
Não pare
Não desista
Você precisa descobrir e revelar a verdade
- Que verdade? Sobre o que? - Gritava acima do som ensurdecedor.
Apenas... Não desista!
O som parou. Kath lentamente foi afastando as mãos e levantando o rosto, soltando gemidos de dor, um pouco de sangue escorrendo das orelhas. Olhou devagar ao redor, com medo daqueles pedidos ensurdecedores recomeçarem, arfando de medo.
- Não desista Kath! Todos precisam saber o que aconteceu! - Disse uma voz, muito familiar atrás dela.
- Mas quem é... - Sem terminar a frase, arregalou os olhos e soltou um grito apavorado. Não era uma boa visão que estava tendo. Uma garota com o corpo imunda, coberta de sangue, com cortes na garganta, as órbitas dos olhos vazias, toda retalhada.
- Só pode ser brincadeira! Um pesadelo louco de medonho esse! - Pensava apavorada, quase completamente paralisada de medo.
Levantou, sem tirar os olhos daquela visão medonha e correu. O máximo que pôde.
- Me deixa em paz! - Gritava Kath, enquanto corria descontroladamente pelo gramado, que parecia se estender cada vez mais, pois aquela criatura vinha voando, girando pelo ar.
- Não fuja Kath, não vou te ferir, preciso da sua ajuda! - Gritou aquela garota.
Quando Kath pensou em parar para talvez conversar, deu uma olhada de canto e viu um machado aparecer na mão da criatura, envolto nos trapos que abanavam no ar.
- Mas nem a pau que eu paro agora. - Viu um galpão, onde ficavam o fogão á lenha e os bancos, onde todos se reuniam no inverno rigoroso para prosas e contar causos para passar o tempo.
Puxou a porta várias vezes, bateu e desistiu. A porta estava trancada. Quando olhou para trás, a criatura chegou onde ela estava, parou a centímetros de seus rosto, as órbitas de seu olhos pareciam pulsar, um cheiro terrivelmente medonho de morte, lixo e carne em putrefação. Engoliu em seco. O estômago revirava e ela começou a sentir ânsia com aquele cheiro horrível, que lhe deixava arrepiada.
- O-o que você quer de mim? - Perguntou em um fio de voz, suando frio e encolhendo-se contra a porta do galpão. Não tinha escapatória.
- Sua ajuda. - Disse a criatura e, da mão escondida, apareceu uma faca e cravou com força em cheio no estômago de Kath, que perdeu o ar e sentiu sua camisola se ensopando, com uma poça vermelha de onde jorrava o sangue.
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Acordou em um sobressalto, os olhos arregalados, arfando profundamente, a barriga dolorida e os lençóis cobertos de suor, metade no chão.
- Foi um pesadelo. - Percebeu, sentindo que os ferimento não estavam mais ali, e estava no quarto, sozinha novamente. Ficou com medo novamente. Começou a chorar.
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