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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Pass X Fure Capítulo 15: O traidor e os apaixonados

As coisas na escola estavam voltando a se equilibrar para o meu lado, eu até não estou entendendo bem o que vem ocorrendo, tem uma certa... calmaria no ar. É como se tudo estivesse em estática, parado, a energia estalando, apenas esperando algo para tornar tudo inflamável e explodir de uma vez.
Desde que fiquei de castigo, os problemas parece que simplesmente fizeram puf, e sumiram.
Sério, até sinto medo desse suspense.
Célya simplesmente parece ter esquecido que eu existo e voltou a tentar assumir o grupo de populares, mas não parece estar sendo bem aceita. Como eu sei? Digo com base no que vi outro dia: Ela chegou com suas seguidoras no grupo de populares veteranos do ensino médio ( que no momento se encontram sem líder definido devido a última eleita ter se formado em dezembro!), e ela foi jogar seu charminho para lhes fazer a cabeça mas... Elas disseram algo e foram embora, deixando uma Célya furiosa, toda vermelha de raiva, pensando em um plano mirabolante de vingança para ser aceita a todo custo e tornar-se a nova líder do "clã". Suas seguidoras não gostavam quando isso acontecia, pois tinham de fazer esforços inúteis na tentativa de agrada-la para que esta se acalme.
Já não vejo mais Judith e Dyeiden andando sempre juntos... (será que o paraíso está ruindo?).
Mas o que vem me preocupando é a Rosely... Anda muito calada, evitando as pessoas, sempre triste e desanimada, sem brilho, chorosa e até... Evitando ser tocada. Não é do feitio isso, pois ela é muito chiclete sempre abraçada nas pessoas, carentona, rindo a toa e extremamente agitada e desastrada... Tenho até medo do que pode ser desta vez...
E quanto a mim? Bem... Eu continuo viajando pelo espelho, agora que sei como atravessar o portal, estou descobrindo mais sobre o passado, e sei que Margareth (ou eu) morreu por traição de alguém de confiança, que avisou de sua fuga... Mas ainda existem coisas que não entendo.
Já estou sentindo algo de diferente na minha relação com Fred... Sinto ele distante já faz algum tempo, mas... Como eu disse, está tudo muito quieto, apenas suspeitas.
Nas aulas, fico irritada com Dyeiden, me vigiando quando não olho para ele, mesmo que eu sinta o calor que me percorre e deixa meu rosto em fogo, mas fingindo total indiferença quando me atrevo a olhar para ele. Judith sempre fica indiferente a tudo, como se não ligasse... E Fred anda distraído ao ponto de que eu imagine se ele ainda tem interesse em mim... Se bem que eu, bom... Estou cansando dele.
Mas, foi um tempo depois, logo após eu terminar um ensaio em grupo e estar guardando meu equipamento antes de sair que Rosely entrou esbaforida, bufando, muito sufocada, com as mãos apoiadas nos joelhos, erguendo um dedo pedindo atenção para falar, mas desistindo ao baixar a cabeça para respirar novamente. Ficou assim por um tempo, até recuperar bem o fôlego, sem ter percebido que todos na sala haviam parado com o que estavam fazendo, até mesmo alguns colegas foram perguntar se ela estava bem, e um rapaz pôs a mão em seu ombro, com ela discretamente se encolhendo ao seu toque e se afastando, dizendo que estava bem, que foi apenas a pressa de vir correndo que a deixou exausta. Ela se aproximou de mim, dando tchau para os que saiam, apenas ganhando tempo. Quando fazia esse tipo de coisa, de forma equilibrada, era motivo de preocupação para mim.
- Ok, o que pode ser tão sério para essa cena que você acabou de fazer aqui? Pensei que, dessa vez, você ia ter um ataque!
- Ora, por favor, Kath querida. Eu sei que eu exagero as vezes, mas também dou as minhas bolas dentro.
- As vezes Ro? Você tá doida? Tá sempre se apresentando... - Falei ironicamente, já assustada com ela...
- Ok, esqueça. Tem algo importante e sério que você precisa ver AGORA, algo importante, que explica isso... - Ela estava com a mão apoiada no braço, e decidi segui-la, obediente e silenciosa.
Fomos andando pelo corredor, saindo e, para minha surpresa, segui Rosely até a parte de trás da arquibancada do ginásio. Aquilo estava definitivamente me assustando. O que pode ser tão sério a ponto de... AimeuDeus.
PARA TUDO!
Rosely cobriu minha boca com a mão com força para que eu não fizesse barulho, para não entregar nossa presença atrás do pilar onde estávamos escondidas. Eu estava sem ar, com os olhos arregalados, surpresa com a cena que ela me faz assistir silenciosamente.
- Não faça barulho, que eu vou pegar o celular para filmar, para termos provas posteriormente. Me desculpe não ter falado nada antes que eles seguiam se encontrando, mas você precisava ver com seus olhos. Não é justo que você esteja com o cara errado, certo? - Falava ela bem baixo no meu ouvido, para que apenas eu pudesse ouvir. Ela pegou o celular no bolso, cortou o som, agachou-se na minha frente e ficou ali por cerca de 1 minuto que, para nossa surpresa, ouvimos a conversa mais reveladora de todas!
- Nossa Frederico, seu beijo fica melhor a cada dia... Nem parece que beijar a esquisita sem-sal da monstrinha valia o esforço mas, afinal, foi bom para você treinar. Não acha?
- Ora, ora, majestade. Você me fazendo um elogio? É coisa rara... Quer dizer que treinar com ela foi bom então? - Ele sorriu, deixando meu coração totalmente partido ao perceber com o tom de brincadeira com o qual ele se refere a mim. Sem contar que ele não me defendeu da forma com a qual ela também debochou de mim, com o apelido que ela me colocou no primeiro dia. Mas é claro que viria mais por aí.
- Porque não termina logo com ela meu bem? Perdendo tempo com essa esquisita... Já não me entregou informações o suficiente sobre ela? - ... O que?...
- Você que me mandou ficar de espião, descobrindo o máximo de podres sobre ela e a família, e é isso que tenho feito até agora... Não seria o bastante?
- O bastante? Nunca é para mim! Se não fosse por ela, eu ainda estaria no topo da cadeia alimentar deste lugar, comandando tudo como faço desde que cheguei. Ela me desafiou desde o começo, e para agradecer, vou devolver o favor, expondo para todo mundo sobre as esquisitices dela e da família... - E deu uma grande gargalhada irônica com uma voz muito desafinada e roncando com o nariz.
Eles foram saindo, e Rose desligou a câmera, me puxando para perto, tomando o cuidado para que eles não me vissem.
Vou mandar para o grupo fechado das famílias pactuadas. Podemos precisar de ajuda logo. Frederico sabe muito sobre nossas famílias de "feras", assim como a Célya, que a mãe casou com um de nós... Mas os de fora sabem quase nada, e ela está querendo derrubar você com isso. Mas é efeito dominó. 80% desta escola é de crianças das famílias do pacto, as outras são só problemáticas mesmo ou o pai/mãe casou com um da nossa linhagem e teve um filho que pertence à família e que, por isso, os "normais" frequentam esta escola. Graças aos irmãos. Mas se ela fizer você cair, todos cairemos juntos. Teremos apoio.
Ela acessou uma página pelo celular e enviou o vídeo, que de membros continha o equivalente à todos que eu conhecia na cidade.
Mas minha cabeça não estava ali, estava no Fred, em suas palavras duras e na sua traição. Outra vez. Ele mentiu pra mim. Nunca gostou de mim. Começou a namorar para me usar. Não era á toa que as vezes eu sentia certa repunancia com sua presença. Ainda bem que nunca dormi com ele, ou estaria morrendo de arrependimento agora.
- Me mande o vídeo! Vou precisar mais tarde. - Dito isso, saí apressada. Tinha um termino de namoro para fazer e um carinha vigarista para expor.
Na frente da escola, cheguei a tempo de ver muita gente pegando o celular no bolso no momento em que recebiam e abriam o vídeo enviado pela Rô, incluindo eu mesma, já tendo na mão o que eu precisava para esfregar na cara dela sua automutilação. Ele veio tentando me abraçar, e eu me esquivei levemente.
 - Ei, aconteceu algo querida? Algum problema? - Perguntou, na maior cara de pau.
Comprimi os lábios com raiva, mas sabia que não estava ali sozinha para enfrentar a situação. Percebi que muitos assistiam surpresos ao vídeo, olhando para nós, ouvindo o comentário para o grupo que Rosely falou no final, ficando todos alertas e preparados ao nosso redor. Alguns, ao terminarem de assistir, se aproximaram e aguardaram, caso eu desse algum sinal.
- É engraçado você falar isso Frederico porque, sim, tem um probleminha aqui, um problema entre nós, um problema, inclusive, muito grave. - Falei, irônica, mudando meu tom para furiosa em seguida. - O grande problema que é VOCÊ, seu canalha maldito! Traidor! - Rosnei, quase sem conseguir me conter.
- Mas do que é que você está falando? - Ele deu uma risada sem graça, como se me chamasse de louca.
- Você não sabe, então, deixe que eu refresque sua memória! - Desbloqueei a tela do celular, abri o vídeo e virei a tela para ele assistir. Foi ficando pálido na medida que as imagens se desenrolavam na tela, e eu desliguei antes da parte sobre ir para o grupo. Ele não era digno disso.
- Háháháhá, é sério isso? A Rosely fez isso? É sério meu amor que você vai acreditar na montagem que aquela vaca invejosa fez? Por favor Kath... - Não deixei ele terminar. Deu um tapa tão forte no seu rosto que o deixou mudo de surpresa.
- Nunca mais fale da minha amiga desse jeito, tá me ouvindo, seu merda? Traiu minha confiança pela última vez com aquela piranha de quinta! E para sua informação, não é montagem, porque eu estava presente e assisti a sua maravilhosa performance como ator aqui, e lá! É sério, você devia ganhar um Oscar, por me enganar tão bem todo esse tempo... Mas agora chega! - E bati palmas para ele, em um silêncio mortífero nos cercando, sem graça nem beleza, só o clima pesado. - Pensou que poderia me enganar, mas eu tenho com ela algo chamado lealdade, coisa que você jamais teve comigo, e que eu quero me matar por ter tido por você. - Eu gritava pra ele, sem ligar para quem estivesse ouvindo. Eu estava dilacerada, e só queria pôr minha fúria para fora. - Nunca mais se dirija a Rosely da forma como falou aqui. E nem a mim. Acabou tudo entre nós. A partir de agora, não estamos mais namorando.
Eu me virei e ia sair, quando senti ele segurar meu pulso com toda a força, me puxando de volta. Ele estava me machucando.
- Escuta aqui, sua idiota, ninguém fala assim comigo e sai ileso... - Ele não terminou, erguendo a mão para me dar um tapa, quando Dyeiden chegou e segurou seu pulso.
- Ei, não acha que já fez o bastante Frederico? Solta ela. - Falou, muito sério.
- Não se meta, macumbeiro! - Falou Frederico, praticamente cuspindo as palavras no Dyeiden. - Vai fazer o que? - Desafiou.
- Eu? Vou deixar para o julgamento geral, afinal, as provas todas apontam para você! - Falou ele, soltando o pulso de Fred, que olhou para mim e me soltou, olhando ao redor. Várias câmeras de celular apontadas para nós, com imagens congeladas de Frederico me segurando com força, a outra mão ameaçadoramente erguida para me bater, com Dyeiden me defendendo, segurando sua mão, evitando que sobrasse para mim.
- Você ainda vai se ver comigo! - Me ameaçou ele.
- Será? Você está envolvendo muita gente nisso! Vá agora! - Eu falei, sentindo muitos alunos parados ao meu redor e atrás de mim, como uma corrente, todos com a fúria das feras borbulhando. Podia sentir todos nós conectados. Meus olhos, assim como o de todos, incluindo Dyeiden, brilhando em vermelho, como se fossemos atacar a presa da matilha, mas apenas dando um aviso de que ali todos eram família. Quando ele se afastou, todos se dispersaram, não sentindo mais o perigo, cada um tomando o caminho para casa.
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Eu achava que iria me sentir um tanto humilhada por toda a confusão pública mas, como sou eu, não foi para tanto. Apenas me incomoda o fato de ter de envolver tanta gente em assuntos particulares que só trazem problemas.
Já não bastasse o que aconteceu hoje durante a manhã, viria mais por aí...
Eu estava no ponto de ônibus dos alunos do interior, porque hoje Yoland saía mais cedo e não podia passar aqui. Foi quando Rosely veio novamente falar comigo.
- Ei, preciso falar uma coisa... - Pediu baixinho, para que só eu escutasse. Lá vem bomba.
- Precisa ser agora Rô? Não pode ser mais tarde ou amanhã, quando eu estiver com a cabeça mais fria? - Perguntei baixinho pra ela, com a menor vontade do mundo de conversar com alguém agora. Apenas queria pegar a droga do transporte, chegar em casa e me trancar no quarto antes que minha mãe descobrisse o que aconteceu hoje e viesse me cobrar.
- Eu... Preciso... Falar logo de uma vez... É... Sobre nós... Sobre o que sinto... - Ela falava cortado, muito nervosa, como se fosse a primeira vez que me encontra e não sabe o que dizer. Não sei porque mas... Não quero ouvir o quer falar.
- O que tem nós Rose? Por acaso não é minha amiga de verdade como a Judh? Fez algo do qual eu não te perdoaria? - Perguntei, chutando, para acabar o mistério. Minha cabeça estava em outro lugar.
- Não, pelo amor de Deus, não! Eu... Jamais mentiria assim para você...
- Então, o porque desse nervosismo? - Eu não olhava para ela, mas vi pelo canto do olho que o rosto dela estava tão vermelho quanto o cabelo... E ela respirou fundo, pronta para despejar...
- Achoquetoapaixonadaporvocêeporissofiqueidesejandovocêdescobriratraiçãodoseunamoradoparamedeclararporqueeueelenosodiamosporsuacausa! - Meu Deus! Pisquei algumas vezes, esperando meu cérebro traduzir o que ela tinha dito. Deveria ser uma vergonha pra ela ter falado desse jeito.
E graças ao bom Senhor, chegou o ônibus e eu subi, sendo seguida por ela, que ainda queria uma resposta para o que ela havia falado.
- Você não tem que ir pra casa? - Perguntei por ela estar me seguindo.
- O ônibus passa na frente da minha casa, caso não lembre!
Segui andando, mas senti alguém segurar a manga do meu casaco, me puxando, fazendo eu me virar. Era Dyeiden.
- O que você quer? Um obrigado por não deixar o Frederico me bater em público? Obrigada! Agora me solta! - Falei, puxando meu braço, mas ele não soltou.
- Nada disso! Eu só queria dizer que... Que eu te am... - E não terminou a frase porque, como paramos no corredor do ônibus, quando ele arrancou, perdemos o equilíbrio. Ele caiu se jogou em um banco e caiu deitado e, como não tinha me soltado, eu caí por cima dele, ouvido os gritinhos que os outros davam, mais alto que os nossos grunhidos com a queda.
- Que droga... Porque não me deixa em paz? Já não basta o que eu to passando hoje?
- Eu preciso te dizer?
- Dizer o que? - Perguntei, pulando de cima dele, esperando que sentasse, para que nos acomodássemos de forma decente nos bancos.
- Dizer que... Eu te amo! - Falou ele, emocionado, corado e tremendo.
Eu soltei uma enorme gargalhada sarcástica, demonstrando como eu não acreditava nele.
- Você? Depois de tudo o que disse e fez?
- Eu precisei! Não podia ficar com você!
- E porque será? Alguém te proibiu?
- A maldição que está na sua família, isso me proíbe, porque me atinge diretamente.
- Não me venha com essa.
- Posso provar.
- Então faça! - E ele fez.
Me puxou para seus braços e encostou nossos lábios. Aquilo nem chegava a ser beijo, pois era apenas um leve selinho, mas eu me senti nas nuvens, com o corpo quente e formigando, me encostando no banco com a moleza que senti do efeito que me causava.
- Err... Isso não é prova! - Disse, procurando forças para abrir os olhos após ele afastar-se. Podia ouvir um coro de huuuuuuuu atrás de nós.
- Espere um pouco! - Falou. E eu esperei. Fiquei surpresa e paralisada quando o vi tirar um lenço do bolso e cobrir o nariz, que agora estava deixando o lenço coberto de sangue.
Pensei em pedir ajuda, ia mesmo pedir, mas ele tocou meu braço, fez que não, me obrigando a esperar. Pouco depois, limpou o sangue, guardou o lenço, levantou a cabeça, o rosto um pouco pálido, dizendo:
- É isso que ocorre quando me aproximo demais de você e te toco. Um toque, algumas gotas de um leve corte; Um beijo, um sangramento nasal; Ter relações... Bem... Hemorragia interna até a morte! Não posso me aproximar demais até a maldição ser quebrada. - Ele explicou, e eu ainda digeria tudo e tentava acreditar no que dizia. - A maneira de quebrá-la, seria encontrando o corpo de Margareth Baumtos, que nunca foi localizado, apesar de que, sob todas as circunstâncias, tudo aponte por ainda estar na casa... Mas ninguém jamais encontrou.
Nesse tempo, o ônibus parou na frente da casa da Rosely e, quando ela foi descer, tocou meu braço e falou que falava comigo mais tarde.
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Desci do ônibus, novamente não querendo olhar para ele, que vinha atrás de mim, sem saber o que dizer. Não me conformo por ele ter demorado tanto tempo para me contar isso. Pior, escolher uma das minhas amigas para trair minha confiança somente para ficar longe de mim. É justo por eu machucar ele, mas poderia ter vindo falar sobre isso direto comigo, e não deixar a situação chegar ao ponto que chegou. Pensando assim, é até idiota esse plano dele, mas, como fez com que eu me afastasse deles por tanto tempo, apenas me deixava com raiva.
- Porque decidiu fazer assim? - Me virei bruscamente pra ele, fazendo-o parar e me olhar, surpreso. - Não podia ter resolvido tudo conversando? Tem ideia de quanto sofrimento causou? Fez eu me afastar da Judh... De você... - Fiz uma pausa. recuperando o fôlego.
- O efeito cai em você também! - Disse ele, passando as mãos pelos cabelos, trocando o peso de uma perna para a outra, claramente desconfortável em falar o que iria falar. - Eu sofro os efeito só em tocar você e qualquer coisa que eu fosse fazer com você mas... Se um dia viéssemos a ter algo mais, na hora você não sentiria nada mas... Nós dois iriamos morrer.
Eu não tinha palavras para responder a isso.
- Mas... E porque não aconteceu nada quando você estava com a Judith? - Prendi a respiração, esperando a resposta.
- Você viu como morremos na outra vida e... Minha mãe, enraivecida, jogou sobre as duas famílias a Marca de Sangue. Ela toca dois sangues, mantendo eles afastados. No momento em que eles se tocam, se misturam, incendeiam e explodem o interior dos corpos de seus donos, simplesmente congelando.
- Qual é o problema dessa família? Qual o problema delas? Qual é o problema de TODO MUNDO? - Esbravejei, depois entrei de supetão pra dentro do casarão, soltando fogo pelas ventas. - Porque temos que sofrer tudo isso? Ser obrigados a sentir essa dor? Porque eu não posso viver em paz? Se desde o início, nossos ancestrais idiotas não tivessem tanta sede por poder, não iríamos passar por tanto sofrimento; Não seriamos taxados de "esquisitos"!; Não entraríamos em guerra por causa da força... E não teria essa porcaria de maldição! - Eu estava histérica, gritando com ele na sala, minhas palavras ecoando. Sentia meu rosto queimando de raiva.
- Eu juro pra você, vamos dar um jeito! - Prometeu ele, dando um passo à frente para me alcançar, mas me esquivei, dando um para trás.
- Não prometa o que não pode cumprir! - Disse, virando e subindo correndo as escadas, com ele atrás de mim.
- KATH! KATH! - Gritou, antes de me alcançar na porta do meu quarto e antes que eu batesse a porta bem na cara dele. - Por favor, preciso que me perdoe. Eu... Eu não sabia como te afastar, e sabia que você correspondia as minhas expectativas quanto ao que eu sentia... - Ele falava, sabendo que eu estava encostada na porta, chorando e ouvindo tudo em silêncio. eu não sabia o que pensar. Parte de mim queria ouvir o que ele falava e gritar que também amava ele profundamente; A outra parte não conseguia acreditar, pelo simples fato de que ele também traíra minha confiança. Estou em um dilema. Uma escolha difícil. Como seguir amando e confiando nestas pessoas, que só me usavam, sem ligar para meus sentimentos, sem tentar me conhecer melhor, me entender...
Eu sei que pareço egoísta, mas eles foram egoístas primeiro, a vida foi. Isso me tornou forte, mas igualmente desconfiada.
- Podia simplesmente ter me dado um fora decente, além de ter me escurrassado naquela vez, no pátio! - Falei finalmente, deixando ele aparentemente sem reação, pois ficou um tempo em silêncio.
- Eu já perdi perdão! Sei que fui idiota, e que você me acha egoísta, que fiz você e as meninas passarem ridículo com aquela cena na festa...
- Ridículo é pouco! Sabe quanto tempo eu fiquei tentando me recuperar, digerindo o que eu fiz para não ter sido informada de nada daquilo?
- Eu sei. Me sinto terrível, mas entenda, eu não sabia como te afastar, ainda mais quando eu não estava mais aguentando ficar longe...
- E ainda resiste? - Perguntei, um fio de voz. Mesmo fazendo silêncio prolongado, sabia que ele tinha me ouvido.
- Na noite em que discutimos no seu quarto, em que ficamos muito próximos no seu quarto... Minha resistência quase foi para o beleléu, sentindo você embaixo de mim, o seu calor, o seu cheiro... - Ouvi uma leve batida na porta, e noite que ele encostou a cabeça na porta, suspirando, resignado. Quando percebi, a cena daquela noite dançava na minha cabeça. O corpo dele me prendendo, e o calor que emanava dele, o hálito contra meu rosto... Senti um calor repentino e toquei minhas bochechas, sentindo que eu corava violentamente ao lembrar disso. Ainda bem que ele estava do outro lado da porta e não me via naquele estado, ou eu seria obrigada a jogá-lo pela janela.
Naquele momento, entrou uma mensagem no meu celular. Não deveria ter aberto naquele momento mas, como não se tem aviso prévio para mensagem-bomba, eu abri a mensagem de texto que a Rosely enviou e, droga, precisei destrancar a porta e deixar Dyeiden entrar, com expressão surpresa, indo rápido para me segurar ao perceber que eu ia cair com o que eu li. Como não percebi que as coisas estavam chegando a este ponto? Isso não era certo, pois era confuso.
Porque eu acho isso?
- O que foi que você leu para ficar assim? - Perguntou ele, preocupado. Sem me virar para encará-lo, levantei o celular para que ele lesse com os próprio olhos, para entender. Vi com o canto do olho quando ele franziu as sobrancelhas, aparentando confusão com a mensagem, chegando a abrir e fechar a mensagem mais de uma vez, verificando o nome do remetente e o corpo da mensagem, com uma expressão já tão estranha que parecia mesmo era que ele nunca nem havia visto um celular na frente e tentava descobrir como funcionava.
- É... É isso mesmo que eu li? Estou confuso.
- Eu que o diga... Já desconfiava que ela era mas... Comigo? Não! Alguma coisa está errado com ela que eu tenho notado, isso já faz pouco mais de dois meses, e eu ignorei esperando passar mas... Agora está na hora de agir. Ela é forte, mas até onde uma pessoa pode seguir sozinha, existe limite.
- E o que pretende fazer?
- Vou conversar, descobrir o porque disso.
- Tudo bem. Se... Se precisar de algo, estou por perto.
Ele saiu, me deixando tentar decifrar o tipo de pedido de socorro que uma alma como a dela pedia com uma declaração dessas. Pois claro que não queria dizer o que dizia, pois era apenas a confusão de uma mente em perigo. Repassei de novo a mensagem.
Ñ sei cm dizer isso pra vc mas... Eu ñ pude evitar, mas estou completamente apaixonada por vc Kath. É minha melhor amiga, cuida de mim, e somos tão próximas... Preciso saber se sou correspondida.
Pra mim aquilo não era uma declaração de amor. Minha melhor amiga Rosely, que eu a muito tempo já suspeitava ser gay como seu irmão mais novo, estava se declarando para mim. Mas aquilo, vindo dela, que nunca tinha interesse por ninguém, em absoluto, porque dizia acreditar naquela paixão especial, o amor que só acontece uma vez na vida, de forma alguma podia estar apaixonada por mim, porque ela mesma já havia declarado que seu tipo era "excêntrico". Eu imaginava como seria a tal criatura excêntrica. Não tenho o menor preconceito com isso. Na verdade, não tenho o menor interesse em intervir na vida amorosa da minha amiga, quero mais é que ela seja feliz, seja com quem for. E por isso eu me preocupei seriamente com ela naquele momento. De excentricismo, o que eu tenho além da forma de me vestir e do temperamento variativo, e que estou presa em uma maldição. Isso lá é "excêntrico" para alguém como ela? Acho que não!
Manda um rápido torpedo dizendo um O q vc tá escondendo de mim? que foi logo respondido com um ñ sei o q ta querendo dizer...
Bingo! Pensei, já tendo a prova que precisava de que havia algo errado. Ela simplesmente transferiu uma necessidade dela de amor pra mim, por ser alguém que ela adora e que sabe que cuidará dela. Somente nós nos entenderíamos com esses códigos de linguagem.
Mandei pra Judh uma mensagem, meio a contragosto por ainda não ter conversado e perdoado ela, pedindo pra procura Rose e tentar fazer ela escapar um detalhe, já que ela era a melhor de nós nisso.
Uma hora depois, quando eu já tinha terminado de me arrumar para ir à cidade atrás da Rose, Judh respondeu minha mensagem com um a coisa tá preta! me deixando mais intrigada e preocupada.
Pq?
Comecei a perguntar cm estavam as coisas na casa dela, e até perguntei de forma inocente sobre o nv namo da irmã dela, e ela mal falou q achava o cara legal e q a irmã parecia feliz e... Chorou! Acho q vamos ter q espionar essa...
Gelei quando ela disse que a Rose chorou. Havia algo entre ela e o novo cunhado que ela não havia mencionado nem pra mim?
Apenas terminei de me agasalhar, achando na minha bagunça meu par de luvas de couro e minha toca, pois estava frio lá fora. No hall, calcei minhas pesadas botas modelo militar, gritei que iria até a cidade ver uma amiga e saí, sem escutar resposta ou ligando se alguém tinha escutado meu aviso.
Quando havia contornado a casa e me encolhi com o vento frio que subia do lago. Percebi passos pesados no gramado e me virei, deparando com Dyeiden ainda mais agasalhado que eu, correndo com muito esforço, roxo de frio, tentando me alcançar.
- Vou com você! Sinto que vai precisar de uma ajuda masculina! - Justificou após parar ao meu lado, oferecendo o braço, que eu aceitei. Os dois juntos conseguiriam suportar o frio e chegar mais rápido.