Lista de Músicas

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Pass X Fure Capítulo 6: Briga de banheiro

- Não sei o que pensar, tenho medo. Todos me odeiam. Me sinto perdida. É um tiro no escuro tentar sair deste inferno. Todos morrem, ninguém escapa. As pessoas são más. Não se pode confiar em ninguém, por mais que esta lhe pareça de confiança, pode apenas estar te usando para tirar vantagens por si mesma. Ninguém confia em ninguém. Nem poderia. É um lugar de pecado e crueldade, onde apenas o mais rápido, esperto e menos suscetível aos jogos perigosos sobrevive bem. Não se pode parar de correr, não se pode parar de fugir, ainda mais sendo uma garota frágil, bela e indefesa como eu. Eles gostam de garotas assim aqui. Elas são delicadas iguais as bonequinhas de porcelana. Belas e imaculadas... Até chegarem aqui. Ninguém sobrevive mais que 10 anos neste mundo frio e cruel, que suga toda sua alma até não restar mais nada. Inocência? Isso não existe aqui no instante em que chega. Pureza? É de 2 quadras adiante daqui. Amor? Paixões proibidas carnalmente acontecem aqui o tempo todo. Mas o verdadeiro, só se encontra do outro lado. Cheguei aqui mais ou menos a uma semana, estou escondida em uma casa velha a 3 dias. Não fui tocada por nenhum daqueles homens imundos, nem encontrada por nenhuma cafetina, por sorte. Mas minha sorte pode mudar se eu não me cuidar. Quando encontrei esta casa fugindo de alguns seguranças de uma cafetina, que me conhece apenas por nome, encontrei este lugar e me escondi. Conheci um rapaz da minha idade, Ken, que disse que eu poderia confiar nele, mas desconfio disso, pois ele pode tirar vantagem do mínimo de que seja de mim, se eu for inocente. O pior de tudo é que acho, talvez, que eu esteja apaixonada por ele. É forte, belo, um pouco egoísta, mas quem não é aqui? Tem os olhos verdes mais lindos que já vi na minha vida inteira. Estou encantada, mas, até que possamos voltar ao mundo real, ou melhor, para a superfície, além deste tormento, não posso demonstrar meus sentimentos. Sei que ele sente o mesmo, pois ele fica diferente quando está comigo, parece perdido nele mesmo e fica com o rosto rubro. É impossível que ele goste de alguém aqui, pois somos todos crianças, ele é o mais velho, cuida de 2 irmãs que foram trazidas para cá. Só mesmo se apaixonando pela mulher que cuida de nós. (Escondida, é claro). Mas não me parece muito provável, pois ele parece ter um foco próprio, que é tirar todos daqui em segurança, antes que seja tarde demais para alguém.

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- Onde eu estava com a cabeça quando resolvi ler este livro A fuga do mundo submerso? É chato demais.
- Eu avisei pra você que o livro era uma droga, mas você escuta alguém Kathlyn? É claro que não! Você nunca escuta, nem mesmo o Dyeiden Hel você escuta mais. Sabe qual me parece o seu problema? - Kath fez que não com a cabeça, apenas esperando o que ela diria - Que você está apaixonada pelo garoto que é seu guardião e não que admitir. Você parece nem ligar mais nem para o Frederico! Se não me disser logo, vou ficar preocupada com você. Eu odeio me preocupar com os outros.
- Meu guardião? De onde você tirou essa ideia? Ele não é meu... - Ela parou, pensativa - Agora que você diz... Ele sempre está onde eu preciso, certo? Então, o que eu faço, Rousely?
Ajeitando os óculos, ela levantou a cabeça e disse:
- Vai logo atrás dele, idiota! Ou como é que você espera que o garoto que mora na sua casa descubra que você gosta dele, mesmo ele sendo seu guardião?
- Está certo, eu vou! - Disse Kath, levantando da mesa do pátio e mostrando sua determinação.
- Você sonha com ele?
- O quê? Rouse, que pergunta é essa agora? É claro que sonho.
- Então é amor!
- Eu até posso me apaixonar, isso é certo! Mas, amor? Eca, isso não! Não é para mim!
- É para qualquer um. Agora, vai lá e fala com ele, antes que termine o intervalo! - Disse Rouse, segurando Kath pelos ombros e virando ela, para ir na direção de onde Dyeiden estava sentado.
Ao se aproximar, notou que Dyeiden estava lendo um livro de mensagens, pois estava de costas para ela, que conseguiu ler um trecho: Com coragem e determinação, você pode mudar tudo em sua vida e no seu passado! - E parou para pensar que aquilo lhe fazia ter nostalgias.
Notando sua presença, Dyeiden virou para ela e, com um sorriso, perguntou:
- Você está bem, querida Kath?
- Sempre tão amável comigo... - Pensou, e ficou corada.
Ele levantou, pôs a mão em sua testa. - Não está com febre! Porque está toda vermelha!
Respirou fundo e, então, começou a enrolar, para tomar coragem.
- Dy, já faz um tempo que nos conhecemos, você está sempre perto de mim quando preciso, é tão atencioso e prestativo que nem sei o que dizer. Me sinto mal por não poder ser mais legal com você por isso. Eu... Eu tenho medo de tudo, mas não gosto de admitir. Você parece me conhecer tão bem e, no entanto, eu mal conheço você, mas quero que isso mude e... Espero que possa ser hoje. Não sei como dizer isso sem soar estranho ou constrangedor para ambos os lados. Não sei qual será sua reação mas, a verdade é que, eu... - Ela sentou ao lado dele e virou o rosto, ficando mais próxima e, mais vermelha do que já estava. - Eu... Acho que estou apaixonada por vo... - Ele colocou o indicador nos lábios dela. - Shhh... Não precisa falar nada, Kath. Eu já sei.
- Já sabe? - Ela falou, com uma certa esperança da resposta dele.
- Sim. E a minha resposta é não! - Falou, com uma tranquilidade de quem olhava crianças brincando no parque.
- O-o que? O que você disse, Dyeiden? - Perguntou ela, com um fio de voz.
- Eu disse, que não! Não quero namorar com você, sua idiota!
- O que foi que deu em você, seu egoísta? Pensei que você fosse diferente do Fred. - Levantou, gritando com ele.
Levantando, ele respondeu:
- Bem, acontece que eu não sou. E sabe o porque de o Frederico nunca nem ao menos ter notado uma única vez sua paixão por ele? Porque ele te acha uma garotinha idiota, ridícula, que só usa roupas estranhas para tentar cobrir o que sente, mas deixa tudo ainda mais aparente. Que briga com as pessoas porque briga com si mesma. Os garotos gostam de garotas com atitude, que tem uma certa alegria. E que esse mistério seja algo bom nelas, e não ruim. - Fez uma pausa, antes de dizer: - Você não tem o costume de ir atrás do ginásio durante os intervalos, não é?
Kath ficou pensando no que aquilo queria dizer, e recebeu outra resposta:
- Sabia que seu querido Fred e que sua odiada Célya se encontram atrás do ginásio durante os intervalos? Que ele não lhe dá a mínima, mas que pega até ela?
- Está mentindo! Você está mentindo! Fala isso para que eu fique com mais raiva ainda de você e dele também. Ele não seria idiota de trair minha confiança e destruir nossa amizade por causa daquela vaca! - Disse, quase sem convicção em suas próprias palavras.
- Então vá verificar e, depois, venha me dizer o que achou! - Disse ele, com um tom desdenhoso, de forma que nunca havia falado antes.
Voltou para perto de Rouse e, antes que a garota perguntasse algo, ela disse:
- Vá atrás do ginásio e veja se Fred está lá e, se estiver, me traga uma fotografia do que ele está fazendo.
Surpresa com a ordem de Kath, ela perguntou:
- Mas o que ele tem?
- Apenas faça isso!
Rouse foi, em silêncio, enquanto Kath encontrava Judith para perguntar sobre os horários de testes musicais da escola.
- É sexta, no intervalo! Mas, rocket, o que você está pensando em fazer? Quando perguntei para você se não queria entrar para os testes na semana passada, você disse que sentia falta da sua banda mas que não estava afim. O que te fez mudar de ideia?
- Eu sinto que vou precisar ocupar bastante minha cabeça agora. Os estudos não fazem o suficiente por mim, e pensar em garotos está ficando infernal demais. Me avise quando estiver tudo pronto para os testes.
- Pode deixar! Boa... sorte... - Judith nem havia terminado e Kath já entrava, indo para a sala de aula.
Sentou na cadeira no instante em que o sinal tocou. Rouse entrou como um foguete e entregou o celular cuidadosamente para Kath, para que nenhum fofoqueiro de plantão visse a prova do crime na tela e espalhasse por toda a escola. Kath virou a tela após colocar um pouco abaixo da classe, pois Fred estava logo atrás dela e, quando virou o celular e ligou a tela... Bomba! Lá estava uma foto de Fred beijando Célya. Ele estava bem agarrado nela, com as mãos entrelaçadas em suas costas.

Segurando as lágrimas para não chorar de raiva e decepção, apagou a foto e jogou o celular de volta para Célya e disse um "obrigada por tudo" mudo para ela. Dy estava certo e ela, morrendo de vergonha e remorso. Como aquele idiota podia estar traindo sua confiança? Depois de uma semana, ele já sabia que Célya e Kath não se davam nada bem, e mesmo assim ficava com ela. O pior de tudo não era só isso, o pior era Fred estar flertando com ela desde o momento em que entrou na escola e encontrou ela.
Um bilhetinho "chat de papel" passou para sua mesa. Quando abriu, Judith dizia:
- Não ligue para o que esses garotos idiotas fazem com você! Eles não sabem o que pensam!
- Você viu a cena?
- Vi! E sabe o que eu vi também? Que alguém mais mente para você e você não sabe. Senti naquele climão. Alguém por trás de tudo, até onde me pareceu.
- Você é sensível. Odeia estar entre muita gente, mas pode sentir a maldade das pessoas.
- É que eu não suporto. É maldade demais no coração das pessoas, e quando estas não nos entendem, rogam pragas, desejam o pior, fazem intrigas, espalham mentiras... Você precisa se preparar, ninguém aqui entende você por ter ficado tanto tempo em reformatórios e enfrentado infernos sozinha.
- Como é que você sabe? Nunca falei sobre isso para ninguém alguém além do Dy!
- Digamos que eu posso descobrir as coisas com certos, digamos, "métodos especiais". Não se preocupe, estou ao seu lado. Tenha os amigos perto e os inimigos mais ainda. Não esquenta guria, eu cuida da sua amada bruxélya.
- kkkkkkk é só você mesmo.
Judith era incrível mesmo. Era perigoso ser sua inimiga, é mais do que incrível ser sua amiga próxima. Ainda mais se você tem coisas parecidas com ela. Como ter estado em reformatórios, quase ter matado alguém, gostar de Rock e música Clássica, detestar as mesmas pessoas, se vestir parecido... Era quase inacreditável as vezes.

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No meio da aula de História, Célya pediu permissão para ir ao banheiro e Judith passou um bilhetinho para Kath.
                  Espere para ver a surpresa que aguarda por ela
                  É apenas um pequeno aviso para ela não mexer com meus amigos!
                  Poderá ver tudo no You Tube mais tarde, será a primeira a saber!
                                                                                                     Judith
- O que ela estará aprontando?

Na saída, Kath recebeu um sms dizendo prepare-se para um pouco de descontração nessa escola parada igual porta! Aproveite e divirta-se de camarote! O que seria?
Logo depois, quando o carro de sua mãe estacionou e Dyeiden ia entrando antes dela, entrou no celular um link de vídeo do You Tube. Ela abriu o link e sentou no carro, esperando carregar.
- O que é esse vídeo rocket? Será que é o que estou pensando? - Dy perguntou, apoiando os braços nos encostos dos bancos da frente.
- Eu não sei, foi a Judith que me enviou agora, prometendo muita diversão. Parece o banheiro da escola e, se for, pregaram uma peça em você sabe... quem...
O vídeo abriu, no momento em que Célya entrou no banheiro e começou a passar o lápis no olho, depois um gloss e ia até os chuveiros e, no momento em que ligou o registro do chuveiro, o cano soltou e a água caiu em cima dela, molhando o cabelo recém amarrado e borrando toda a maquiagem feita. Ela começou a gritar como uma criança e correu para um privado, um pouco perdida. Foi batendo contra as paredes, jogando as roupas molhadas para o alto, quando caiu a camiseta em cima da alavanca da privada, ativando a descarga. O vaso sanitário, que estava fechado, começou a tremer, e Célya deu uma olhada lenta para trás, com medo do que poderia acontecer. No momento em que levantou a tampa, o cano de líquido azul de desinfetante que estava embutido, arrebentou e começou a jorrar para todos os lados do privado, cobrindo Célya completamente. Ela gritava como doida e pedia socorro, xingando o tempo todo.
- O que está acontecendo aqui? - Gritava, correndo para fora do privado de costas, tropeçando contra o banco no meio do banheiro e caindo do outro lado.
- Ai! Mas que merda toda é essa? - Dizia, meio grogue, levantando devagar, zonza.
- Mas o que é isso? HÁHÁ, como ela conseguiu esse feitio? - Ria Kath, divertindo-se com Célya, que estava toda atrapalhada, molhada e gosmenta.
- Isso pode vir a ter consequências para você depois. - Disse Dy, um pouco preocupado.
- Do que estão falando crianças?
- É só uma brincadeira com uma colega mãe!
- Ai meu Deus, socorrooooooo! Tia, alguém, me ajudeeeeee! - Célya gritava, desesperada. Estava escorregando, com dificuldades de ficar em pé, com a água e o desinfetante espalhado pelo banheiro.
Quando foi se segurar na pia, puxou com tanta força que arrancou a caixa de sabonete líquido, que voou para cima, Célya caiu deitada com um escorregão, a caixa caiu e espalhou sabonete líquido de hortelã no corpo e ao redor, jogando um pouco no espelho, que já tinha água espirrada e desinfetante sendo derramada com se fosse uma fonte.
Célya ficava cada vez mais vermelha, em um misto de confusão, raiva e vergonha. Estava gritando como uma doida, toda suja, de sutiã e bermuda. A diretora entrou correndo perguntando o que havia acontecido, escorrendo em toda aquela gosma e caindo sentada. A faxineira que corria logo atrás, escorreu, tropeçou na diretora que estava no chão e foi parar do outro lado. O pânico virou geral, com muitos gritos diferentes e o vídeo terminou.
- Judith, você é a maior. - Dizia Kath, sorrindo para ela mesma. - E você, Dyeiden Hel, não se atreva a denunciar Judith pelo que aconteceu. Ela só estava querendo me ajudar.
- Ajudar Kath? Você está tentando se vingar de uma garota que está ficando com o cara que você gosta e que finge gostar de você, e você acha isso justo com você mesma?
- Você também não liga pra mim, então não pode ficar falando assim! E tem mais, ele também pagará por quebrar minha confiança! Ninguém mais pisará em mim dessa maneira, eu já disse.
- De você está falando, querida? Quem vai sofrer? - Perguntou Yoland, interessada.
- Porque quer saber? Ele é um idiota mesmo.
- Você não sabe o que está fazendo, então, se quer fazer mesmo algo direito nesta vingança, deve fazer com mais cuidado.
- Como o que, por exemplo, gênio?
- Se vai se vingar somente dos dois, ficará muito aparente que é alguém que está com raiva deles. Deve incluir mais alguém, como das amigas dela, para não ficar tão óbvio. E fazer uma armação com uma das suas, com ela sabendo, é claro. Assim, a suspeita não cairá toda em você.
- Ela tomou cuidado. Não duvido de sua capacidade Dy. Você também não deveria duvidar...
- Bem, confiarei em você. Já nela... Conheço seus amigos daqui a mais tempo, então não duvide quando digo para procurar se proteger também!
- Eu só quero ver o resultado amanhã. - Disse Kath, ansiosa por uma bela confusão.

Durante a noite, ela recebeu um sms de Rose.
- Vc viu o que aconteceu na escola hoje? Mal pud acreditar... Eu ia no banheiro nakela confusao, mas minha mae mandou eu pegar logo o busao. Vc sabia algo Kath?
- Na vdd, fikei sabend quand minha mae foi pegar eu e o Dy. Mas recebi o link d imediato!
- Espera... Nao me diga q vc sabia algo... Kath!
- N me culpe, n pod provar nd!
- Ta bem... Só toma cuidad amanha!

Mais tarde, quando Kath foi dormir, Dy subiu nas plantas trepadeiras do lado de fora da janela do quarto e subiu. A janela estava aberta e ele entrou.
- Kath, preciso falar com você!
- De novo? Já não falou o suficiente hoje? - Mesmo dizendo isso, ela sentia a necessidade de pedir que ele ficasse a qualquer custo. Estava angustiada e queria alguém para conversar.
- Não se preocupe, não irei demorar. - Disse ele, com um tom muito sério.
- O que você veio fazer aqui?
- Pedir que continue lendo o diário. Talvez precise...
- Então era isso? É sempre só isso que vem tratar comigo?
- Não tenho nada a tratar com você. Não seja birrenta. Seja uma boa menina pelo menos uma vez e me obedeça. Leia-o.
Dy virou-se e encaminhava-se para a janela, para sair por onde havia entrado, pois se saísse pela porta, Yoland poderia ver e fazer pouco caso. Kath agarrou-o pelo braço e o puxou.
- Você se acha cheio de si, sempre, não é mesmo, Dy? Pois adivinhe? Você não é! Não manda em mim; Não é nada meu; Então pare de tentar ser superior a mim, porque você não é melhor que eu, nem a ninguém. Você é meramente meu protetor por acaso, mas não pedi por isso.
- E você acha que ninguém vai poder feri-la porque criou um escudo ao redor de você. Mas adivinhe? Você não está protegida de nada! Quando seus planos de vingança derem errado, como vai conseguir se proteger sem ninguém por perto? Se não for eu, que faço isso porque quero, para poder ficar perto de você, você ficaria completamente indefesa. não por me achar melhor, mas por não poder ver você se machucando. Agora, deixe de ser idiota e acorda.
- Pare de falar assim comigo, seu babaca. - Começou a bater em Dy, sentindo-se impotente, sem poder conter as lágrimas. Dy a segurou pelos pulsos, puxando-a para perto e dando-lhe um abraço apertado.
- Por favor, confie em mim! Não estou aqui por acaso. - Falou ele, calmo e mansamente, perto do ouvido de Kath, provocando-lhe arrepios na nuca.
- Para, me solta, idiota. Você não entende, senão não faria esse jogo comigo. - Gritava ela, debatendo-se com mais força ainda, a maquiagem toda borrada com as lágrimas que escorriam por seu rosto e pingavam na camisa de Dy.
- Para com isso. Sua mãe vai ouvir e vir aqui saber o que está acontecendo. Da maneira que grita, parece que estou batendo em você. - Dizia ele, tentando conter o surto de Kath, que debatia-se com mais violência, desferindo chutes e começando a gritar. Começaram a se empurrar a puxar para os lados, para a frente e para trás. Na tentativa de fazê-la parar, tapou a boca de Kath com a mão, que tentou se afastar indo para trás e acabou tropeçando no baú ao pé da cama, caindo para trás, em cima da cama, com Dy por cima dela. Estavam ainda mais perto do que no tombo no sótão. Ele estava entre as pernas dela, os dois jogados de qualquer maneira em cima da cama, como de forma proposital, segurando Kath pelos pulsos, com o corpo pressionado contra o dela, tapando sua boca. Olhando um nos olhos do outro, sentindo os corações batendo no mesmo ritmo. Tirou lentamente a mão da boca de Kath, sem desviar os olhares e segurou firme seu pulso. Irritada e magoada, ela ainda tentou dar joelhadas e soltar as mãos, o que obrigou Dy a segurar suas mãos firmemente acima da cabeça e pressionar as pernas contra as dela, para ficar imóvel. Sem ter escolha e como livrar-se, teve que escutar Dyeiden em silêncio.
- Pare com isso! Você é mais do que aparenta, Kathlyn. Pode ser melhor que elas, mas não agindo como idiota e esperando alguma amiga se vingar por você.
- Foi só dessa vez e você me crucifixa como se eu saísse por aí fazendo maldades gratuitas. - Disse, entre lágrimas e virando o rosto para o lado, com soluços crescentes.
- Olhe para mim, Kathlyn. - Mandou Dyeiden, ficando irritado.
- Pare de brigar comigo key.
- Do que me chamou?
- Key, porque você parece a chave que protege ás vezes, um guardião.
- Háháháháhá, acho que é por isso que eles não te mataram ainda. Você inventa nomes engraçados.
- Do que está falando?
- Porque acha que ás vezes parece ser possuída? Deveria ter lido mais um pouco do livro. - Disse ele, quase ironicamente.
- Está bem! Agora, para de ser chato e pegar no meu pé, chega minha mãe. E outra - Ela olhou para o corpo dele que a prendia na cama - Saia logo de uma vez de cima de mim.
Ele levantou, foi até a janela, agachou-se e, antes de pular, virou o rosto para ela e falou:
- Não se esqueça, ok?
- Vai logo! - Ordenou ela.
Ele sumiu no gramado escuro.
Ela não queria ler o livro, ainda mais sendo pressionada. Resolveu ir estudar, pois teria algumas provas durante a semana.

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No momento em que soou o sinal do intervalo, Kath pegou o diário e correu para o banheiro. Iria ler lá dentro. Daria um jeito para que ninguém atrapalhasse. Viu Judith com algumas meninas no corredor e acenou. Judith se afastou das outras, indo falar com Kath.
- E aí, guria? O que achou da minha "brincadeirinha" de ontem? Já tem mais de 5 mil visualizações! - Disse Judith, gesticulando.
- Bom, muito bom! Preciso que você fique de vigia na porta do banheiro. Tem que eu preciso... Estudar, mas não tem outro lugar melhor.
- Você me pede umas coisas as vezes... Mas tudo bem, vai lá. Não vou deixar ninguém te perturbar. Isso porque te adoro, sua maluca.
- Valeu Judith. - Correu animada para o banheiro.
Entrou, fechou a porta e foi para a bancada das pias. Abriu o diário e começou a ler.

Estou feliz por ter minha família toda reunida novamente. Meu sobrinho é a coisa mais bela e perfeita do mundo. Já sentia tantas saudades deles. Minha cunhada é uma flor delicada, muito gentil. Meu irmão, felizmente está muito contente, e não parece mais ter traços de sua... hum... deficiência, digamos assim. O tratamento dele parece estar funcionando bem. É claro, porque os remédios são todos feitos na Europa. Lá existem os melhores médicos. Já fizeram seu tratamento para evitar que meu sobrinho recebesse geneticamente genes defeituosos. É algo preocupante.
Bem, fomos para nosso desjejum e eles pareciam tão apaixonados um pelo outro. Era tão encantador a maneira como eles trocavam olhares, juntavam as mãos, se beijavam... Como eu queria ter a mesma liberdade deles para poder amar meu romântico e doce Herick. Ele é realmente um verdadeiro cavalheiro. Com seu belo cabelo loiro e aqueles olhos verdes... Sua voz aveludada... Ele não encanta somente a mim, mas também aos nossos cavalos selvagens que diariamente são domados, de forma carinhosa, por suas fortes e habilidosas mãos. Ele veio noite passada ao meu quarto, era noite enluarada, o ar estava quente e úmido, como sua boca... Oh! Como eu o amo. Muitos podem dizer que estou louca, blasfemar, me difamando, gritando meu nome aos desonrados aos sete ventos... Mas eu o amo demais para dar importância maior ao que me dizem. Possa estar realmente louca e cega de amor, ele prometeu pedir minha mão, e queremos fugir se acaso papai não lhe der a honra se nosso casamento, pois ele é filho do nosso caseiro, e seria uma grande desonra para mim não casar-e com um rapaz que não tenha nada para honrar meu dote.
Como tenho sonhado com ele... Oh! É terrível até mesmo lembrar-me. São coisas entre um homem e uma mulher que acontecem após o casamento, e não sei como fui sonhar algo assim... Céus! Não posso deixar que mamãe descubra, ela mandaria-me para uma escola interna na Suíça, onde não poderia mais ver meu amado até depois que me casasse com outro... Eu não resistiria casar com outro, e olhar para ele novamente. Mas pode ser...

Um estrondo alto no banheiro fez Kath saltar de susto, fechando o diário e virando-se para trás. Em cada privado, tinha uma garota parada, encostada na porta, todas na mesma pose, olhando para Kath.
- HÁháháhá... É realmente verdade o que dizem os nossos antigos, é olho por olho, dente por dente. - Disse Célya, dando mais ênfase nas últimas palavras, mostrando seu remorso.
- O que você quer comigo, bruxélya? Já não levou o suficiente ontem? - Sorriu irônica Kath, não mostrando seu medo e sua raiva por aquela garota, que lhe provoca emoções adversas e perigosas.
- Você se acha muito esperta, não é mesmo, sua monstrenga? Não acredito que pensou que sairia impune dessa. - Mostrou um sorriso doce e, 1 segundo depois, mudou completamente a fisionomia, estalou os dedos e, antes de ir para cima de Kath, falou com fúria crescente - Você destruiu minha roupa nova e quase estragou meu cabelo. Você tá ferrada guriazinha intrometida. - É foi indo para cima.
Kath estava cercada e com poucas defesas, apenas teve tempo de mandar para Judith S.O.S. antes de Beatriz arrancasse de sua mão o celular e o jogasse para Patricia, que o jogou na privada e deu a descarga. Célya pegou o diário da bancada - O que é essa coisa velha? Acho que vou ficar para mim, a capa é bonita, posso arrancar essas folhas...
- Você não vai fazer nada. - Gritou Kath, dando um soco em Célya e pegando o diário de volta. De sopetam, entraram no banheiro Judith, Rousely, Dyeiden e Frederico. Pondo-se cada uma de frente uma rival, elas ficaram prontas, Dyeiden pronto para defender as meninas e Fred sem saber para qual lado iria.
- Fred, querido, venha me ajudar com esse animal selvagem. Ela é perigosa! - Gritou Célya, perdendo a cabeça de raiva.
- Não haja como um idiota novamente Frederico. Ela só está usando você para me ferir. Esqueceu que sempre fomos amigos? Quem você conhece a mais tempo e gosta mais? - Perguntou Kath, com tom desafiador.
- Eu... Eu não tenho certeza... Perder uma amizade é muito chato... Mas gosto tanto das duas...
- Não seja besta Fred, me ajude com essa bruxa dessa garota!
- Você vai ajudar esse animal, Fred querido? Esqueceu dos momentos que partilhamos juntos?
- Escolha seu lado Fred, escolha seu lado... - Começaram a repetir as duas em uníssono.
- Err... Dyeiden, quem eu devo escolher? - Perguntava Fred, muito confuso.
- Seja homem uma vez na vida e escolha por conta o que é certo. Ou você é tão idiota e infantil que não sabe fazer isso por conta agora? - Dyeiden estava ficando enfurecido com a fraqueza de Fred em escolher o que era certo, o que ele deveria saber a tempos.
- Chega de conversa! - Gritou Célya, correndo para cima de Kath, com Beatriz e Patricia seguindo-a, indo cada uma para cima de uma garota.
Virou uma grande confusão!
Eram chutes, tapas, puxões de cabelo, tão agarradas que ficavam a centímetros os rostos de umas para as outras. Os gritos ficaram cada vez mais altos e começou a juntar uma grande multidão de alunos na porta do banheiro, muitos curiosos e outras confusos e assustados com a gritaria crescente. Enquanto todas se embolavam e rolavam pelo chão, Kath empurrou Célya contra a parede com um coice na barriga, que foi revidada com um soco, deixando o rosto levemente inchado na maçã esquerda, dando um tapa forte do lado esquerdo do rosto de Kath, jogando-a no chão. Quando passou a mão no rosto, haviam três cortes pequenos com um pouco de sangue escorrendo. Sentiu um puxão e os cabelos sendo enrolados na mão de alguém e seu corpo sendo novamente impulsionado para frente, só que dessa vez foi jogada contra a pia. Colocou as mãos na bancada, com a visão ficando turva e as pernas perdendo o equilíbrio, olhou o rosto no espelho... Que visão lamentável! O cabelo era uma grande bagunça, a bochecha esquerda escorrendo sangue de três grandes cortes de unha comprida, com marcas de dedos ao redor de cada corte, a blusa torta, amassada e rasgada no braço.
Estava perdendo os sentidos quando começou a ouvir alguém chamar. Virou para Célya e apoiou a cintura na bancada para se manter firme e, estendendo as mãos para trás, tocou o espelho e tocou o rosto nele, ouvindo ao longe a voz de Célya que parecia estar chamando ela para voltar a briga.
Use sua força interior, não desista nunca disso! Não se deixe levar...
Sua visão começou a borrar e distorcer, não conseguia mais ver Célya, nem o restante da confusão no banheiro, tudo não passava agora de um grande borrão, que viraram pontinhos e manchas sem sentido algum, aos poucos transformando-se em outras imagens.
Parecia com uma criança correndo em um jardim, brincando com alguém, feliz. A inocência de sua infância estampada em seu rostinho alegre. Uma linda menininha de cabelos lisos e loiros, olhos azuis muito claros, brincando com um homem alto, que ela não conseguia ver o rosto. Estava brincando de pega-pega, ela corria e ria o tempo todo. Ele tocava em seu braço e ela soltava uma gargalhada alta seguida de gritinhos alegres. Ele também parecia divertir-se. Logo veio a mãe para junto deles, sentou em uma cadeira, sob um guarda-sol e ficou a observá-los, com um sorriso contente no rosto. A menina parecia ter no máximo 2 anos, era bem pequena, bela e delicada como uma boneca de porcelana. A mãe carregava um pequeno embrulho nos braços, um pano azul todo enrolado gordinho nos braços. Sem avisos, a imagem linda no gramado da casa sumiu, dando lugar a uma tarde com uma chuva muito forte, o céu negro, raios cortando os céus, fazendo uns barulhos assustadores. A menina chorava alto, pendurada sobre o parapeito da janela, olhando para baixo, com os bracinhos estendidos para baixo, enquanto via um homem sair correndo do prédio com o mesmo embrulho azul nos braços, também chorando. A mãe veio correndo logo em seguida, gritando e chorando, falando alto para a menina e entrando correndo de volta para casa com ela nos braços.
A imagem foi sumindo e voltando ao presente. Quando Kath viu Célya tão próxima indo pegar em sua roupa para puxá-la, assustou-se e, de reflexo, deu-lhe um soco com toda a força no canto do olho, o que a jogou contra uma parede, deixando-a desmaiada ali mesmo.
Sentindo as pernas cederem, caiu entre os joelhos dobrados, ofegando. Teria sido outra visão? Se sim, foi estranha e sem muito nexo.
Dyeiden, percebendo que a briga entre as duas havia terminado, foi correndo ajudar Kath a levantar.
- Você está bem? Doendo muito os ferimentos?
- Não, eu acho que não. Eu... Eu estou um pouco tonta... Pode me ajudar a levantar?
- Claro. Espere! Passe seu braço sobre meu ombro. Ela obedeceu e ele a pegou no colo.
Passando pelas meninas, fez sinal com a cabeça. Rose soltou-se de Beatriz com um chute na barriga e correu para a porta. Judith deu tapa forte com as costas da mão em Patricia, jogou-a contra a parede e correu, alcançando os outros no corredor.
Saíram escondidos pelos fundos da escola, que tinha uma abertura no fundo do muro, que dava para um terreno baldio e corretam rumo a cidade. Quando o corpo docente da escola chegou no banheiro, encontrou as meninas desmaiadas uma perto da outra, gotas de sangue por toda a parte e, ao que parecia, somente elas haviam estado ali. Alguns alunos foram chamados na diretoria para tentarem descobrir se a confusão no banheiro não envolvia mais ninguém, mas todos se mostraram tão convictos de que ninguém mais havia brigado, que os professores deixaram o caso como estava. Até mesmo as meninas, quando acordaram e se recompuseram, afirmaram o mesmo, sem muita convicção e, como já estava muito machucadas e cansadas, a diretora deixou por ali mesmo o assunto, mandou um bilhete de advertência para os pais das meninas, com grande decepção por ter de mandar para a irmã, informando o feito desregrado da sobrinha, e dispensou as meninas.