Lista de Músicas

domingo, 2 de março de 2014

Pass X Fure Capítulo 3: Primeira viagem no espelho

Lentamente, Kathlyn acordava. Estava deitada de bruços no piso do sótão, com os cabelos caindo sobre o rosto, bagunçando com sua respiração. Colocando uma das mãos no chão e dando impulso, levantou-se o suficiente para se debruçar sobre os cotovelos, olhar ao redor e tentar entender o que estava acontecendo, porque desmaiou e porque aquele quarto velho e sujo, mal iluminado, cheirando a mofo e cheio de tralhas estava tão bem iluminado e parecia de um tom de rosa claro. Nem ao menos parecia o mesmo quarto, o que a fez pensar se estaria em casa ainda, ou se havia sido levada para outra casa, como acontece durante uma festa com uns amigos, uma pequena reunião que encheu de penetras e logo virou uma confusão, e, quando Kath acordou, estava no banheiro da biblioteca, no centro da cidade, mal lembrando o que havia acontecido, apenas com um galo na cabeça.
Quando sentiu as forças voltando e a curiosidade aumentando, sentou-se sobre os calcanhares e começou a olhar ao redor, realmente o lugar era todo claro, bem iluminado, com espelhos, sem entulhos e com desenhos de bailarinas nas paredes. Seria a mesma casa? - Pensou. Ou havia ocorrido algo que não lembrava?
Antes que encontrasse alguma resposta, sentiu uma pancada forte na nuca, que a fez bater a cabeça contra o piso e voltar para cima com o impulso, sem entender nada, e com a dor forte na cabeça. Sem avisos, levou outra pancada, que a fez jogar para o lado e tentar ver o que estava atingindo-a, quando a viu... Ela era muitíssimo parecida com Kath, mas seus cabelos eram um pouco mais longos e ela não tinha mechas, além de usar vestido longo de modelo antigo, da realeza. A garota estava com olhos esbugalhados de terror, olhando fixamente para Kath, com os braços acima do corpo, com o que ela definiu como uma vassoura, que seria com o que a garota há havia acertado.
- Quem é você? Porque a sala está tão clara? Porque está me batendo com esta vassoura e... - Kath olhou no espelho para ter certeza do que ia dizer a seguir. - Porque você se parece tanto comigo? - Perguntou, tentando entender o que estava ocorrendo.
- Como apareceu desfalecia no meio de minha sala de música? Quem é você forasteira? Como entrou aqui? O que quer? Se é dinheiro, lhe darei, para que siga seu caminho, ainda mais com estas roupas... - A garota olhou-a por cima, com tamanha estranheza para as roupas que Kath usava.
- Meu nome é Kathlyn Baumtos Sanyer. Não sei como apareci aqui, não quero seu dinheiro, minha cabeça está doendo e... ei, não me olhe assim, estas roupas são a ultima moda! - Disse Kath, levantando, com um tom incrédulo na voz.
A garota, mais tranquila, abaixou a vassoura, e com uma leve reverência, cumprimentou-a, apresentando-se:
- Meu nome é Margareth Baumtos Kertine, filha da baronesa Eleonora Baumtos Kertine e do duque Harry Baumtos. Não posso dizer claramente que é um prazer conhecê-la pelas circunstâncias.
As duas postaram-se uma diante da outra, para se olharem bem, notando que realmente não havia muitas diferenças entre elas.
Depois deu uma olhada na sala a qual encontrava-se. Era realmente enorme, muito clara, mas não tinha mais nada fora do lugar, pois estava inteira, bem conservada... e limpa. Era uma linda sala de música, e Margareth deveria passar muito tempo ali. Havia desenhos de passos de ballét na parede, para inspirar quem quer que fosse dançar ali.
Era uma sala muito mais bonita. Mas como havia ido parar ali, do nada, e ela estar completamente diferente? Precisava sair dali o quanto antes, mas como? E em um ímpeto de desespero, foi correndo até do porão, que ainda era a mesma, abriu-a e desceu correndo, esgueirando pelos cantos, com medo do que mais haveria de encontrar pelo caminho.
- Não vá por ai Kathlyn! Alguém pode vê-la! - Chamava Margareth.
- Aí garota, me deixa em paz! Preciso dar um jeito de sair daqui e você está me atrapalhando.
- Mas como chegou aqui? Digo, qual sua última lembrança de antes de chegar aqui? - Perguntou Margareth.
- Olha Meg, posso chamá-la assim né? - Ela concordou. - Muito bem. Minha última lembrança, eu estava com o gato do Dy. Desculpa, o Dyeiden, é um dos criados da casa. Estávamos limpando o sótão, que é muito parecido com esse na verdade, quando ouvimos uma pancada no andar de baixo, ele desceu para verificar, eu fiquei lá esperando-o, fazendo a faxina, quando encontrei este broche no chão, toquei no espelho que estava perto, senti um solavanco estranho... deve ter caído minha pressão por causa do ar parado naquele lugar, então desmaiei e, quando recobrei a consciência, estava aqui, com você batendo na minha cabeça. - Finalizou Kath, com um tom de ironia no final.
- Eu perdi o broche a alguns dias, ele é meu! E me desculpe! Procure entender o meu lado, eu estava dançando, ensaiando os passos, quando você caiu ao meu lado, acordou balbuciando coisas sem sentido. Eu precisava me defender, pois poderia ser alguém tentando me sequestrar.
- HÁHÁHÁ! E porque alguém tentaria te sequestrar garota? O que você teria de grande coisa? - Debochou Kath.
- Minha família é rica, poderiam pedir um resgate altíssimo. - Afirmou Mag, enquanto Kath envergonhava-se por haver esquecido aquele detalhe.
- Bom, agora que sabemos que ninguém fará mal a ninguém, poderemos conversar melhor. Eu sou Kath, tenho 14 anos, sou nova na cidade, viemos morar em uma casa fora da cidade, eu e minha mãe, somos de Santa Catarina, minha mãe recebeu a propriedade de herança de um bisavô, eu acho. Então nos mudamos para cá, Estrela Dourada, no Rio Grande do Sul. Acho que ainda estamos aqui, não é?
- Sim, estamos! Eu sou Mag, tenho 16 anos, moro aqui desde meu nascimento, meu irmão Jacobs volta hoje da Europa com sua nova esposa Millene e seu primeiro filho, Edmund. Eu frequento a escola Pa. Joaquim Spil, que tem 20 anos de fundação, e você?
- Frequentarei esta também na segunda-feira! Engraçado, a que vou frequentar tem cerca de 100 anos de fundação. Muita coincidência os nomes... - As duas riram.
- E o seu pai Kath, porque não veio junto? - Perguntou inocentemente Mag.
Um pouco a contragosto, Kath respondeu seca e amargamente: - Ele sumiu no mundo a muito tempo, deixando minha mãe e eu desamparadas. Minha mãe com um emprego que mal nos sustentava, e eu com 2 anos, que ficava com babás ou vizinhas, para que minha mãe trabalhasse. Discutimos muito por pequenas coisas, pois sentimos falta de alguma ajuda, pois a família também é afastada demais.
- Desculpe mais uma vez Kath, não quis parecer indelicada, mas eu não podia saber...
- Tudo bem, já acostumei com isso.
- Voltemos lá para cima, mas vamos ao meu quarto. - Convidou Mag, delicadamente.
- Foi mal, mas tenho que descobrir como vim parar aqui. - Respondeu Kath, decidida.
- Tudo bem, eu a ajudarei.
Voltaram para a sala de música e, enquanto Mag foi olhar pelas janelas para tentar encontrar alguma resposta, Kath aproximou-se do espelho. Depois, tudo ocorreu muito rápido. Com um toque, Kath começou a ser puxada para o espelho. Antes que pudesse fazer algo, já estava sendo levada de volta.