Lista de Músicas

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Pass X Fure Capítulo 2: Sonhos

Ela corria em um gramado interminável, em um lugar todo aberto, estava tudo rodeado pelo nevoeiro, a grama cobria seus pés e ela sabia, pois, estava descalça. Era um lugar vasto e alto, parecia madrugada, não tinha certeza, não o céu direito, foi até um morro que ficava na ponta do gramado, para olhar onde estava. Olhou para suas roupas e ainda estava com a camisola de ursinho, que tinha mangas soltas.
Novamente levantou o rosto para o céu, e agora havia estrelas, uma imensidão delas, o nevoeiro ainda pairava naquele campo, mas o céu já se fazia limpo.

A lua cheia era enorme, predominante na noite obscurecida. Ela olhou para os lados, mas não viu ninguém, nenhum som... Nada! Foi caminhando pela trilha, quando começou a ouvir alguém chamando seu nome...
Kathlyn
Ela não conseguia ver quem estava chamando por ela, olhava todos os lados e não via ninguém...
Kathlyn
Ela não sabia de onde vinha aquela voz, estava um pouco confusa, e quando a voz se aproximou, ela conseguiu ouvir mais claramente a voz, e pode notar que era masculina.
- Olá, Rock Girl!
Ninguém a chamava assim, a não ser... Ela se virou para ver quem era, ouvindo passos lentos e tranquilos atrás de si. Olhando bem, ela viu que um rapaz estava vindo, do meio do nevoeiro,
por trás de alguns arbustos, pode ver seus cabelos castanhos, sua postura relaxada, sua roupas soltas e descoladas, seu olhar sedutoramente olhando para ela. Ele se aproximou dela, que desceu o gramado em sua direção, reconhecendo-o. Nem acreditava no que via: Fred estava bem na sua frente, na casa da fazenda, mas... Durante a noite? Ela não ligava! Estava muito contente por ele estar ali, que correu e jogou-se nos braços, em um abraço longo e apertado.
- Senti tanto sua falta... Apesar de ter passado apenas 8 hrs. desde a última vez que nos vimos, na porta da minha casa, quando eu estava vindo para cá...
- Não se preocupe com isso Kath! - Disse ele, com tom galanteador, passando as costas da mão direita e depois o indicador pela maçã do rosto dela, o que a deixou corada. - Eu estou sempre com você! Aliás, eu nunca deixei você, estou sempre aqui, não é mesmo? Então vamos parar de enrolação! - Falou, puxando-a para um abraço forte, e no momento em que ela tentava tirar a cabeça de seu ombro, olhou em seus olhou, que eram sedutoramente brilhantes, engoliu nervosa.
Ele colocou o queixo dela entre seu polegar e o indicador, a mão ao redor das costas, curvou-a para trás, nunca tirando os olhos dos dela, aproximando-se envolveu-a em um beijo arrebatador.
Ele tinha lábios carnudos e macios, que a envolveram em deliciosos e delicados beijos, como ela nunca imaginou que teria, ou imaginou? Ela não se lembrava, não lembrava de mais nada, apenas que sentia agora que alguém lhe puxava para perto, acariciando seus cabelos e dando leves beijos em seu pescoço, e em nenhum momento abriu os olhos. Quando os beijos recomeçaram, agora mais delicados, notou que havia algo diferente naqueles lábios que beijava, não sabia se eram os beijos, se era o toque... Não sabia dizer!
Quando sentiu que os lábios se afastavam e os braços que a envolviam estavam soltando-se de sua cintura, foi lentamente abrindo os olhos, ainda zonza de alegria. Quando viu quem estava na sua frente, teve um sobressalto: Na sua frente, curvado diante de si como um cavaleiro servindo ao seu rei, estava Dy, de joelhos diante dela, com a cabeça curvada, mostrando respeito.
- D-Dy...  - Gaguejou, sem saber o que dizer com aquela cena.
- Por favor, não diga nada, Princess Rock, apenas me acompanhe. - Disse, estendendo uma das mãos para ela e conduzindo-a pelo jardim envolto de névoa.
- Para onde iremos?
- Espere, e verá! - Falou ele, com muita delicadeza e mistério na voz.
Curiosa, ela seguiu o caminho com ele, que a conduzia como uma dama da alta sociedade... Era engraçado, ridículo demais para ela, mas ele parecia levar tudo muito a sério.
Chegando perto do lago, havia uma toalha listrada de branco e vermelho estendida na grama, com uma cesta de piquenique com um laço vermelho ao redor, um pequeno buquê de tulipas do lado, suas favoritas, e uma caixinha ao lado, modesta e belamente decorada. Era perfeito!


- Por favor, sente-se! Uma dama não deve nunca se cansar ou ficar aborrecida, principalmente quando é uma bela dama. - Disse, abrindo a cesta e retirando doces enquanto ela sentava, sentindo-se lisongeada.
Ela olhou para aquela pequena caixinha e ficou imaginando, curiosa, o que ele guardaria ali.
Notando seus olhos curiosos na caixinha, ele a abriu e mostrou para ela um pingente,
e disse:
- Este pingente pertenceu a uma antepassada sua, quando você encontrá-la novamente, deverá mostrá-lo para ela, e ela lhe dirá o que fazer!
- Mas eu não a conheço! Como vou saber quem ela... - Ele tocou seu lábio com o indicador, pedindo que ela se calasse e, delicadamente, foi aproximando-se dela, pronto para um beijo. Ela então, fechou os olhos e aguardou. Quando começou a ouvir algumas batidas e um som estridente. Abriu os olhos e viu seu despertador tocando, com Dy na frente da cama, sentado em uma cadeira, observando-a.

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Bateu com o punho fechado em cima do aparelho para fazê-lo parar o barulho, deu uma espiada em Dy, que a observava com atenção e carinho e perguntou:

- O que faz no meu quarto as 7 da manhã, Dy?
Ele deu uma risada doce e curta, respondendo:
- Você já se esqueceu, senhorita? Disse que bem cedo gostaria que eu viesse a seu quarto para ajudá-la na arrumação! Bem, aqui estou! Seu café está na bandeja, apenas lhe esperando.
Ele levantou, pegou a bandeja que estava em uma mesa e o levou até a cabeceira, enquanto Kath se sentava e arrumava para tomar o café, ainda sonolenta e um pouco constrangida com a maneira como começou a manhã. Ela já nem lembrava mais o que havia dito para ele na noite passada, nem de seu sonho, apenas que era algo que lhe parecia importante... Mas o que seria?
Enquanto comia, Dy a observava atentamente, estudando-a, como se fosse a criatura mais fascinante já inventada no mundo, aqueles lindos olhos lilás observando ela... Sentiu o rosto arder, e no momento em que abaixou a cabeça... Engasgou de tão nervosa. Começou a tossir muito, os olhos lacrimejando e o rosto ardendo cada vez mais com o calor que espalhava-se pelo corpo com o esforço que fazia. Dy correu a seu socorro, assutado. Deu-lhe um copo com água que ela não havia visto na bandeja, bebeu rapidamente, deixando escorrer um pouco pelo queixo e pingando na camisola. Dy pegou o guardanapo e, assim que ela se sentiu um pouco melhor, ele passou delicadamente pelo seu queixo, descendo um pouco, e parando para olhar em seus olhos...
Os olhos de Dy brilhavam de forma ofuscante, vidrante. Ele parecia observar-lhe a alma, de forma doce, seus olhos pareciam beijar-lhe, até mesmo... Cada vez mais próximos! O que ele estava fazendo, próximo daquele jeito?
- Tenha mais cuidado! É encantadora, mas desastrada! - Disse, o rosto a centímetros do de Kath. Ela começou a sentir o rosto afoguear novamente, e viu que as bochechas de Dy estavam cada vez mais coradas também. 
Decorreram-se alguns segundos constrangedores, até Kath desviar o olhar, baixando a cabeça e dizendo:
- Desculpe, Dy! Poderia me deixar sozinha um minuto? Preciso me trocar para fazer a arrumação!
Afastando-se dela, ele deu um leve sorriso e respondeu:
- É claro Kath, como você desejar!
Ela agradeceu com um aceno de cabeça enquanto ele ia até a porta e saia, observando-a sempre.
- Hoje vai ser um dia daqueles! - Pensou, suspirando aliviada por estar sozinha. 

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A porta do sótão se abriu lentamente com um rangido, Kath e Dy entrando a passos lentos, olhando para os lados. Tudo estava coberto de poeira e teias de aranha, muitas coisas sem ser usadas estavam ali, até mesmo espelhos... Muitos deles. Todos estavam em um canto escuro, mas porque estariam ali, se eram tão elegantes, combinavam com a casa... Aquilo era esquisito para ela, mas resolveu fazer logo o que havia ido fazer ali, perdendo seu tempo subindo no sótão velho e empoeirado da casa.

O lugar era grande, realmente grande, o que dava para a casa uma aparência de pequena por fora e imensa por dentro. Era quase inacreditável.

Tinha muita coisa ali. Em alguns lugares tudo bagunçado, jogado de qualquer maneira, em outras nem tinha muita coisa, pois pareciam estar em obras. Havia partes muito claras e outras extremamente escuras, havia algumas com pontos diferentes de iluminação, que confundiam a retina.
Eles começaram a limpeza, pegando coisas que possivelmente seriam novamente usadas, pois se não fossem, sua mãe as destinaria para a reciclagem, pois gostava dessa organização. Na antiga casa era sempre uma discussão pra saber qual lixo iria onde... Isso a irritava só de lembrar.
- Você deve sempre deixar tudo limpo e separar o lixo, assim os lixeiros não terão problemas por sua causa depois!
- Mas mãe, que diferença faz isso? Eles vão jogar tudo no mesmo lugar? - Rebatia Kath para a mãe, que não gostava de sua atitude desorganiza e sem pensar na natureza.
- Muita diferença garota, pode salvar o planeta com pequenos gestos! Então, trate de levar tudo isso pra fora AGORA, antes que eu lhe dê um corretivo.
- Eu odeio isso, e odeio você! - Saía pisando com força, os sapatos batendo no assoalho, que fazia eco.
Ela estava tão concentrada nos próprios pensamento, quem nem ouvia Dy chamando-a:
- Kath? Está tudo bem? O que foi? Você ficou pálida e não me ouve.
- Não se preocupe, não foi nada! - Disse, ainda tentando entender o que acontecia com ela, porque aquelas discussões a incomodavam tanto?
Em um esforço de não mostrar o que se passava com ela, Kath falou:
- Vamos arrumar logo de uma vez esse lugar? Isso vai demorar, e eu não estou nenhum pouco afim de ficar tempo demais nesse lugar, está nojentinho aqui... - Falou, passando o dedo em uma mesa empoeirada e mostrando que ela estava imunda, ao mesmo tempo em que fazia uma careta de nojo.
Tentando retirar alguns quadros velhos da parede e os alcançando a Dy, que os largavam um na frente do outro encostados em um baú, ela os tirava um a um, até ir retirar o ultimo, que estava na ponta, e no momento em que ela estava quase retirando, as pontas dos dedos tocando a moldura, ela estava na ponta do pé, Dy se aproximou no momento exato em que a cadeira virou, fazendo muito barulho, e Kath caindo nos braços de Dy, com tanta força que ela acabou caindo no chão por cima dele, seus rostos muito próximos, os dois corando, a respiração cortante e os corações ficando disparados. Olharam-se fundo nos olhos um do outro por alguns instantes e Dy foi quem falou primeiro:
- Está tudo bem com você? Está ferida?
- Estou bem! E você deveria cuidar mais de si e esquecer um pouco de mim. - Respondeu ela um pouco ríspida e levantando de cima dele, pois estava constrangida com a situação haver decorrido daquela forma.
- Então, como não se machucou, voltemos ao trabalho? - Perguntou Dy, estendendo a mão para ajudá-la a levantar do chão, onde estava ajoelhada. Ela recusou com um aceno negativo e levantou sozinha, em silêncio.
Limpavam algumas prateleiras, quando sentiram um leve solavanco, depois outro e mais outro, cada vez mais fortes. Dy, preocupando-se, disse:
- Vou até lá em baixo para saber o que está havendo e já volto. - Disse, saindo rapidamente pela portinha e descendo as escadas.
Ela ainda sentia alguns tremores, então foi andando pela peça e viu algo coberto por um pano. Foi devagar até lá, puxou o pano e viu que era um grande espelho, e que no canto, algo parecia... girar, como um buraco negro... só que era branco... o que significa aquilo?
Olhando para o lado, viu que, bem ali perto, estava um objeto no chão, foi andando para ver o que era, pegou-o e o examinou. Era um broche, bem antigo, estilo explosion pelos desenhos nele gravados, mas o que estaria fazendo ali no chão daquele velho sótão?

Então sentiu um tremor um pouco maior e caiu de quatro em frente ao espelho, pois foi um baque forte. Aquele redemoinho começou a girar mais rápido, a crescer. Ela então sentiu a necessidade de tocá-lo. Se viu entrando em um redemoinho branco, que a cercou e cobriu completamente. Levantou assustada e cambaleou no mesmo instante, começando a cair e cair...  

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