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quinta-feira, 10 de março de 2016

Pass X Fure Capítulo 13: Lembranças e Revelações

Na noite seguinte, já em casa, quando fui dormir, aconteceu algo tão estranho e revelador que eu até fiquei assustada. Fora que cheguei em casa e estava chovendo, logo depois de sair da festa e correr sem rumo pelas ruas até umas 2 horas, me deparei no gramado em frente ao sobrado da minha família, sem nem ao menos ter percebido como fui parar lá... Estava me sentindo tão entorpecida e sonolenta que mal notei que tremia de frio boa parte do trajeto, subi as escadas até meu quarto, deixando uma grande trilha de barro e chuva pela casa. Entrei no quarto, tirei o excesso de roupas molhadas, tomei um banho e vesti uma roupa qualquer, me jogando na cama, tentando esquecer o que havia acontecido. Percebi vagamente que entravam várias mensagens no celular e ele tocou até pouco mais das 4 horas. A cabeça ainda estava as voltas com tantas revelações e tantos acontecimentos da noite anterior.
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Me sinto perdida. Não de perdida nas ruas, mas perdida em mim. Estou vagando nas ruas desde às 11 horas da noite. É frio, mas eu não ligo... Simplesmente  não estou sentindo de tanta tristeza.
Quando viro em uma esquina, ouço as vozes de Rose e Dyeiden discutindo sobre como irão fazer para me encontrar, e meu celular toca naquele momento. Não quero falar com eles e, quando percebo que eles ouviram meu celular tocar, dou meia volta e começo a correr sem rumo, tentando me esconder, ouvindo os passos deles atrás de mim, chamando meu nome. Começo a sentir sombras ao meu redor de novo e sinto medo. Só agora começo a sentir o vento frio congelando meu corpo, e percebo que estou com medo.
Corro sem rumo por várias ruas, até encontrar uma entradinha, e ir entrando nela de costas, verificando se não fui seguida. Quando penso que o local está seguro e posso parar um pouco, sinto que minhas costas batem em alguma coisa, e não é uma parede. Eu gelo. Viro lentamente para olhar o que pode ter atrás de mim, e vejo um rapaz mais alto que me olhando com certa malícia, e maldade nos olhos. Meu medo aumenta.
- Finalmente eu consigo ficar a sós com você! Não sabe como foi difícil de encontrá-la, por estar correndo por aí! Mas finalmente você está aqui. Agora, poderemos nos divertir um pouco! O que acha, doçura? - Disse ele, tentando se aproximar, estendendo a mão até meu braço. Instintivamente eu lhe dou um tapa na mão e recuei. - Está se fazendo de difícil comigo? - Disse, meio rindo, me agarrando pelos ombros. Senti uma onda de pânico que travava a minha língua, não conseguindo falar, mas reagia por instinto, felizmente, mesmo não conseguindo mover um único músculo naturalmente. Dei-lhe um empurrão para fazer ele me soltar. Me deu um tapa no rosto de forma tão inesperada que fui parar no chão. - Está tentando se fazer de difícil comigo? Mas não pode fugir de mim. Eu a encontro e pego você, mas não brincando e com tanta paciência como aqui... Eu posso ser muito cruel! - Falava, enquanto vinha me pegar pelos cabelos e me levantava do chão. Comecei a sentir minha consciência falhando, e aquela raiva cruel que me dava força, borbulhando para fora. Não sei se ainda aguentaria. - Parece que machuquei você no olho... - Ele deu uma gargalhada deliciada, olhando o local onde havia abrido um pequeno corte com o tapa - Pelo visto você gosta bem selvagem! Mas não se preocupe, irei machucá-la como você gosta! - Disse, dando outro tapa forte no meu rosto, me fazendo mordê-lo na mão em seguida, com toda a minha força. Comecei a sentir o gosto salgado de sua mão e sangue escorrendo entre meus dentes, enquanto ele gritava. Quando o soltei, mal conseguia enxergar, por causa da minha modificação. Logo perderia o controle.
- Sua vaca! Vou acabar com você... - Ele nem chegou a terminar a frase, porque alguém se jogou em cima dele.
Ele gritava enquanto tinha seu pescoço massacrado por mordidas e arranhões profundos. Lutava para tentar se livrar, mas aquela pequena criatura em cima do seu corpo se esbaldava com seus gritos, mantendo seu corpo bem preso ao chão.
Eu estava no chão, ainda paralisada de surpresa, tremendo e arrepiada, sem conseguir mover um único músculo. As mudanças novamente haviam sido interrompidas.
Quando parou de morder e arranhar, levantou lenta e calmamente, afastando um pouco as mãos do corpo, de onde escorriam pequenos filetes, por onde pingavam sangue. Com a fraca luz que vinha de um poste na rua deserta, podia ver seu pequeno corpo para a sua idade, as roupas sujas e, ao virar um pouco o rosto coberto por seus caxos ruivos, pude ver que sangue pingava de sua boca, escorria do queixo para o pescoço, formando uma poça no casaco escuro. O corpo no chão estava imóvel, morto. O pescoço... Totalmente dilacerado e com veias rasgadas sobre a pele. Eu mal podia acreditar que ela conseguiria fazer isso, sendo tão frágil...
Virou lentamente para mim, me deixando ainda mais horrorizada com o que eu via. Seus olhos haviam mudado para um vermelho muito forte, que brilhava contra a luz.
- Ora... Você parece surpresa em me ver! - Disse, abrindo um sorriso, exibindo dentes cobertos de sangue, com caninos levemente maiores que o normal, os olhos voltando á sua cor normal, mas a voz levemente rouca. - Não tinha percebido ainda que éramos como você, não é? - Parecia tão calma, mas equilibrada e séria como uma adulta, como ficava para resolver um problema.
- Ro-Rose! C-Como você... - Gaguejei, não encontrando palavras para me expressar, tamanha a minha surpresa.
- Se me der uma chance, explicarei tudo para você!
Apenas fiquei olhando para ela. Não sabia o que dizer. Subitamente consegui um pouco de força para sair do meu transe.
Então levantei e corri.
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Em algum momento começou a chover, não sei ao certo quando... Deveria ser meia noite ou perto. Minha mente era um turbilhão, eu estava com medo, com frio e molhada, com uma raiva e um desespero crescente dento de mim, transbordando de uma maneira que eu sentia que iria explodir. Era sufocante e desestabilizador. Eu sentia um furacão passando por dentro. Destruindo. Explodindo.
Quando estava chegando em uma esquina, sem prestar atenção no caminho, de tão absorta e perdida nos pensamentos, esbarrei em alguém que vinha igualmente apressado e, com a batida, que vínhamos quase correndo no meio da chuva, terminamos no chão, embolados e grudentos da chuva. Uma verdadeira confusão.
Quando consegui sentar, olhei para quem estava na minha frente, e vi os cabelos de Judith embolados em um coque mal feito e encharcado, sua maquiagem borrada com a chuva, tremendo e encharcada. Parei por um instante para imaginar como eu não estava depois de pegar tanta chuva e me desarrumar.
- Meu Deus, Kath! Finalmente encontrei você! - Ela levantou depressa, o rosto iluminando ao constatar que era eu. - Estava tão desesperada em te achar! Precisamos conversar!
- Sei... Estava desesperada mesmo em me encontrar? Ou era desesperada para dizer o quanto o beijo do Dyeiden foi bom e que ele tem pegada? Ou que você tava bebendo e encontrou a boca dele por engano e não resistiu? Me poupe das suas desculpas, sua duas caras! - Explodi com ela, não suportando a minha raiva e o desprezo dela naquele momento.
- O que? Não! Como pode pensar isso de mim? Eu nunca traí a sua confiança! Aquilo foi... Foi...
Fiquei ainda mais brava porque ela tentava ainda justificar o porque de ter beijado ele, apesar de saber que eu gostava dele.
- E ainda tenta inventar uma desculpa? Você não presta, sua falsa!
- Kath, me deixa explicar... Não foi bem assim... - Tentou tocar meu braço, e eu me desviei, chegando no meu limite.
- Não encosta em mim, ou não respondo por mim! - Ameacei, fazendo menção de sair dali. Ouvi alguns passos de alguém correndo, e imaginei que a Rose-Farejadora já tinha chegado.
- Espera Kath, não... - Nem dei tempo para ela terminar o pedido, puxando meu braço. Eu me virei e dei um tapa no rosto dela com toda a minha força, fazendo o estalo ficar mais alto com a chuva, que desabava pesadamente. Ela me olhava perdida e surpresa. Mesmo na luz fraca pude ver seu rosto ficando muito vermelho onde eu tinha batido. Minha mão ardia, mas eu não me importava.
- Não ouse tentar me confundir, Judith. O que você fez foi imperdoável! Você beijou o garoto que eu gosto na minha frente. Sabe como doeu em mim ver aquela cena? Sabe o quanto tá doendo aqui olhar pra você agora? - Apontei para o meu peito, que doía muito, como se eu fosse infartar ou coisa parecida.
Rose tinha chegado e assistia a tudo, quieta em um canto. Também chamei ela para a briga.
- E você Rose, o que faz aqui? Vai me dizer que também não sabia de nada? - Acusei, tentando descobrir a verdade.
- O que? Não! Kath, fiquei tão surpresa quanto você! Eu realmente não sabia, muito menos desconfiava de nada! Juro pra você! - Ela parecia sincera. Não é do tipo que mente sobre algo sério.
- Vai ficar do lado de quem afinal? - Perguntou ela, fazendo um gesto com as mãos, como lembrando de algo que elas eram cúmplices. Fiquei mais furiosa.
- Eu não fui nem um pouco a favor do que você fez ela, Judh!
- Querem saber? Eu vou me mandar! Chega disso tudo por essa noite para mim! Rose, depois arruma minhas coisas pra mandar pra minha casa. E, a propósito, o que foi aquilo mais cedo, naquele beco?
- Judh arregalou os olhos, não sei se de surpresa ou assustada. Rose não encontrava palavras para se explicar.
- Ora, esqueçam.
Fui saindo, antes que uma delas pudesse dizer alguma coisa. Mas algo aconteceu.
Na rua deserta, começaram a aparecer figuras escuras de todas as direções, e eu pensei ser a única a ver aquilo, no meio da rua, pois as duas discutiam atrás de mim. Quando vi, estávamos cercadas, e as figuras eram pessoas. Rapazes. Estavam todos de preto.
- Ora, ora. O que será que estas jovenzinhas fazem na rua, no meio da chuva, á noite, sozinhas? Não é estranho rapazes? - Os outros concordaram.
As duas ficaram caladas e eu me juntei a elas. Já tinham percebido também. Estávamos cercadas.
- Droga, esses babacas de novo?
Eles foram se aproximando e nós três, instintivamente, nós afastando, vigilantes.
- Como será que poderemos nos divertir com elas, rapazes? - Brincou um deles, fazendo os outros rirem ironicamente.
- O que nós vamos fazer agora? - Perguntei para elas, tentando conter minha irritação e meu medo.
- Corre! - Declarou Rose, fazendo nós três dispararmos para onde tinha um portão, logo atrás de nós, fazendo com que eles disparassem atrás de nós.
Como eu odeio ter que correr para algum lugar ou de alguém! Odeio!
Pulamos uma cerca, Rose ficando com um pé preso na descida, nos atrasando. Ao ver que aqueles caras já estavam pulando a cerca também. Puxamos ela e corremos o mais rápido que podíamos, passando nos pátios das casas, virando latões de lixo e derrubando todo o tipo de objeto que encontrávamos no caminho, para podermos atrasá-los. Estávamos morrendo de medo do que eles podiam fazer conosco.
Era difícil de atrasar aqueles caras.
Quando já havíamos percorrido um longo caminho, feito muita sujeira e jogado o que tinha no caminho para pará-los, sem sucesso, pois eles não tinha a menor dificuldade em passar por nossas armadilhas improvisadas, vimos um local onde estava ocorrendo uma festa e corremos para lá. Pedimos ajuda aos seguranças, mas não nos deram atenção, pensando que queríamos entrar sem pagar o ingresso e nos mandaram embora. Estávamos perdidas.
Ao ver que todos vinham em nossa direção, corremos para dentro de todos os modos possíveis: Pulando por cima das pessoas; Pulando ou passando por baixo das catracas; Empurrando as pessoas contra os seguranças para não nos pegarem, fazendo um grande tumulto, com objetos voando por todos os lados, e pessoas reclamando quando esbarrávamos nelas, completamente encharcadas.
Dentro da boate, tinha um cheiro muito forte, que eu logo reconheci como sendo maconha, que só era usado nas cabines VIP, Vodca misturada com todos os outros tipos de líquidos, fazendo bebidas estranhas e fortes.
Nós três nos misturamos na multidão, nos abaixando para não sermos vistas, ouvindo a confusão na porta que havíamos deixado para trás, com aqueles caras também burlando a segurança e entrando. Fomos com calma para os banheiros e nos escondemos todas juntas em um privado.
Após fechar a porta e se deixar sentar em qualquer canto, tentamos respirar um pouco, devido a correria e o cansaço, e quem parecia pior era Judh, com uma marca roxa ao redor dos lábios, que não parecia ser de frio. Respirava com um pouco mais de dificuldade, incrivelmente pálida, com muito suor escorrendo por todo o rosto.
- O que foi Judh? Você não parece bem... - Perguntei, a contragosto, preocupada.
- Nada... Eu... - Engoliu em seco, tendo dificuldade para falar - Só... Estou terrivelmente cansada... - Respirou bem fundo para se acalmar, antes de prosseguir - Não estou gostando nada disso... O que eles querem conosco? - Perguntou, a voz rouca.
Era a pergunta que não queria calar... O que aquele grupo queria conosco? Se quisessem nos assaltar, não teriam perdido tempo conversando. Se iriam abusar de nós, não iriam se dar ao trabalho de nos seguir até dentro de uma boate.
- Bom, eu não sei... Mas temos que dar o fora daqui... Ou eles podem entrar aqui e nos encontrar! - Falei, olhando para fora pelo canto da porta, verificando se estava seguro, saindo lentamente, fazendo sinal para que elas saíssem também.
Nos misturando com a multidão na pista de dança, nos afastamos um pouco para não ter o perigo de um deles nos encontrar. Mas foi no sair dali que nos demos mal... Tinha um de vigia do lado de fora.
Ele agarrou Judh pelo braço, aproveitando que ela estava mais lenta por não estar se sentindo bem. Começamos a gritar e pular em cima dele para soltá-la, chamando a atenção dos seguranças novamente. Dois deles vieram até ali em nosso socorro e, quando fizeram o rapaz soltar o braço dela, voltamos a correr para longe.
Devemos ter corrido mais umas duas quadras, até chegarmos em frente à um prédio, que fazia divisão com um condomínio, e fomos nos esconder lá.
Estávamos ofegantes, vermelhas, e tão ensopadas que a pele e as roupas não se diferenciavam mais. Olhei para as duas, e notei que Judh não estava melhor. Apesar das bochechas em fogo, o restante era pálido demais, e o arroxado ao redor da boca estava mais intenso, cobrindo seus lábios e subindo pelas feições do rosto. Seus olhos estavam sem brilho e parados, como os de alguém doente.
- Judh, acho que devemos ir a algum posto ou no hospital! Você está com uma aparência horrível! Parece que vai morrer! - Falei, preocupada, tentando colocar medo nela para fazê-la aceitar. Olhei para Rose, procurando seu apoio, e notei que ela parecia assustada. Massageava discretamente o peito, aparentemente com dor, e estranhamente, estava ficando com os lábios um pouco roxos também. Levei em conta que ela sentia frio com mais facilidade e que poderia estar congelando, mas no momento eu não tinha como ajudar. Também estava encharcada e com frio. Judh não pôde mais disfarçar e apoiou-se no pilar a sua frente, fazendo esforço para respirar.
- Judh, por favor! Estou com muita raiva de você, mas também estou preocupada. Sei que não estamos bem, mas você está pior! Me diga o que você tem! Parece que vai morrer! - Declarei, ficando assustada.
- Eu... Estou tonta e nauseada... Já... Não posso sair sozinha... Medo... Eu tenho medo que eles nos encontrem... Foi isso... O que provocou essa crise... - Ela estremeceu. Tinha dificuldade em falar, e estava tremendo com cada vez mais violência. Ao chegar perto para apoiá-la, notei que corriam lágrimas por seu rosto, que misturavam com as gotas de chuva.
- Rose, venha me ajudar... Não posso levar ela sozinha...
- Desculpe Kath... Eu não posso... - Falou e, quando olhei para ela, estava sentada, tremendo, com lágrimas correndo dos olhos. Devia estar em pânico também. Eu não culpava ela, também estava com medo, e com uma sensação muito ruim...
- Finalmente encontramos vocês! - Ouvi uma voz masculina dizer satisfeita atrás de nós. Quando me virei, eram os rapazes que nos perseguiam. Estremeci, com um pavor sufocante por dentro, me sentindo paralisar.
- E então rapazes, o que faremos com elas? - Perguntou um deles.
- Não, talvez... Começar tirando essas roupas molhadas... O resto veremos em seguida - Declarou um deles, sorrindo irônico.
Naquele momento, descobri o porque de Judh estar ficar apavorada em sermos encontradas: Ela sentia tanto medo, porque era epilética. Seu pavor foi tanto que desabou no chão, depois de muito esforço para levantar, e começou a se debater com violência e a espumar pela boca.
Um dos rapazes ria.
- Não adianta fingir que está passando mal, vocês não vão escapar de nós. - Declarou um deles, se aproximando para agarrar meu braço.
- Se afasta, não vê que ela não está fingindo? É epilética! - Gritei, para geral, sem ter a garantia que ficariam realmente longe. Me joguei no chão em seu socorro, lembrando um pouco o que havia sido ensinado na minha antiga escola sobre os cuidados com pessoas tendo crises epiléticas. Imediatamente retirei a bolsa dela do braço para não enrolar e botei sob sua cabeça com cuidado, para não se machucar batendo a cabeça no cimento duro. Procurei firmar um pouco as pernas em um só lugar até os espasmos acalmarem, para ela não se ferir.
- Rose, me ajude... - Comecei, mas desisti, ao vê-la chorando e gritando muito alto, abraçando as pernas e balançando o corpo para frente e para trás, como se estivesse tendo um surto psicótico. Era uma cena aterradora, assustadora e muito, mas muito bizarra. - O que querem de nós? Estamos precisando de ajuda, porque nos perseguem? - Eu gritava para eles, mesmo sabendo, no fundo, que não receberia uma resposta, mas com ainda uma pequena esperança de que alguém, transeunte ou mesmo morador do condomínio, ouvisse os gritos e chamasse por socorro para nós... Por favor...
- Vamos! Não temos a noite toda para esse teatrinho idiota de meninas assustadas! - Falou um deles, me dando um puxão pelo braço, me afastando de Judh. Para revidar, equilibrei as mãos no chão, mantive o peso sobre a perna que estava embaixo e, com um impulso forte, dei-lhe uma rasteira, deixando-o cair desavisado no chão.
- Não toque em mim! - Ameacei, meu rosto muito próximo do dele, rosnando, minha voz transbordando rouca com a raiva que eu sentia. - Se um de vocês tocar em mim, ou em qualquer uma de nós de novo... Eu juro que acabo com vocês! - Ameacei, agachada, com os braços abertos como um escudo protetor ao redor delas.
Eles pareciam até mesmo surpresos, me deixando ainda mais surpresa por minha reação deixá-los abalados.
Me virando, ouvi uma tosse fraca. Judh estava com um pouco de brilho nos olhos agora, a boca um pouco espumada, respirando com um pouco de dificuldade. Fora isso, parecia bem. Chegando perto dela, me abaixei para ouvir o que ela estava tentando dizer.
- Mandou bem, sua maluca! Agora estamos fritas! - Declarou, dando uma risada baixa, seguida de um acesso de tosse. Ainda devia estar engasgada. - Estou com falta de ar e... Muito frio.
- Você vai ficar bem, não se preocupe... - Nem mesmo eu tinha certeza disso.
Ao longe, podíamos ouvir sirenes. Então alguém no prédio viu a cena... Graças a Deus! Virei para o lado, e Rose havia desabado para o lado, respirando com dificuldade. Devia ter ficado muito cansada com o ataque de pânico.
Minutos depois, quando uma ambulância e duas viaturas da polícia chegaram, cercando os rapazes, eles correram, espalhados para todos os lados, tentando fugir. Alguns foram pegos tentando pular muros e portões. Outros correram até o fim da rua e felizmente foram cercados.
- Rose, está melhor? - Perguntei, cansada.
- Eles estavam recebendo ordens de alguém! Eu sei! Vi um deles no telefone durante as ameaças e depois falando com os outros! - Disse de maneira exausta, sem responder à minha pergunta.
Quando vieram buscar Judh e ajudar Rose, perguntaram se eu estava bem e eu disse que sim, para ser deixada para trás. Dei informações sobre os ataques das duas e esperei que todos entrassem na ambulância, apenas para sair correndo novamente no escuro, com lágrimas nos olhos, abaixo de chuva forte, com Rose pendurada na porta e um socorrista tentando puxá-la para dentro enquanto ela gritava meu nome.
Minutos depois, comecei a receber chamadas no celular molhado e grudento no bolso. Eram de Rose e Dyeiden.
Ele já deve ter sido avisado do ocorrido. Pensei, com um sorriso irônico. Vou para casa, para meu refúgio desprotegido. Meu quarto.
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Andei por todas as avenidas restantes que eram verdadeiros riachos, que davam para o interior da cidade.
Passei por aquelas estradas de chão batido com pedras, completamente encharcadas e lamacentas, me cobrindo até o rosto com respingos de barro cada vez que eu tropeçava em alguma pedra que não enxergava. Estava somente com a luz da tela do celular, que mal acendia por ter ensopado dentro do casaco e agora, mas ainda, por causa da água que escorria entre meus dedos. Não havia iluminação, exceto pelas luzes das varandas de fazendas que eu passava no caminho. Meus dentes batiam violentamente de frio agora e eu mal sentia minhas mãos e minhas pernas. Já tinha até medo de ter pneumonia de tão frio e de tanta chuva a que eu me submetera por teimosia. Por um momento me arrependi de ter fugido. Não, mas não posso me arrepender, apenas ajudei Judh porque é algo que qualquer um faria, mas não significa que eu a tenha perdoado ou ao Dyeiden. Estava um caco e confusa.
Resolvi ir para o chuveiro tomar um bom banho quente para me aquecer e tentar manter a pouca calma que eu tinha.
Quando voltei ao quarto, vesti uma roupa confortável e deixei os cobertores espalhados na cama e ao redor dela, me sentindo mais acolhida e aconchegada, como se fosse um abraço quente e protetor chegando para me salvar...
Resolvi dar uma espiada nas mensagens, apenas por curiosidade. A primeira era de Rose.
Pra onde vc foi? Ñ precisa de cuidados médicos? Tô preocupada c vc! Me liga!
A segunda era do Fred...
E aí doçura? Gostou do bjo? Aceita ser a minha dama agora? Fred
Quando abri a terceira, me arrependi enorme e amargamente. Era de Dyeiden. Senti toda minha raiva mal contida explodindo enquanto lia e ficando com a velha reação destrutiva.
- Idiota, o q pensou q estivesse fazendo? Pq fugiu de nós? Vc entende td errado e ainda quer ter razão? Estou voltando pra casa ainda hoje e, se quiser falar comigo, é só me chamar... Dy
Comecei a chorar.
Chorei de raiva, de tristeza, de mágoa... Meu peito doía tanto que parecia que meu pranto e a dor jamais passariam. Queimava, parecendo que rasgava por dentro, me destruindo de forma cruel, como se todos ao redor rissem da minha situação. Eu me apaixonei pelo cara errado outra vez e não sabia. Até agora.
Isso me irritava tanto... Saber que estava sendo engana pelo Dyeiden o tempo todo e que podia ter outra pessoa esperando por mim me deixava perdida...
Explodi!
Tranquei a porta do quarto e comecei a virar tudo. Virei móveis, chutei objetos. Peguei uma peça qualquer no chão e joguei contra o espelho. Fiquei apenas olhando minha imagem distorcida e estranha no espelho da penteadeira, agora todo quebrado. Vi apenas uma criança perdida, de rosto bonito, vestida com roupas escuras e estranhas para a maioria, escondida em baixo de muita maquiagem e de uma expressão emburrada, agora com o rosto lambuzado de linhas molhadas traçadas por lágrimas com lápis. Ali não existia alguém forte e com um pilar resistente, e sim, uma criança que foi abandonada a própria sorte e, quando pensou que estava estruturada, foi novamente descartada pela maldade alheia e voltou àquele inferno novamente.
Não querendo continuar a ver minha imagem daquela maneira, empurrei a penteadeira até cair e estilhaçar o restante do espelho. Joguei o banquinho contra a parede, fazendo um barulho enorme. Comecei a ouvir batidas na porta e vozes me chamando.
- VÃO EMBORA! - Gritei, fora de mim, a voz rouca pelas lágrimas.
- Filha, o que está acontecendo aí? Quem está aí com você? Que barulho foi esse? Está machucada? - Perguntava minha mãe, curiosa, a voz abafada pela porta. Não parecia nenhum pouco preocupada comigo, ou minha raiva me consumia a ponto de entender tudo errado.
Seja lógica, Kathlyn! Ponha essa cabeça para funcionar!
Ignorei aquela vozinha na minha cabeça que me mandava pensar sempre.
Foi pensando que eu to tão ferrada agora, meu bem!
Respondo, exasperada.
- Sai daqui, Yoland! E leve junto quem você tenha trazido para me importunar.
- Está tudo bem? Porque não abre a porta? - Ela começou a forçar a maçaneta, e pude ouvir vozes junto com a dela. Devem estar juntos para arrombar a porta do meu quarto.
- Saiam! Vão embora! Me deixem em paz... - Meus gritos estavam sendo reduzidos a choramingos à medida que eu ia chorando, desconsolada. Me abracei nos cobertores, apenas vendo a medida que iam desistindo e indo de volta para os quartos, pois a porta não arrebentou, mesmo sendo muito antiga. Voltei a deitar na cama, me sentindo exausta, sem ligar para a zona na qual se tornou meu quarto.
A janela ficou aberta, deixando um vento frio entrar, mas eu não tinha a menor vontade de levantar para fechar. Foi chorando que adormeci, para sonhos transtornados e lembranças cruéis misturadas.

Estou correndo
Tudo está branco ao redor
E névoa
Sinto coisas geladas tocando minha pele
É chuva
É uma chuva de verão, e tem névoa de madrugada
Mamãe falou
Eu parei, parei e olhei meus sapatinhos cor de rosa e meu vestido com flores
Ainda sou criança, mas eu não era grande?
A cena mudou
Fui levada para a sala de casa, e chove muito lá fora
- Você tá com frio, Marcos?
Perguntei ao meu irmão caçula, que está aprendendo a expressar o que sente
Ele faz que sim com a cabeça
Vou para o quarto pegar o cobertor dele e nossos paninhos para me aconchegar junto
Escuto mamãe e papai discutindo no quarto deles
Não quero ficar ouvindo, mas não resisto e vou espiar pela fresta da porta
- Porque não contou que você tinha um "problema" de família, e que passaria para eles?
- Achei que não quisesse mais ficar comigo!
- Eu sempre te amei! E só agora, nestas circunstâncias, descubro o seu segredo!
- Iria contar antes, mas não esperava que a Kathlyn sofresse a mutação, não tão criança!
- Mas sabia que ela mudaria, como um monstro, e não me disse?
- Nossos filhos não são monstros, Yoland! Eu a proíbo de falar deles assim!
- Porque não disse que ela faria isso?
- Porque foi a primeira mulher na minha família que nasceu primogênita! E eu jamais esperaria sinais antes dos 10 anos! Não nela!
- Isso significa que o Marcos logo atacará como ela? Eu não posso acreditar na sua ignorância!
- Eu espero que não! Mas a Kath só mordeu o braço daquela menina porque ela lhe roubou a boneca!
- Lucas, você está ouvindo o que está dizendo? Ela mordeu outra criança! E não foi uma mordidinha, a garota foi internada no hospital, em estado de choque precisando de transfusão de sangue! Tem ideia do que é isso?
- Ela não sabe o que fez!
- Claro que não terá recordações claras, mas sabe!
- Não! Ninguém da minha família que mudou assim teve recordações depois...
Mamãe parece frustrada. O que será que eu fiz de tão grave?
A cena mudou outra vez, e estou gritando, correndo para a porta, mas mamãe segura a barra do meu vestido e me puxa para seu colo. Papai saiu com as malas dele e do meu maninho, e Marcos me chamava. Eu me debati e esperneei até cair dos braços da mamãe. Corri para a janela no meio da chuva e gritei para eles, mas mamãe me puxou para dentro e, não sei porque, jogou algo na minha cabeça e desmaiei.
Eu acordo em uma sala escura
Estou com uma roupa de inverno, e sinto um pouco de frio
Olho para os quartos, vejo as camas do dormitório da clínica
Sinto uma onda de pânico, estou presa novamente?
Levanto rapidamente do chão e uma das meninas senta na cama
Está de olho fechado, e começa a falar
Sinto arrepios toda noite que isso acontece
Ela levanta e passa por mim, indo até a porta
Pede para que eu vá com ela e que não tenha medo
Ela passa pela porta sem abri-la
Sigo ela e descubro que também faço isso
Vamos andando até o final do corredor
Entramos em uma sala onde tem uma cadeira elétrica
Outras meninas estão lá e me levam até a cadeira
Quando me sento, ela é ligada, sem nenhuma segurança, e eu grito
Todas estão com um sorriso falso
Começo a sentir tudo...
Ouço meu coração batendo
Tum-dum, Tum-dum, Tum-dum...
Então me lembro de tudo
Como se meus olhos estivessem abrindo pela primeira vez
Estou em um lugar claro, com luzes que piscam como estrelas e o infinito...
Margareth está na minha frente
E ao mesmo tempo não está, porque é meu reflexo no espelho
Mais de um espelho, estou com um vestido simples
Parece todo sujo, e estou descalça
Ando até ela
Agora vejo o quanto somos parecidas
- Esperei muito tempo até este momento - Diz ela.
- Como... Como conseguiu?
- Confie em mim! Vou mostrar tudo! Feche os olhos e estenda a mão até a minha! - Pediu, erguendo a dela. Estava fechado meus olhos e estendendo as mãos ao mesmo tempo e vi uma luz saindo do meio entre nossas mãos.
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Estou com minhas malas prontas! Hoje fugirei com aquele que amo! Nunca irei casar um Conde ao qual eu não amo! Não podem me forçar!
Vou silenciosamente pelo corredor da Casa Grande e ouço vozes alteradas do quarto do meu irmão, Jacobs, com a esposa, Millene. Eles pareciam discutir sobre a senhor Angela, mãe do meu amado Miguel.
-Isso é um verdadeiro insulto para mim Jac! Como pode me acusar de estar tendo um caso com um dos serviçais? - Ela estava escandalizada com uma suposta acusação do meu irmão, e eu mal podia acreditar no que eu estava escutando.
- Você está se encontrando com o jardineiro, sua mentirosa! Eu sei! Vi tudo! - E lhe deu um tapa, fazendo ela cair na cama.
- Como pode dizer isso? Do que mais irá me acusar? De que Edmund não é seu filho também?
- Vejam só! Era justamente isso que eu gostaria de lhe perguntar! Será que esse bebê que está esperando também não é dele?
- Por Deus! Não posso acreditar nesta calúnia!
- Você não seria a única a ter casos com serviçais!
- É verdade! Ou pensa que não descobri que Margareth é sua filha com uma serviçal que sumiu e que o rapaz, Miguel, é seu filho com a tia dela? Sim, eu sei de tudo!
Estou abismada, NÃO!
- Angela é louca! Mas foi uma boa diversão, assim como sua irmã! O problema é que a maldita é uma bruxa poderosa, e amaldiçoou minha família.
- É mesmo? E qual seria ela?
- Que não podemos nos aproximar, eles e nós, em relacionamento amoroso novamente, ou será morte dos dois lados. Mas já tive problemas o suficiente com você, Millene! - Vi o momento em que ele montou nela e lhe deu um beijo possessivo e agressivo. Fui sair andando, abismada... Quando ele ergueu uma adaga e lhe perfurou o coração, matando-a subitamente. No susto tropecei, fazendo barulho, e imediatamente me pus a correr.
Encontrei Miguel à minha espera do lado de fora.
- Onde está sua mala?
- Não temos tempo, precisamos partir!
- Qual o motivo do seu pranto, meu amor?
- Eu...
Não tive tempo de responder. Jacobs chegou, nos encarando da porta, com as mãos sujas de sangue.
- Onde pensa que ia, minha filha?
- Senhor, se me permite?
- Quieto, Miguel! Depois tratarei com você! O assunto agora é entre eu e minha filhinha querida!
- O que?
Miguel estava com um fio de voz.
- Jacobs, por favor, não faça nada conosco... - Eu estava com muito medo.
- Eu sei que você descobriu tudo! Vi você descendo a escada, mas não pense que vai escapar assim! Aturei esta maldita encenação esse tempo todo por meus pais, mas agora chega! E se pensavam que iriam fugir, estão enganados. Você vem comigo!
- Não vou permitir que a machuque! - Miguel se colocou entre nós, e Jacobs enterrou a adaga em seu peito, fazendo uma grande mancha vermelha aparecer em suas costas. NÃO, POR FAVOR!
- MIGUEL! - Gritei, sem conter meu pranto.
Quando ele tentou lutar, teve a garganta cortava e caiu no gramado, morto.
Me pus a correr, totalmente destruída por dentro.
Alguém me ajuda.
Meu corpo irradiava e tremia de medo, de pavor.
Ouvi o som de um tiro e parei, meu peito queimando. Quando toquei, minhas mãos avermelharam.
Meus Deus, me ajude.
Fiz a volta pelo celeiro e voltei correndo para a Casa Grande, com a esperança que alguém me visse, o ar faltando em meus pulmões.
Corri para o andar de cima, e a casa estava em completo silêncio. Não teria saída nem ajuda.
Subi até a minha sala especial, onde ficaria protegida por dentro.
Quando cheguei, me joguei contra o espelho e fiquei ali, orando.
Quando ouvi um movimento, pensei em me esconder, mas não teria onde. Estava abandonada a própria sorte.
- Não deveria fugir de mim! - Falou, entrando. Ele tinha um foice na mão e na outra, a pistola.
- Jacobs, por favor...
- Quieta! Não quero ouvir mais nenhum pio.
Por favor, alguém me ajude
E cortou minha garganta, fazendo tudo ficar escuro.
Apenas tive a última visão de seus olhos avermelhados e os dentes parecendo mais pontudos e salientes na boca, enquanto ele me enterrava em algum lugar do gramado atrás da casa, pois eu podia ver a janela da minha sala especial. Não vi mais nada!
Jacobs inventou uma história para a família que Miguel havia me atacado, me assassinou, meu corpo sumiu e ele precisou matar Miguel, por motivo de honra da família. Ninguém fez nada a respeito, acreditando ser tudo verdade o que ele falou. A família seguiria com a mesma relação, pois acreditavam que nós dois tínhamos sim um relacionamento amoroso proibido. Desconheciam que fossemos primos-irmãos.
Jacobs não nos matou meramente por diversão. Ele era louco! O mais louco da linhagem.
Nos matou por querer que seu filho assumido ficasse com a herança, e seguisse na família de sangue puro. Eu era filha bastarda, e meu amado também, com a minha tia. Ele nem ao menos foi assumido por Angela ser louca, querer ser a dama da casa, e isso jamais seria permitido no meu tempo.
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Estremeci ao notar que a visão tinha acabado. Ainda sentia meu peito doendo e a falta de ar pelo corte na garganta.
- Agora é com você, Kathlyn! - Anunciou Margareth.
- Como assim?
- Sua missão foi dada! Irá encontrar meu corpo e descobrir a única prova que incrimina Jacobs pelo meu assassinato e o de meu amado, Miguel!
- Mas o que eu tenho a ver com isso? O que tem a ver...
- É a peça que quebrará o ciclo amaldiçoado da família!
- Mas porque eu?
- Porque você é a minha encarnação! E Dyeiden é Miguel! Este ciclo já teve muitas voltas, mas chegou a hora de parar! Vocês são os escolhidos. Vá tratar com a avó dele, e vocês terão um tempo para resolver tudo!
Ficou difícil digerir tanta informação!
- Não se preocupe, você está pronta! Confie em seus amigos e você conseguirá! Agora, toque minha mão!
Quando o fiz, ela virou uma nuvem dourada brilhante cheia de estrelinhas e se fundiu em mim, me deixando ligada nela.
Quando abri os olhos, já era dia claro. Estava ensopada de suor e respirava com certa dificuldade. Começou na minha cabeça uma torrente de lembranças bloqueadas pelos medos e traumas e outras que não deveriam me pertencer.
Eu começaria a preparar a próxima etapa dos meus desafios, agora sabendo tudo o que me escondiam.
Investigar e revelar a verdade. Essa era minha missão de liberdade.