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sábado, 12 de outubro de 2013

Pass X Fure Capítulo 1: Mudança

Eram 14hs. quando um Gol 1.0 subiu pela entrada da casa até a frente, um pouco longe da porta, por causa do declínio que havia na frente, pela arrumação que havia ocorrido no jardim, que levou 3 anos. Era uma paisagem realmente encantadora, com o sol da tarde batendo na frente da casa.
Para o carro era difícil até mesmo subir ali, graças as pedras ali colocadas para enfeitar e as diversas folhagens plantadas pelo caminho, o pneu dianteiro passou bem perto de ser furado por uma pequena pedra pontuda que estava no caminho, e se a mãe de Kath não desviasse a tempo... teriam muito prejuízo já na chegada ao seu novo lar. Na subida não tinha estrada feita nem tilha, ou mesmo uma garagem para estacionar, então ela estacionou o carro da maneira que foi possível no gramado.

- Vou entrar e falar com a governanta da casa, tudo bem, Kath? - Disse Yoland, a mãe de Kath. - Saia logo desse carro e venha aqui fora sentir o ar fresco, sentir a natureza, passeie um pouco, vá conhecer a casa, seu quarto... Qualquer coisa! Mas desligue esse Mp4 e saia desse carro!
 Kath lentamente levantou o rosto, estava exausta da viagem. Desligou o Mp4 a contragosto, calçou os tênis pretos velhos, deslizou até a porta do carro e a abriu. Lentamente, apoiando as mãos nos bancos da frente e de trás, levantou do banco e ficou em pé na porta, mas quase perdendo o equilíbrio e chacoalhando para frente e para trás, pois os pés chegaram a afundar onde ela estava na terra úmida, por onde o pneu havia passado a menos de 5 min.
Lentamente começou a olhar o jardim. A luz da tarde lhe ofuscava a visão carregada de maquiagem escura de roqueira, forçando-a a ficar com os olhos apertados até acostumar-se com a claridade. Saiu andando lentamente, um pouco curvada pelo cansaço, parando para se esticar e retomar a disposição.
Andou pelo gramado, olhou a lagoa que tinha longe, na frente da casa, o campo, com o estábulo, a casa de ordenha, o chiqueiro, etc.

Nada daquilo lhe agradou muito, já era acostumada desde os 11 anos a ficar trancada no quarto ouvindo Rock n' Roll, tocando sua guitarra,
preparando roupas "diferentes", usando maquiagem pesada e mechando muito os cabelos para ter seu estilo,
que nem cavalgava mais ou passeava no campo, muito menos saia passear em um lago... Agora tinha tudo isso e se sentia perdida, pois aquilo não parecia lhe pertencer...
Era bem clara, olhos azuis claros, alta e esguia, tinha apenas 14 anos, seu aniversário estava perto, tinha uma imaginação doce e, ao mesmo tempo, muito perigosa! Ainda lembrava das palavras de Fred, por quem era apaixonada em segredo, - segredo tal que ele nunca descobriu - antes de ir embora:
- Você nunca esqueça, que jamais estará sozinha, estarei sempre aqui quando precisar! E não se preocupe, se você não se matar antes das férias, a gente se vê até lá, você pode vir me visitar, minha cama é dupla! - Brincou.
- Vou sentir muito sua falta, da banda, da galera, da minha vida de verdade... De tudo! - Choramingou Kath - Não sei se aguento ficar longe de você...
Ela se aproximou e o abraçou demoradamente, com o rosto enfiado em seu peito para não ver suas lágrimas escorrerem, apesar de sentir seus soluços trêmulos. Ele apoiou o queixo na cabeça dela e disse, sorridente: - Você é muito boba, vai se divertir lá e fazer novos amigos, eu irei visitá-la, não deixaria você sozinha no mundo, a menos que eu morresse, deixaria? - Perguntou Fred.
Ela levantou a cabeça para olhá-lo nos olhos e fez que não com a cabeça.
Lembrar daquilo agora lhe parecia difícil, pois sentia falta de Fred.
Ele era o tipo de garoto descolado, estiloso, não era de atrair tantas garotas, mas possuía uma beleza quase estonteante para quem o admirava, tinha acabado de completar 16 anos, alto, moreno, esguio, magro e um pouco musculoso, com olhos castanho-escuros, cabelo grande e bagunçado, era o que lhe fazia charme, divertido e carismático, fazia Kath se sentir melhor até mesmo nos piores momentos de sua vida!

Curtia tocar guitarra com Kath, olhar filmes de terror, ouvir várias seleções de música e ficar horas e horas conversando com ela sobre qualquer assunto diverso com ela, era sua melhor amiga, e ele nem desconfiava que no coração dela crescia uma grande paixão platônica.
Ela deixou os devaneios de lado, pegou sua mochila no carro e foi entrando na casa.
A sala de estar era enorme, o hall também, estava mal decorada devido ao tempo sem ninguém usar a casa, com um cheiro forte de produto de limpeza, que a empregada nova estava passando. Ela andava devagar pela sala, limpando calmamente todos os cantos para tirar as manchas do tempo no piso, passando por Kath, passando novamente, foi até ela e, conduzindo-a para os lados, como se ela fosse apenas um móvel, limpou os lugares onde havia passado. Quando estava se afastando, parou repentinamente, como se houvesse sido tocada por algo, de repente virou-se, arregalou os olhos e, educadamente, falou:
- Hora menina! Quando foi que você chegou ai e ficou parada? Não sabe que é falta de educação não cumprimentar alguém quando se aproxima? Ainda mais quando a pessoa está distraída e não percebe sua presença? - Perguntou a mulher, que Kath ainda não sabia o nome, mas que parecia ser jovem e, agora que Kath olhava ela de frente, percebia que já possuía certa idade... E era terrivelmente distraída.
Ela tentou logo explicar-se:
- Me desculpe, mas a senhora parecia distraída, não quis lhe atrapalhar! E também, a senhora ainda me moveu para os lados, não é possível que não tenha...
-Você nem estava aqui! - Cortou-lhe a mulher.
Kath não disse mais nada, envergonhada, pois viu que seria perda de tempo.
Foi andando pela sala, chegou até as escadas, muito antigas, mas ao menos as paredes ainda estavam decoradas de maneira rústica, que dava para o gasto.
Notou que grande parte da casa estava sendo restaurada, e que já não parecia mais tão velha como era.
Entrou no quarto, que também havia sido arrumado. Logo foi arrumando tudo a sua maneira, não gostava de coisas muito frú-frú, então foi colando nas paredes até posters de bandas de Rock. Claro que ela era obrigada a gostar de outros tipos de músicas, também gostava de Pop e algumas músicas clássicas.

Um lado do seu quarto entrava muita luz pela manhã, então ela encontrou as negras e leves cortinas de renda, feitas a mão, e as pendurou em tudo o que via pela frente que pudesse prendê-las. Quando se deu por satisfeita, deu uma boa olhada pelo quarto e lhe bateu um leve desânimo, olhou para o restante do quarto e suspirou: Ela ainda tinha muito o que desempacotar, tudo para arrumar e organizar... Não tinha a mínima vontade de fazê-lo! Cruzou os braços de forma protestante, deu uma pequena espiada e pensou melhor, pois toda aquela bagunça não se arrumaria sozinha e sua mãe brigaria e faria a maior cena se ela não arrumasse o quarto. Inspirou fundo, expirou lenta e vagarosamente e pôs-se a abrir caixas, tirar livros, objetos, jóias, roupas, todo o tipo de coisa que ela costumava carregar, que era mais entulho do que móveis que valiam a pena possuir.
Quando já estava acabando de arrumar sua estante de livros (gostava muito de literatura variada), ouviu uma batida na porta, e apenas gritou:
- Entre, está aberta!
A porta abriu e alguém passou a cabeça pela pequena abertura. Sua mãe, que estava com um brilho no olhar, contente por sua filha ter iniciado a arrumação do quarto, olhou para Kath e disse:
- Desça para o jantar filha.
Ela arregalou os olhos e olhou para o relógio do celular, já eram 20 hs. Não podia acreditar coo o tempo havia passado depressa, eram 15 hs. quando entrou no quarto. Ficou ali por 5 hs. e nem percebeu que estava faminta.
- Já irei descer. - Disse apenas.
- Não demore! - Respondeu Yolanda.
Foi até o banheiro no final do corredor, lavou as mãos, deu uma ajeitada no cabelo em frente ao espelho e desceu para o jantar.
Quando chegou na sala de jantar, notou como era glamourosa e luminosa, coisa que não agradava aos seus olhos claros, mas teve que engolir, afinal, não poderia comprometer a iluminação de toda a casa por causa algumas peças iluminadas demais.
Apertou um poucos os olhos e notou que ao lado da porta da cozinha estava uma empregada em pé, aguardando ordens de sua mãe; do outro lado da porta um mordomo; ao lado da mesa a governanta. Quando Kath se aproximou para puxar a cadeira e sentar-se, o mordomo o fez por ela. Sentou na cadeira, em silêncio, colocou o guardanapo no colo e esperou. Enquanto esperava, lhe passava pela cabeça, de que forma a mãe pagaria os honorários de tantos funcionários, se, quando receberam a carta contendo o bilhete e comprovante da herança, mudaram-se para aquela casa quase que imediatamente, pois a mãe já não podia mais sustentar o emprego de administradora e cuidar do apartamento e das contas da casa sozinha, sem contar nas despesas que as duas tinham por mês. Ainda precisava saber qual seria sua próxima tarefa ali, pois na segunda começaria em nova escola e ainda não sabia qual...
Estava em seus devaneio, quando sua mãe lhe chamou a atenção e um prato foi posto a sua frente, era bem detalhado nos desenhos de flores de cerejeiras e parecia ser de porcelana, havia no seu prato arroz, salada, frango feito em fogo de chão, nhoque (que ela amava), e um copo de suco de laranja com... Pitangas?
O jantar parecia muito apetitoso. Pegou seus talheres e foi comendo, enquanto ouvia sua mãe tagarelando, ela mal escutava, entretida com seu jantar, pegava apenas trechos:
- A casa é realmente muito grande... Logo vou tirar as tralhas que estão no sótão, levar o espelho para seu quarto... Sua nova escola é muito boa, foi bem recomendada... Você fará amigos rapidinho, tem jovens como você lá... Você tem que conhecer toda a propriedade Kath...
Mal prestava atenção, de tão deliciada nos pratos que estava... E por um momento pensou ter visto uma fagulha dourada passar do outro lado do salão. Então começou a vasculhar o salão de maneira que parecia que estava cheio, e viu um garoto, entre 14 e 16 anos, empurrando silenciosamente um carrinho. Por um momento, sentiu seu coração disparar levemente, o garoto era forte, tinha os braços definidos embaixo do uniforme, pele bem clara, cabelos loiros cintilantes e bagunçados, e quando virou para encara-la discretamente, corou ao notar que ela também o encarava, e ela notou que ele tinha os olhos levemente lilás.
A voz de sua mãe lhe chamou de volta a realidade, lhe tirando do encantamento ao qual ela sentia estar.
- Kath? Está me ouvindo? - Perguntou sua mãe.
Corando e falando rapidamente, gaguejando também, corou de vergonha por não haver escutado o que ela disse, respondeu:
- O-o que f-foi mãe? Não pode me deixar em paz um segundo? - Respondeu ela, levemente ríspida, pois não sabia outra forma de esconder a vergonha.
- Está no mundo da lua Kath? Ou é cansaço da viagem mesmo? - Perguntou sua mãe, com uma pontada de irritação na voz, devido a sua resposta fria.
- E-eu estou cansada, tenho ainda muito o que desempacotar e coisas demais para arrumar, então, se me der licença, vou até a cozinha pegar uma água para meus remédios e continuar a arrumação.
Levantou de forma brusca e elegante ao mesmo tempo, deixando o prato vazio em cima da mesa e o copo da mesma forma, o que fazia quando estava nervosa, e foi até a cozinha, sem parar para os protestos da mãe.
Foi até um dos balcões transparentes, abriu uma portinha e pegou um copo, foi até a pia e o encheu de água, quando ia tomar um gole, o garoto entrou novamente, pela porta dos fundos, quieto e discreto, puxando um balde e esfregão, tirou-o da água e começou a lavar o chão, sem notar Kath ali. Somente quando estava limpando perto da pia e ouviu um pigarro, parou de repente e olhou na direção de onde ouvira alguém pigarrear. Quando viu Kath parada ali, encostada na pia, olhando para ele com um olhar um tanto malandro, endireitou-se, corando no mesmo instante e disse:
- Me perdoe senhorita, não percebi que estava ai. - Falou o rapaz, curvando-se, envergonhado, como se ela fosse uma princesa e ele um cavaleiro.
- Porque está se desculpando? Não fez nada de errado, fez? E porque tantas formalidades? - Perguntava Kath, interessada em saber, e um com um tom levemente sedutor.
- Bem...  Eu... Que falta de educação a minha! Meu nome Dyeiden, e o seu? Kathlyn, certo? - Perguntou ele.
- É sim. Você é bem esperto! - Elogiou Kath. É um prazer conhecê-lo. - Estendeu a mão para fazerem os devidos cumprimentos. - Posso lhe chamar de Dy? - Perguntou.
- Como desejar, eu não me importo! - Respondeu ele, apertando a mão dela. - Estou me sentindo lisonjeado em poder conhecê-la.
Ele era um rapaz simples, de beleza camuflada, aparentemente muito trabalhador e esforçado, que a deixou admirada.
- Você vai começar a estuda na Encanted segunda? - Perguntou ele.
- Sim. Minha mãe me matriculou lá, e na verdade, estou um pouco nervosa, pois não sei bem o que esperar! Respondeu Kath, batendo a unha contra a quina da pia.
- O que fez vocês duas mudarem de cidade da noite para o dia? Porque, pelo o que eu entendi, a vida de vocês não era das piores na sua antiga cidade... E você disse que tinha bons amigos por lá.
- Minha mãe ganhou a casa de herança de família, gente que não vejo desde muito criança, que não mantiveram contato, da família da minha mãe, então, dá para imaginar um pouco como são... - Ficou a deixa de Kath, que observou o rosto dele procurando alguma expressão diferente, surpresa, o que fosse... Mas estava passível, calma,compreensível.
Ele estava sentado no chão, ao seu lado, e parou para observá-la enquanto conversavam, com um olhar um pouco tímido, que a fez derreter ainda mais, com aqueles lindos olhos brilhantes e seu rosto doce de criança carente.

Ele era totalmente educado, tinha jeito para conversar, era modesto e parecia bem honesto, carismático... E estava cativando Kath. Ela não se abria com ninguém da maneira como estava se abrindo Dy desde... Fred! Ela tinha esquecido de ligar para Fred para contar que havia chegado bem e que o lugar era enorme. De repente, já não sentia mais tanta falta de Fred, como se Dy estivesse abrindo uma brecha em seu coração machucado.
A conversa estava interessante, Kath estava se divertindo, quando a porta da cozinha se abriu interrompendo a conversa, os dois olharam juntos para ela, e a empregada entrou. Olhou para a cozinha, para toda aquela bagunça em um canto, uma parte que já estava seca do piso e outra ainda empoeirada, Dy e Kath sentados no costado da porta dos fundos da cozinha conversando, sabia-se lá por quando tempo estavam daquele jeito. Ela ficou vermelha e aumentou o tom de voz:
- Dyeiden, o que significa esta bagunça? Você não está aqui para jogar conversa fora, e sim para trabalhar na casa e servir seus patrões. Então, trate de voltar a trabalhar imediatamente!
- Sim, Madame Brigity! - Respondeu, abaixando a cabeça.
- Me desculpe o transtorno Dy! Eu não devia ter interrompido seu trabalho!
- Não se preocupe com nada. Apenas suba e continue com a arrumação de seu quarto! Se desejar, amanhã posso subir e lhe ajudar no que precisar! - Disse ele, com um sorrisinho doce nos lábios.
- Vou adorar! - Respondeu ela, animadamente. - 8 hs. pode ir me acordar.
Ela se despediu dando uma piscadela de boa noite para ele e subiu para o quarto. Foi ao seu banheiro privado, escovou os dentes, vestiu a camisolinha de ursinho, foi se deitar e caiu no sono, sempre com Dyeiden em seus pensamentos e sonhos, desejando lhe contar todos os seus desejos e anseios para aquele novo começo ali. 

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